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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

10 anos do título que deixou clara uma coisa: o Santos estava de volta

Há 10 anos, eu senti, pela primeira (e por enquanto única) vez na minha vida o desagradabilíssimo efeito do gás de pimenta. Veio rápido, intenso e incômodo, me fazendo tossir e lacrimejar. Motivou a mim, e a todos os que estavam perto, a recuar e assim abrir passagem ao caminhão de bombeiros que tentava prosseguir em meio a uma rua lotada.

O caminhão trazia os atletas do Santos que, poucas horas antes disso tudo, venceram o Vasco em São José do Rio Preto e assim conquistaram o Campeonato Brasileiro. No chão, eu e outros tantos santistas que celebravam ali a conquista.

O título de 2004 é daqueles que gera muito, mas muito o que se pensar. Ele não foi tão mágico quanto o de 2002: não foi conquistado de virada, sobre um rival, não quebrou fila, não teve conotação de surpresa. Ao contrário: o Santos figurava entre os favoritos para o torneio e a partida decisiva, com seus gols logo no início, não se caracterizou por emoções e alternativas.

A emoção foi construída antes daquilo. No longo torneio (46 jogos, contra 38 dos dias atuais), aconteceu coisa pra caramba. A mãe de Robinho foi sequestrada, o que tirou o principal jogador do Santos de muitas partidas; o Atlético-PR mostrava uma solidez digna de um avião em piloto automático; e Deivid, o 9 peixeiro fazia gols e mais gols, mas grande parte deles acabava injustamente anulado pela arbitragem, o que deu boa margem para teorias da conspiração.

Talvez o que possamos chamar de jogo - ou jogos - do título foi realizado uma semana antes da rodada final do Campeonato. O time paranaense liderava a disputa, dois pontos à frente do Santos; ia enfrentar um fraco Vasco em São Januário, enquanto o clube paulista encararia o perigoso (embora abalado pela morte de Serginho) São Caetano no ABC. Deu tudo certo para o Santos: o Vasco fez 1x0 sobre o Atlético e o Peixe passeou no ABC, com um inapelável 3x0. O jogo final, como já dito, acabaria tendo um quê de uma contenda protocolar.

Mas então qual a pegada desse título, o porquê de eu ter dito que ele "gera muito o que pensar"?

A questão é que ganhar um Campeonato Brasileiro apenas duas temporadas depois de ter vencido outro foi uma afirmação inequívoca da retomada da grandeza do Santos. Não, definitivamente não era um time sortudo salvo por uma molecada endiabrada, e sim uma equipe de camisa, de força, digna de brigar por títulos e de receber o mesmo tratamento de outros rivais que, por um bom tempo, o haviam feito comer poeira.

Depois de 2004, o Santos, embora não tenha mais vencido o Brasileirão, enfileirou uma série considerável de taças: cinco campeonatos paulistas, uma Copa do Brasil, uma Recopa e a tão sonhada Libertadores da América. As conquistas não apareceram mais desde a Recopa de 2012 - e as perspectivas da administração não estão das mais animadoras - , mas, enfim, não há como comparar o Santos hoje com aquele time pré-2002. E até mesmo com o que havia entre 2002 e o 19 de dezembro de 2004.

Fabinho, Preto Casagrande, Leonardo, Ávalos, Mauro e outros heróis esquecidos fizeram parte daquela campanha - o que, cabe registrar, deixa bem claro que não estamos falando de um bicampeonato alcançado pela "geração de Diego e Robinho". Robinho sim, mas Diego já havia ido embora - quem dividia o protagonismo com o ex e o atual camisa 7 eram nomes como Elano, o já citado Deivid, o talismã Basílio e o injustiçadíssimo capitão Ricardinho (que, por ser "corintiano", jamais desfrutou do status de ídolo na Vila).

Fecho o post com um vídeo sobre a penúltima rodada, a vitória no ABC. Não houve gás de pimenta naquele dia - o cheiro, ali, era de título.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Pelo direito de reclamar da arbitragem sem sofrer ironia

O Santos não jogou bem na quarta e a derrota para o Sport não foi um resultado surpreendente. Mais uma vez o time sofreu com a inoperância de Damião, viu seu meio de campo subutilizado (ou vamos de três atacantes ou de três volantes, o que sugere um desequilíbrio) e foi prejudicado ainda com uma noite fraquíssima do bom Zé Carlos, sobre quem o rubro-negro Patric fez os três gols pernambucanos.

Porém, independentemente de tudo que foi dito, aos 36 minutos de jogo houve isso: um erro de arbitragem que viu impedimento inexistente de Damião e anulou aquele que seria o gol de empate do Santos.

A partida permaneceria empatada? O Sport poderia sair vitorioso mesmo após esse segundo gol do Santos? O Santos viraria o jogo? Impossível saber. O fato é que os destinos da partida foram drasticamente mudados por um equívoco do juiz e seus auxiliares.

Não escrevo aqui para discutir o nível da arbitragem brasileira (que é ruim como a de qualquer canto do mundo) e nem para insinuar que o Santos é o único que sofre do mal - tenho certeza que qualquer torcedor saberá elencar sem esforço equívocos dos apitadores que prejudicaram suas equipes.

Meu foco é outro: defender o direito de, sim, reclamar da arbitragem. De, sim, poder dizer que o destino seria melhor (ou mesmo pior, vá lá) se juízes e auxiliares tivessem agido de forma correta.

Digo isso porque costumeiramente vemos uma enxurrada de ironias contra quem reclama dos juízes. "Ah, isso é desculpa de perdedor", "como ele quer falar de juiz se o time é péssimo?", "qual o direito dele para reclamar de arbitragem com uma zaga dessas?", "o juiz até errou, mas ele ia perder de qualquer forma, o adversário é bem superior", e assim por diante.

O raciocínio que defendo é rápido, simplório até. Apenas afirmo que as coisas não são excludentes - ou melhor, nem relacionadas são. Ser prejudicado pela arbitragem não tem qualquer relação com sua escalação, ou a superioridade/inferioridade do adversário. É apenas uma constatação: naquela hora, naquele lance, o juiz errou. E a decisão ali tomada influiu no rumo da partida.

Rejeito teorias conspiratórias e esforços de quem quer ver seu time mais prejudicado do que o outro. Como já disse, árbitros erram (e muito) em todos os países. Só cabe a nós entender que esses erros podem ser debatidos com respeito e sem ironias.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Sobre tapetões e os diferentes conceitos de justiça

Esse não é um texto sobre o fim do Campeonato Brasileiro e a tal escalação irregular do jogador da Portuguesa que pode levar o clube do Canindé à Série B em 2014 e salvar da degola o Fluminense.

Não é um texto sobre esse episódio - mas sim motivado por ele.

Todas as vezes em que surge a possibilidade de que um clube perca pontos por questões extra-campo - seja a perda algo razoável ou absurdo, seja uma possibilidade concreta ou um delírio individual - um grito ecoa por todos os cantos, dito por todas as bocas possíveis: "querem roubar o que não foi conquistado na bola! Isso não é justo!".

Hum, então. É sobre isso que o texto quer colocar o foco. Sobre a palavra "justo", sobre esse conceito de justiça futebolística.

Quando um campeonato está para se iniciar, todos os times assinam seu regulamento. Que, a partir desse momento, passa a ser uma constituição para todos os envolvidos na disputa. Lá se fala de tudo: sobre mandos de campo, sobre critérios de desempate, sobre características dos estádios e, também, sobre punições.

E se um time pisa na bola e descumpre algo que está previsto no regulamento que ele próprio assinou, aí, meu amigo, não pode chorar o que veio depois.

Não consigo conceber a ideia de criticar um time que pede uma punição a um adversário que descumpriu o regulamento. Se o descumprimento está nítido nas regras, e se a punição é também prevista pelas normas, não há rigorosamente nada de injusto - de trapaça, de mutreta, de o que for - em recorrer a essa via.

"Ah, mas isso vai mudar o resultado conseguido dentro de campo". Não, meu caro. Não vai "mudar o resultado" simplesmente porque o resultado em questão não era para ter acontecido. Um time que escala um jogador irregular está inserindo no contexto da partida um fator que deveria estar externo a ela. E pronto! Não muda nada se o sujeito foi reserva, se mal tocou na bola, se mais atrapalhou do que ajudou. Ele simplesmente não deveria estar lá. E mais que isso: seu clube deveria estar ciente disso. Se sabia da irregularidade, e não atuou para coibi-la, cabe a punição.

É preciso ter mais cuidado ao adotar essa linha do "o que aconteceu dentro de campo é sagrado". Não, não. As regras a respeito da inscrição de jogadores - e de um monte de circunstâncias extra-campo, como condições do estádio, pagamento de tarifas e outras - existem por um propósito, e devem ser respeitadas.

(Um paralelo com o mundo da política: é comum políticos serem eleitos e, posteriormente, a Justiça Eleitoral detectar que houve alguma irregularidade na campanha, e determinar a cassação do sujeito. Que, invariavelmente, apela para o discurso do "querem calar o voto popular" ou "a Justiça decidiu criar um segundo turno". Mantenho o raciocínio: se as regras forem descumpridas, que se aplique a punição. Não existe "vontade popular" mais importante do que as normas estabelecidas, também, pelo povo.)

Agora, sim, trago o debate para o caso atual e o imbróglio Portuguesa-Fluminense. Muita água ainda vai passar por debaixo da ponte. Parece realmente que a Lusa fez besteira, mas tem a seu favor o fato de que a CBF talvez não tenha sido muito clara em sua decisão. O que rejeito é a gritaria - precoce! - em torno do Fluminense por conta do episódio.

Como se o clube das Laranjeiras tivesse culpa por uma suposta bobagem praticada pela diretoria lusitana. Como se a situação atual tivesse alguma relação com as viradas de mesa de 1996 e 2000. E como se, pelo fato de o Flu ser um time do Rio, já desfrutasse de uma imutável condição de vilão perante a eterna coitadinha Portuguesa.

Acho que temos, todos, condição de travar um debate mais inteligente.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

10 conclusões precipitadas sobre o Brasileirão 2013

O Brasileirão está acabando, a temporada 2013 também, e agora é hora de analisar o que se passou. É um tempo que costuma ser marcado pelos "engenheiros de obra pronta", aquela galera que, com os resultados em mãos, enche o peito para explicá-los com uma precisão invejável.

Vamos analisar algumas conclusões precipitadas que emergem após o término do Campeonato Brasileiro.

1. Pontos corridos são chatos, volta mata-mata
Não tem jeito: toda vez que o Brasileiro tiver seu campeão conhecido com muita antecedência, o que será o caso de agora, o grito do "volta mata-mata" ecoará - embora ele já tenha tido mais força, reconheçamos. Eu mesmo sempre fui um inimigo dos pontos corridos, mas hoje não há como negar que abandonar a fórmula seria um retrocesso. Estamos há 10 anos com campeonatos brasileiros em que todo mundo sabe qual a tabela, qual o formato, onde as regras são respeitadas (com um tropeço ou outro), e por aí vai. Não acho que devemos abrir mão disso - e os pontos corridos são a base para essa organização.

2. O Atlético-PR mostrou o caminho: vamos todos ignorar os estaduais
O Furacão faz um ano histórico: está na final da Copa do Brasil (seu melhor desempenho na história do torneio), muito perto de se garantir na Libertadores via Brasileiro e deve terminar o nacional com um honroso vice-campeonato. No começo do ano, o time disputou o Paranaense com uma equipe sub-23 e deixou os titulares aprimorando a forma física e técnica. Soma-se uma coisa à outra (e acrescente a eterna bronca com os estaduais) e tem-se aí uma fórmula mágica. A tábua da verdade vem do Paraná: vamos todos desprezar o estadual e aí é só colher o sucesso no segundo semestre.

É preciso ter calma com isso, por três motivos: o primeiro é que o sucesso apareceu apenas (por enquanto) nesse ano, o primeiro da experiência. Não se pode cravar que a regra se aplicará com todos os outros que se utilizarem da tática. O segundo é que o "pensamento de longo prazo" não foi tãããão real assim no Furacão - o time trocou de técnico no início do Brasileiro; ou seja, não é o mesmo comando desde o início da temporada. E, em terceiro lugar, outros estaduais - em especial o Paulista - são mais competitivos que o Paranaense. Um santista/são-paulino/corintiano/palmeirense pode achar que o Paulistão não vale nem metade do que valem outras taças, mas decerto esse torcedor não quer o rebaixamento da equipe. Vamos esperar o Atlético-PR seguir a ideia ano que vem (além de ver se mais equipes adotam a metodologia) para aí ver se a coisa tem mais procedência.

3. Vanderlei Luxemburgo já era
Ele pegou um Fluminense ruim e entregou ainda pior. Além disso, não conquista algo diferente de estadual há muito tempo. Tudo isso é verdade, mas cabe um pouco mais de calma na hora de dizer que Luxemburgo se tornou um técnico medíocre. Ele ainda tem condições de fazer trabalhos de média qualidade - como o feito no ano passado, quando levou o Grêmio à Libertadores. Já é mais do que muito treinador é capaz de fazer. Deve figurar num time grande ano que vem.

4. O ideal é investir em jogadores baratos
A campanha do Cruzeiro impressiona tanto pelos números assombrosos quanto pela ausência de medalhões no elenco azul. Quem é "o cara" do Cruzeiro? É fato que o time não tem um consagrado como tinha o campeão do ano passado - Fred no Fluminense - e nem mesmo como tivera em 2003, com Alex. Isso mostra uma grande virtude do time cruzeirense, mas é algo que não pode ser interpretado como receita inabalável de sucesso. Dezenas de times foram montados como o elenco atual do Cruzeiro - com uma mescla de jogadores da base, jovens até então desconhecidos e atletas rodados que não emplacaram tanto assim em outros times grandes - e a maioria não deu certo. Ou você soltaria fogos se, no começo do ano, seu time contratasse Dagoberto, Everton Ribeiro e Borges?

5. O que vale é a competência, identificação pode ser desprezada
A filosofia dos "não-medalhões" cruzeirenses se estendeu ao banco, comandado por Marcelo Oliveira - que, até então, tinha uma carreira pequena em clubes grandes. E, mais que isso, carregava (ou carrega?) uma identificação grande com o rival Atlético-MG. Eu não acredito que uma identificação, por maior que seja, impede um profissional de trabalhar em um rival. Mas não podemos negar que é um fator, que, sim, dá sua contribuiçãozinha para que as coisas sejam prejudicadas (o que foi superado no caso atual do Cruzeiro). Se o time azul tropeçasse no começo do campeonato, certamente a atleticanidade de Marcelo seria evocada.

6. O Corinthians foi burro ao investir milhões em Alexandre Pato
Agora o oposto do que aconteceu com o Cruzeiro: o Corinthians investiu milhões em um jogador consagrado que não deu certo. Uma boa matéria do UOL até traçou um paralelo entre os casos, revelando que o montante gasto do Corinthians com Pato compraria todo o Cruzeiro campeão. Então fica a lição de que gastar milhões com um só cara é besteira? Não necessariamente. Pato não vingou no Corinthians por uma série de motivos - e o futebol tem milhões de negócios que se encaixam na categoria do "boas contratações que não deram certo". Pato é só mais um deles. Relançando pergunta de item anterior: quem você gostaria de ver seu time contratando no início do ano, Alexandre Pato ou Everton Ribeiro?

7. Estádio novo é sinal de prejuízo, distanciamento da torcida e maus resultados
O pior time do campeonato, o Náutico, joga em um dos melhores estádios da competição - a Arena Pernambuco, uma das sedes da Copa de 2014. Jogar na nova casa e deixar o tradicionalíssimo Aflitos foi um fator apontado como um dos motivos pelo péssimo brasileirão alvirrubro. O presidente do time chegou até a culpar o bom gramado da Arena - é sério - como elemento relevante. Precisa mesmo comentar? Melhor só recomendar ao dirigente do Timbu - e a quem achar isso - ver o precário e decadente estádio em que joga o Cruzeiro, o campeão.

8. Aposenta, Rogério Ceni / Fica, Rogério Ceni
Aí você pode escolher a sua conclusão precipitada de sua preferência: embora contraditória, as duas pipocaram por aí nos últimos meses. Rogério foi um dos responsáveis, sim, pela má fase do tricolor, que sugeria um rebaixamento - tanto (não) defendendo quanto falhando nas cobranças de pênaltis e faltas. Mas aí o São Paulo ressurgiu e Rogério voltou a jogar bem. E, embora não sendo no Brasileirão, a partida dele contra a Universidad Católica será daquelas lembradas por muitos anos - e virou um argumento para quem defende o veterano. Uma opinião definitiva e "imexível" sobre Rogério é, agora, algo bem precipitado.

9. "Brasília é uma festa", ou "Encontrada a solução para os elefantes brancos"
A abertura do Brasileirão registrou mais de 60 mil torcedores - inclusive este que vos escreve - para prestigiar o primeiro jogo grande do estádio Mané Garrincha, em Brasília, entre Santos e Flamengo. Casa cheia, ausência de problemas sérios de violência, empolgação com o estádio e tentativa de reversão da pecha de "elefante branco" motivaram o Flamengo e outros times a mandarem jogos no estádio. Parecia que ali estava a solução para as caras arenas erguidas em cidades sem muita tradição futebolística. Mas a conclusão precipitada foi se desmontando ao longo do próprio Brasileiro - o público em Brasília decaiu a cada rodada, principalmente por causa da perda do "efeito novidade". Vamos ver como a coisa fica no ano que vem, principalmente no pós-Copa.

10. Ronaldinho Gaúcho faz mal ao Atlético-MG; Fernandinho é o cara
O Galo ganhou a Libertadores e, em seguida - como é quase uma regra entre os times brasileiros - entrou em má fase. Foi eliminado da Copa do Brasil e deixou de vencer no Brasileirão, chegando até a se aproximar da zona do rebaixamento. Ronaldinho não vinha bem. Aí ele se contundiu. O Atlético trouxe Fernandinho, ex-São Paulo, para sua linha de frente e o time melhorou - hoje "briga pela Libertadores", no sentido metafórico do termo.

Apesar de os fatos sugerirem isso, é preciso ter calma para definir Ronaldinho como a chaga do Galo - e ainda mais cautela na hora de considerar Fernandinho um craque. Ninguém alcança o status de Ronaldinho à toa. E o time inteiro jogou mal no pós-Libertadores, não só ele. Quanto a Fernandinho, não há são-paulino que não tenha comemorado quando ele deixou o Morumbi tempos atrás. Deu certo no Galo, é fato, mas que ninguém diga que era uma tacada certeira.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Triste rotina

Tal qual aconteceu contra o Flamengo, mais uma vez o Santos esteve à frente de um jogão pelo Campeonato Brasileiro. Um pouco menos espetacular, é claro, mas até porque o nível daquela partida não é fácil de se repetir - mas houve emoção para quem quisesse, com empate aos 44 do segundo tempo e desempate aos 50. E, tal qual no duelo contra o Fla, agora novamente o Santos sucumbiu diante do adversário: o Fluminense, em partida disputada em Volta Redonda.

O 3x2 acabou sendo justo pelo que as duas equipes apresentaram. Neymar esteve ótimo mais uma vez, mas encontrou um Borges apagado e um Alan Kardec perdido - o "espírita", aliás, jogou mal como ponta, a posição que o havia consagrado no duelo contra o Corinthians. Elano foi mais uma vez ridículo e Arouca comprovou ser um dos (ou "o"?) melhores volantes do Brasil.

O Santos havia perdido na rodada anterior para o Figueirense e agora sucumbiu diante do Flu (que, aliás, é candidato ao título). As duas derrotas retiram de vez o time de Muricy da disputa pelo troféu do Brasileirão. Como torcedor, é chato ver que pelo quarto ano seguido o Santos fará um Brasileiro chocho - e se em 2008 e 2009 tivemos elencos péssimos, em 2010 e 2011 dispomos daquele que é pra muitos o melhor time do Brasil, o que amplia a frustração.

Já que o resto do Brasileirão tende a ser uma chatice, o que dá certo alento é ver que os testes para a formação ideal para o Mundial seguem sendo feitos. O Santos fez duas contratações para o meio-campo - Henrique e Ibson - que, somados aos outros jogadores da linha ofensiva da meiuca, Ganso e Elano, dariam ao Peixe um setor inquestionável. Acontece que todos esses quatro não têm feito coisas boas nos últimos tempos. Ganso apanha do próprio físico (e da cabeça também...), Elano é pífio desde o segundo trimestre de 2011 e Henrique e Ibson, até agora, não mostraram a que vieram. Muricy tem mantido Henrique no time em detrimento de Adriano, o sempre eficaz Adriano, acreditando no nome do ex-cruzeirense e no seu status de atleta de seleção. Um amigo definiu Henrique como "o Possebom mineiro", o que pode ser precipitado, mas indica o quanto os santistas não estão muito contentes com o que ele vem demonstrando até agora.

Quarta-feira o Santos enfrenta o Grêmio, repondo um dos seus dois jogos adiados. Vamos ver.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Que venha a implosão

O Bruno Voloch, blogueiro do UOL, noticiou hoje que Botafogo e Vasco solicitarão o adiamento de jogos do Campeonato Brasileiro, em virtude de convocação de seus atletas para a seleção brasileira - respectivamente, o goleiro Jefferson e o zagueiro Dedé. Os clubes pedem que partidas inicialmente marcadas para o dia 12 sejam transferidas para o dia 13, o que possibilitaria a escalação da dupla (a seleção joga no dia 11).

Os sucessivos pedidos de adiamento de jogos que o Santos realizou durante esse Brasileiro foram ironizados por muita gente. O Santos pediu o adiamento de jogos enquanto disputava a Libertadores e, mais recentemente, por conta da convocação simultânea de três atletas. Foi o necessário para que muitas piadas começassem a correr por aí, e o Peixe foi tratado como uma espécie de "clube mimado" que faz beicinho e se recusa a encarar algo que, supostamente, prejudica de maneira igual a todas as equipes.

Não por ser o time pelo qual torço e muito menos por me incomodar com as piadas, mas a reação dos outros torcedores aos pedidos santistas foi algo que me desagradou consideravlemente. Ao invés de ironizar o Santos, os torcedores deveriam bater o pé e exigir que seus clubes também desafiem a CBF. Não é lógico, moral, aceitável, razoável ou que quer que seja que um time do Campeonato Brasileiro seja privado de alguns jogadores (ainda que seja um só!) para uma seleção disputar um insosso amistoso em terras estrangeiras. A CBF desvaloriza seu próprio campeonato e acaba jogando a torcida contra a seleção com essas atitudes.

Então, parabéns Botafogo e Vasco pela iniciativa! Que mais clubes se levantem, que a rebelião cresça, que isso leve a uma maior organização do Brasileiro!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vai dar raiva

Atenção para uma série de suposições:

- se o Vasco perder para o Atlético-GO hoje, a pontuação do líder do Brasileiro (que será o São Paulo) se estacionará em 45 pontos.

- com isso, a distância entre o Santos e a ponta da tabela será de dez pontos.

- o Santos ainda tem dois jogos a fazer (Botafogo e Grêmio), e, se triunfar nos dois, reduz o intervalo a míseros quatro pontos.

- Vasco, Botafogo, São Paulo, Fluminense e Flamengo (todos os times que lideram o certame, com exceção do Corinthians) ainda serão adversários do Peixe no restante do Brasileirão - o que faz com que a dependência de "tropeços" não seja tão grande assim.

Tudo isso, somado ao excelente momento do Santos (quatro vitórias seguidas e oito jogos consecutivos de invencibilidade) só deixam clara uma coisa: vai dar raiva, caso o campeonato acabe e o Santos não seja o campeão, quando lembrarmos do começo do campeonato e daqueles jogos com os quais ninguém estava se importando. Ali se foram pontinhos vitais para que as pretensões fossem ainda maiores.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Faltou alguém lá

Conforme prometido, adiarei meu sono em alguns minutos para tecer alguns comentários breves sobre o jogo. Acuado pela má fase enfrentada por seu time, Tite optou pela única saída que tinha em mãos: fechar-se na defesa e aguardar que o São Paulo cometesse algum erro capital - que até ocorreu, embora o ataque alvinegro não tenha tido competência suficiente para aproveitar.

De sua parte, o Tricolor teve bom domínio de bola, mas não soube converter essa aparente superioridade em chances reais de gol. Exceto por um ou outro lance, o São Paulo não chegou a ameaçar de fato a meta de Júlio César.

Há tempos venho criticando as carências da equipe do São Paulo. O jogo desta noite deixou evidente aquela que talvez seja a maior de todas elas: falta um homem de referência no ataque tricolor.

Definitivamente, Lucas e Dagoberto, apesar de serem talentosos e possuírem bom faro de gol, não servem para desempenhar essa função. Prova disso é que em todas as jogadas do time pela ponta - sobretudo pela esquerda, com Cícero e Juan - terminavam nos pés ou de Júlio César ou dos zagueiros corintianos.

Isto porque o São Paulo não tinha em campo um jogador que sabe se posicionar na área. Nos minuto finais de jogo, coube a Juan, o lateral-esquerdo (!), essa função.

Desse jeito é complica, não acham? Não sei se o Luís Fabiano de hoje possui a mesma qualidade de antigamente. Penso, porém, que alguém como ele em campo, nesta noite, poderia ter dado outra escrita ao jogo - que, por sinal, foi uma droga.

Valia mais a pena ter assistido o thriller B "Identidade", no canal pago. Ao menos eu descobriria como é o final dessa joça...

PS: O árbitro foi péssimo. Ignorou o pênalti escandaloso de Danilo em Casemiro e passou a mão na cabeça de Alex, o mais violento da noite. Pelo conjunto da obra, ele bem merecia ter sido expulso.


Um post antes do clássico...

Depois de quase um mês distante deste espaço, resolvi dar de novo o ar de minha graça. Questões pessoais andaram me impedindo de me sentar para ordenar mais de três parágrafos com ideias de minha autoria.

Hoje, porém, fiz questão de postar no blog, pois estamos em uma ocasião para lá de especial. Refiro-me, é claro, ao clássico de logo mais, em que o Tricolor tem a chance de devolver a sova sofrida diante do Corinthians, no primeiro turno do Brasilerão.

Aparentemente, agora as coisas conspiram a favor do São Paulo. Além de jogar em casa, diante de uma torcida empolgada, o time dá a impressão de haver encontrado um ritmo próprio de jogo. Ao menos foi o que transpareceu da goleada aplicada sobre o Ceará, no último domingo.

Em contrapartida, o Corinthians, adversário desta noite, vive um ambiente pesado, que tende a culminar em uma séria crise, de proporções parecidas à que assola o Flamengo, ex-candidato ao título nacional deste ano.

Não que eu seja de acreditar em tabus e estatísticas sobrenaturais, que não passam de meras coincidências. Em todo caso, é sempre bom para o estado de ânimo da torcida saber que seu time é especialista em derrubar técnicos do maior rival.

Desde Joseph Tiger, em 1944, até o presente momento, foram 15 treinadores corintianos demitidos após fracassos contra o São Paulo. Tite corre o risco de se tornar um reincidente. No Paulistão de 2005, ele foi rifado do cargo do alvinegro, depois de uma derrota de 1 a 0 para o Tricolor.

O curioso é que na ocasião, o lateral-direito Coelho fez o favor de perder um pênalti para o Corinthians. Coisas do destino...

Por falar em curiosidades, entre os técnicos corintianos demitidos pelo Tricolor há outro reincidente: o ex-volante Dino Sani, em 1970 e 1975. Sani atuou pelos dois clubes como jogador.

Mais tarde tem o pós-jogo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

"Até eu"? Não, não

O primeiro post (pra valer) do Escanteio Curto foi sobre o centroavante André, revelado pelo Santos e que hoje está no Atlético-MG. Debateu-se a volta de André ao futebol nacional, que deveria ser uma redenção ao atleta, queimado após fiasco em dois times da Europa. Na ocasião, ressaltei que a decadência de André foi prevista por muitos, já que, na visão destes, ele não tinha muitos méritos por jogar ao lado de Robinho, Neymar e Ganso, que o serviriam ótimas bolas.

Eis que o momento atual do Santos tem consagrado um centroavante. Borges, que veio do Grêmio e que ontem foi a peça-chave para que o Peixe buscasse um épico empate contra o Internacional, após estar perdendo por 3x0 até mais da metade do segundo tempo. Borges fez dois gols (um deles magistral) e participou do outro. É o artilheiro do Brasileirão até o presente momento.

Desde que a base do atual Santos foi montada, Borges é o quarto homem a vestir a camisa 9. O antecederam André, Keirrison e Zé Eduardo. Sobre André já falamos. Keirrison foi pífio, como todos sabem. E Zé Eduardo, embora tenha até mostrado qualidade em alguns jogos, deu raiva na torcida santista durante a Libertadores.

De modo que Borges e seu momento atual mostram que o "assim até eu", tão apregoado para desprezar os méritos de André, não é procedente. Borges tem sido decisivo, letal, fundamental para que o Santos mostre algumas fagulhas de bom futebol no campeonato. E não apenas como "homem que empurra pra dentro". Desempenha com qualidade uma importante função tática e acaba liberando mais espaço para Neymar - o sobrecarregamento do menino durante a Libertadores foi assustador.

O Santos segue mal na tabela e, olhando na frieza dos números, escapar do rebaixamento é uma meta mais tangível do que qualquer outra. Mas não dá para negar que há uma certa aura de "boa fase" na Vila - são quatro jogos de invencibilidade.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sonhar não custa nada

Ao vencer o Bahia ontem, o Santos foi aos 18 pontos no Brasileirão. São 19 os pontos de distância para o líder Corinthians. O Peixe tem dois jogos a menos do que a maioria dos times do certame - repõe um deles na quarta, quando pega o Fluminense, e o outro em 5 de outubro, contra o Grêmio. Se ganhar os dois, diminui a diferença para 13 pontos (com os números atuais, que evidentemente não serão mais os mesmos em 05/10). Ainda dá!

Não, não dá. A lógica de um campeonato de pontos corridos é fria e imutável: não se recupera uma distância com uma sequência de dois ou três jogos de qualidade. Por mais que o Santos evolua, vai ser bem difícil reparar os erros cometidos durante a competição. E num torneio em que o Santos nada almeja que não o título, as emoções acabam se esvaindo.

Ontem, em Salvador, o time mostrou algumas alternativas interessantes. Adriano ocupou a lateral-direita no lugar do suspenso Pará. "Mas o Adriano é volante", pensará um perspicaz leitor. Exatamente. Ao escalar um camisa 5 de ofício para a posição, Muricy efetivou uma "linha de três" no setor defensivo (Léo continuou atuando como sempre) e mandou Elano para a ponta. Embora o ex-namorado de Nívea Stellman tenha jogado mal como de costume, ficou no ar a possibilidade de termos uma boa variação tática a ser adotada. Talvez com Ibson, quando ele voltar de contusão.

Ganso não foi brilhante, mas não se pode dizer que jogou mal. Já Neymar fez gol e até mostrou qualidade, mas também é injusto dizer que arrebentou - até porque perdeu um gol quando o Santos vencia por 1x0 que é daqueles que dão margem para os que acham que o garoto é "só firula e pouco futebol".

O gol espírita de Alan Kardec (argh!) selou a vitória santista, e acabou justificando a entrada do centroavante em campo. Ele substituiu Borges, que vinha fazendo um bom jogo. Muricy seguiu sua linha de não mexer muito no time - a outra alteração foi a de Rafael por Vladmir, curiosamente numa partida em que o arqueiro vinha desenvolvendo uma atuação extraordinária, digna de excluir da memória as más partidas anteriores.

Que venha agora o Fluminense na quarta-feira, acompanhado de mais três pontos para a classificação santista. Para que possamos continuar sonhando.




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Esperando um raio tricolor de seis anos atrás

O Campeonato Brasileiro de 2005 rebaixou Coritiba, Atlético-MG, Paysandu e Brasiliense. Paranaenses e mineiros voltaram rapidamente à elite; já os paraenses e candangos jamais sentiram o gostinho da Série A novamente, e hoje militam na ingrata Série C.

Mas na primeira metade daquele torneio, outra equipe ocupava a famigerada zona do rebaixamento: o São Paulo, que poucos meses antes havia conquistado a América com um implacável título da Libertadores.

Na ocasião, o mau desempenho tricolor era visto com certa naturalidade, e atribuído à euforia do título continental. O São Paulo havia colocado jogadores reservas em muitas partidas do torneio e torcida e diretoria não escondiam que o Brasileiro acabara por se tornar algo irremediavelmente desinteressante. No decorrer do campeonato, o São Paulo voltou aos trilhos e fez uma campanha que ainda o colocou no 11º lugar, à frente de times como Vasco e Flamengo, que haviam começado o campeonato com aspirações maiores.

Pois bem: seis anos depois, o Santos parece repetir a trajetória tricolor. Após a derrota para o Coritiba por 3x2, numa Vila Belmiro vazia e melancólica, o Peixe entrou na zona do rebaixamento e é possível que passe a virada de turno entre os quatro piores do torneio.



A diferença é que - e os são-paulinos me corrijam se eu estiver errado - enquanto no caso do São Paulo a "crise" era vista como reflexo de um desinteresse pelo campeonato, o Santos tem perdido porque... tem jogado mal. Se há desprezo pelo Brasileirão, ele é indireto, escondido, e ocorre apenas no tal submundo dos bastidores.

Neymar, mais uma vez, jogou muita bola. Teve ao seu lado um Borges esforçado que foi às redes duas vezes e só não chegou ao hat-trick por méritos de Edson Bastos - é regra atribuir a perda de um pênalti única e exclusivamente ao batedor, mas no caso da partida de quarta acho mais justo enaltecer o arqueiro do que detonar o Humberlito. Mas o meio-campo santista foi pífio. Ganso foi mal, mais uma vez. E os três volantes que ao lado dele atuaram também não ajudaram muito. Arouca não é armador e, colocado nessa função, acaba sendo queimado. Henrique não funcionou, como não tem funcionado.

Tropeços também ocorreram numa defesa que não soube se portar e por parte do goleiro Rafael - que vem falhando seguidamente e que se tornou uma preocupação que o santista não tinha até algumas rodadas atrás.

O São Paulo acabou como campeão mundial de 2005, e falar que o time passou por alguma "crise" naquela temporada de três títulos (teve também o Paulistão) hoje em dia parece piada. Pode ser que aconteça a mesma coisa com o Santos. Mas não está muito fácil acreditar.

domingo, 14 de agosto de 2011

Descendo a ladeira

O Santos entrou em campo ontem pelo Brasileirão e, como vem sendo rotina no torneio, levou ferro. O carrasco da vez foi o Atlético-GO - e apesar do jogo ser em Goiânia, não se atenua muito o vexame da derrota, visto que se trata de um dos clubes mais fracos do campeonato.

A partida teve dois tempos bem distintos. No primeiro, ambos os times jogaram um futebol péssimo e o 0x0 foi mais do que merecido. Mas mal sabia o torcedor santista que aquela seria a melhor das duas metades da partida. O segundo tempo viu um Santos igualmente sonolento e um Atlético que resolveu jogar. Aliás, o time goiano cresceu no jogo justamente após fazer o primeiro gol - também não estava encantando ninguém, mas ganhou confiança e depois acabou fazendo o segundo com todas as justiças.

O Santos foi refém de um esquema tático ineficaz. Seus laterais pouco produziram (como vem sendo rotina, infelizmente) e o meio-campo de três volantes - Arouca, Adriano e Henrique - não foi nem combativo nem criativo. Borges mal pegou na bola.

Neymar e Ganso
As duas estrelas do time merecem uma avaliação à parte.

O Neymar ontem fez uma atuação daquelas que dá corda para seus críticos. Lembrou os fracos momentos dele no segundo semestre do ano passado, quando o Santos já não mais alimentava esperanças de título brasileiro. Até tentou, foi pra cima, meteu uma bola na trave e em outro lance só não fez gol porque o zagueiro foi esperto e retirou a bola em cima da linha; mas o que mais marcou em sua apresentação foram as inúmeras tentativas ineficazes de dribles - que consagraram os volantes do Atlético-GO - e uma simulação que lhe rendeu um merecidíssimo cartão amarelo. Neymar é muito mais do que foi ontem, por isso não chega a representar uma preocupação efetiva. Mas foi chato.

Já o Ganso... bem, sabem quando um jogador não erra nenhum lance em campo, mas não por méritos seus, e sim por se esquivar da partida? Isso que ocorreu com o camisa 10 peixeiro ontem. Ganso mal pegou na bola. Se posicionou mal, não criou jogadas, não se apresentou. Talvez tenha sido vítima também do esquema de três volantes - Arouca, embora seja um monstro na marcação, não é um companheiro ideal para o setor ofensivo do meio-campo. Mas craque como ele é (ou parecia ser), deveria superar isso e conduzir o time.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Em busca de um DNA reverso

No início do ano, quando o Santos ainda não tinha ajeitado o time que acabaria sendo campeão da Libertadores, uma discussão em voga na Vila Belmiro dizia respeito a um suposto "DNA ofensivo" do clube. O Santos é o time que mais marcou gols na história do futebol mundial e é a casa na qual Pelé se consagrou ao mundo, e tudo isto, além de outras passagens, fariam com que o Peixe tivesse sempre a obrigação de atacar, atacar, atacar.

Foi nítido o contraste entre o tal "DNA ofensivo" e os métodos de trabalho de Adílson Batista e, posteriormente, Muricy Ramalho. Adílson saiu da equipe sem deixar saudades e Muricy foi campeão da Libertadores - embora não se possa dizer, de modo algum, que o time que conquistou a América tenha na ofensividade seu traço mais marcante. É só analisar os números: na fase de mata-mata do torneio continental, o Santos superou todos os oponentes na base do vitória-empate, incluindo dois 0x0 nessa trajetória, contra América-MEX (jogo de volta das quartas-de-final) e Peñarol (ida da final).

O fato é que o Santos 2011 não ostentou o tal "DNA ofensivo" exigido por diretoria e parte da torcida - diferentemente da equipe do ano passado, com seus marcantes 10x0, 9x1 e 8x1. Acontece que, como o time estava vencendo, isso não parecia uma preocupação das maiores.

Pois bem: virou o semestre, o Brasileirão começou a engrenar, acabou a Copa América e o Santos vive agora uma sequência de três derrotas consecutivas. Primeiro o "jogão" contra o Flamengo, depois a falha ao aplicar o feitiço contra o feiticeiro sobre o Atlético-PR, e, ontem, um inapelável 2x0 a favor do Vasco, na - de longe - pior e menos encantadora atuação do time na série.

Colocar a culpa pela derrota em Ganso e Elano, que mais uma vez foram bem mal, é um caminho que, embora seja corretíssimo, é o mais curto e um tanto quanto impreciso. É evidente que se os dois jogassem o que sabemos que eles jogam a história poderia ser outra, mas o Santos tem apresentado outras deficiências que não se mostravam até pouco tempo atrás.

Rafael, goleiro até então inconteste e com jeitão de ídolo, falhou feio contra o Flamengo (no primeiro gol rubro-negro) e tropeçou também ontem, no segundo tento vascaíno. A dupla de zaga Durval e Dracena vinha bem, mas passou a falhar em sequência.

É talvez a ausência de Adriano - o menos badalado entre os titulares do título da Liberta - que explique o desequilíbrio pelo qual passa o time. Sem ele, o meio-campo formado por Arouca, Ibson, Elano e Ganso acaba caindo num limbo em que não consegue nem criar nem marcar. O resultado é que o Santos fica acuado.

É interessante ver que, no prazo de pouco mais de seis meses, a ambição dos santistas acabou por ir por uma trajetória oposta à de antes. Ao invés do "DNA ofensivo", o que se quer é um "DNA defensivo", algo que retome o equilíbrio do grupo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Complicado

O Santos foi até Curitiba e perdeu para Atlético-PR por 3x2. A partida foi a segunda derrota seguida da equipe e fez com que o Peixe terminasse a rodada na zona do rebaixamento. Sim, o Santos tem três jogos a menos que a maioria das equipes, mas nunca é legal ver a posição do time na tabela marcada com a cor vermelha. E, mais que isso, o grave é que o jogo evidencia algumas carências da equipe.

Porque o Santos que foi a campo ontem era o time completo. Ou melhor, havia uma ou outra ausência, como a de Danilo (na seleção sub-20) e Adriano (contundido, mas que nem é titular absoluto), mas o grosso do Santos campeão da Libertadores - ou seja, a trinca da Copa América Neymar-Ganso-Elano - estava lá.

Curioso é que a partida, que acabou com sofrimento, tinha tudo para ser um alento ao torcedor depois do "jogão" de quarta-feira. Parecia que o Santos descontaria no Furacão o que o Flamengo fez na Vila: os paranaenses abriram 2x0 logo no início da partida, o Santos buscou o empate, parecia que viraria o jogo, mas... foi o Atlético que saiu vencedor, com um gol de Marcinho (aquele, ex-Corinthians e Palmeiras) marcado nos acréscimos do segundo tempo.

Ainda há algumas coisas para acontecerem no Santos - o retorno de Danilo e Adriano, bem como a estreia de Henrique, recém-contratado do Cruzeiro. Mas o momento é chato, bem chato.

Pergunta
Ganso e Elano, que acontece com vocês?

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Jogão nos olhos dos outros...

Na comédia romântica "Nunca fui beijada", estrelada por Drew Barrymore, há um diálogo que ficou na minha cabeça. Em determinado momento do filme a personagem de Drew, Josie, conhece uma moça em seu colégio cujo nome é Aldys. Ela então diz: "Aldys, que nome bonito!". No que a colega retruca: "é um nome muito bonito quando não é o seu".

O Santos 4x5 Flamengo de ontem deixou essa sensação nos santistas. Foi um jogaço. Mesmo. Uma das melhores partidas de futebol no Brasil nos últimos 10, 15 anos. Atuação de gala do melhor jogador brasileiro na atualidade, Neymar, e também de um dos reis da década passada, Ronaldinho. Uma partida daquelas que todos falarão no futuro.

Mas... é difícil para um santista assimilar esse "mérito" todo da peleja, ao menos por enquanto. O que se pensa, agora, é na incompetência de um time que faz 3x0 sobre o adversário com 26 minutos, jogando em seus domínios, e permite o empate. Ou que reverte a situação, constroi um 4x3, mas acaba ficando com a derrota.

Acaba ficando ofuscada a maravilhosa atuação de Neymar, apagada pelo desempenho apagado de Ganso, por uma péssima jornada de Léo e Pará, e por Elano. Notem que não usei adjetivo para me referir a Elano; ele, ontem, nada mais foi do que o que vem sendo desde fevereiro, quando se iniciou sua sequência de péssimas atuações com a camisa do Peixe. Ídolo é ídolo, mas não há crédito que seja eterno.

Raras vezes vi uma partida ser tão elogiada quanto a de ontem. É consenso que foi um jogaço. Mas aí o torcedor santista, tal qual a Aldys do filme de Drew Barrymore, pensa em seu íntimo: "foi um jogaço porque não foi com o seu time". E vamos em frente.

Lesões e punições
Em meio ao grande futebol apresentado por Santos x Flamengo ontem, um fato acabou passando batido. Ainda no primeiro tempo, Neymar cometeu uma falta corriqueira em Luiz Antonio. O jovem meio-campista do Flamengo caiu de mau jeito e sofreu uma luxação no ombro, tendo que ser substituído. É ausência certa do próximo jogo do Fla e talvez fique de fora em outras partidas.

Trago este assunto à tona pelo seguinte: volta e meia alguém aponta como solução para coibir a violência no futebol um sistema de punição que determinasse que o agressor deveria ficar afastado dos gramados a mesma quantidade de tempo que sua vítima. O incidente Taylor x Eduardo da Silva, quando o zagueiro inglês quase fez do croata-brasileiro um cadeirante, foi pródigo em motivar este tipo de opinião.

Vimos, ontem que as coisas não são tão lineares assim. Neymar fez uma falta das mais simples e Luiz Antonio caiu de mau jeito, daí a sua lesão. Imaginem se Neymar tivesse que ficar de fora enquanto não estivesse concluído o tempo de recuperação do flamenguista? Fica aí o exemplo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Argentina cria seu Brasileirão de 1993

A essa altura todo mundo já sabe, mas não custa nada reforçar: a AFA (a CBF da terra de Carlos Alberto Galván) decidiu impor uma virada de mesa no Campeonato Argentino, que vigorará a partir da temporada 2012/3. A medida prevê que a partir desta temporada em questão o campeonato local passará a ter 40 times, em oposição aos 20 atuais. O inchaço será feito com a promoção de praticamente todos os times que disputarão a próxima edição da Nacional B (a Série B local) - apenas quatro, que cairão para a terceirona, não subirão de nível.

A medida tem como objetivo óbvio e descarado salvar o River Plate. O time millionario foi rebaixado no mês passado após perder um playoff com o Belgrano que definia quem jogaria a elite. Vale ressaltar que o River "fez esforço" pra cair: a Argentina adota (ou adotava até essa virada de mesa) o sistema de promedio, no qual o rebaixamento é definido pela média de pontos obtidos pelos clubes nas últimas três temporadas. Ou seja, não basta um único campeonato ruim para ser rebaixado, mas sim uma sequência na draga.

Temerosa que o tradicionalíssimo clube ficasse por muito tempo no purgatório futebolístico, a AFA deu um jeito para que voltemos a ter o River na elite logo logo. Criou assim um monstrengo. A Argentina, que utilizou o sistema de pontos corridos antes do Brasil, terá a partir de 2012/3 um campeonato em que os clubes serão divididos em cinco grupos com oito equipes cada. Parte passará para a próxima fase, a partir da qual se iniciará um mata-mata até a determinação do campeão.

No Brasil, o clube que ficou tachado por ter sido beneficiado com viradas de mesa foi o Fluminense. Mas a medida argentina relembra, na verdade, algo que não teve como destinatário o tricolor carioca, e sim o gaúcho.

Em 1992, o Grêmio jogava a segunda divisão nacional. O clube fez péssima campanha no Brasileirão de 1991 - apenas três vitórias em 19 jogos -, ficou em penúltimo lugar e amargou o descenso. Que realmente ocorreu; não houve virada de mesa. O Grêmio jogou, pra valer, a Série B de 1992, tendo como adversários clubes do naipe de Picos-PI, Confiança-SE e Itaperuna-RJ.

Pois bem: apesar de todo este quadro, a campanha do gigante gaúcho era péssima. O time chegou a se classificar para a segunda fase do torneio, mas sua trajetória não empolgava ninguém. Havia um real risco de se ter o Grêmio jogando a segundona por dois anos seguidos.

O que decidiu a CBF, então? Que a segunda divisão de 1992 passaria a ser o campeonato mais camarada do mundo! De seus 32 clubes, 12 subiriam para a elite brasileira no ano seguinte. O detalhe é que isso foi atestado depois do campeonato em curso, ou seja, times foram promovidos sem sequer perceberem que estavam alcançando tal feito.

Assim, o Grêmio conseguiu subir de divisão. Com ele, potências como União São João e Desportiva-ES também chegaram à elite.

E a pataquada foi coroada quando da decisão do formato do Brasileirão de 1993. Sem respeitar qualquer critério técnico, a CBF decidiu que o Nacional daquele ano teria quatro chaves - duas para a elite, nas quais não havia rebaixamento, e duas para o restante. O Grêmio ficou no grupo superior.

É isso que lembramos quando vemos o que a Argentina acabou de decidir. Tempos que, se tinham jogadores brilhantes em campo e festas na arquibancada incomparáveis às atuais, no que se refere ao extracampo estão longe de merecerem qualquer espécie de saudosismo. O Brasil evoluiu, e a Argentina, infelizmente, foi na mão oposta.

E para fechar o post, ilustro o texto com o vídeo de Vitória x Paraná, duelo entre os times da "não-elite" do Brasileiro de 1993 que colocou o time baiano nas semifinais do torneio maior: