Nasci em 1980. Comecei a acompanhar futebol na virada dos anos 80 para os 90. Mas posso dizer que a minha vida "efetiva" de torcedor do Santos se iniciou em 1991. É a partir daquela temporada que lembro com clareza de acompanhar os campeonatos, monitorar as tabelas, saber o desempenho dos adversários, e por aí vai.
E, claro, conhecer o elenco do time e ter na ponta da língua a escalação. O onze daquela temporada vem na mente como um mantra, como um hino: Sérgio; Índio, Pedro Paulo, Luiz Carlos e Flavinho; Bernardo, Axel e Sérgio Manoel; Almir, Paulinho e Cilinho.
De lá até os dias atuais foram tantas outras formações que vão se acumulando - e eventualmente se perdendo, infelizmente - na memória. O time ali formadinho, do goleiro ao atacante final (ponta esquerda nos anos 90, segundo atacante nos 2000, ponta de novo nos últimos anos), com uma exceção ou outra, era conhecido por mim ou por qualquer outro torcedor mais disposto.
Pois bem: chegamos a 2019, ao Santos de Sampaoli, atual líder do Brasileirão.
E eu não sei a escalação do meu time.
Já virou um ritual. Minutos antes da partida, as redes sociais do Santos soltam - eventualmente com alguma gracinha - a formação do dia. Abre-se a partir daí o debate nas redes, no Whatsapp e em qualquer outro espaço: "rapaz, o Aguilar foi pro banco!", "mas o Derlis vai jogar dessa vez?", "vixe, o Cueva nem relacionado foi", "pô,vamos de três zagueiros", e por aí vai.
Não preciso dizer que está dando certo. O Santos é líder do campeonato e mesmo antes de alcançar o topo já estava com um futebol que encantava muita gente. É tudo, menos um time modorrento - as goleadas sofridas conta Ituano, Botafogo de Ribeirão e Palmeiras provam isso.
Curioso ver que o momento desafia algo que costuma ser uma regra no futebol, a busca pelo tal entrosamento. Quando uma equipe está em má fase, é comum que a imprensa resgate as escalações e diga: "o técnico não conseguiu repetir o time duas vezes seguidas em nenhum dos últimos 10 jogos" - e aí pode ser tanto resultado de uma "invencionice" quanto culpa de lesões, suspensões ou vendas, que transformam o treinador da vez de vilão em vítima.
Cabe ressaltar um aspecto importantíssimo para compreender o momento atual do Santos: o apoio da torcida. Sampaoli não estaria fazendo o que faz se não tivesse respaldo. Daí o debate vai para as motivações deste respaldo.
É uma mistura de coisas:
- o efeito novidade: Sampaoli, pro bem ou pro mal, goste-se dele ou não, é uma inovação em nosso futebol. Antes dele o Santos quase fechou com Abel Braga e em 2018 tinha Cuca. Ou seja, ficou na mesmice. Sampaoli veio sacudir tudo. Para um time que não dispõe de fortunas e cuja torcida sabe que os títulos só poderiam vir com algo diferenciado, a proposta se encaixou.
- o espírito do Santos: eu não sou o maior fã disso, quem me conhece sabe, mas o Santos tem sim o tal "DNA ofensivo". A torcida gosta, é fato. Então um técnico que se propõe a jogar pra cima, a buscar o jogo, vai ter mesmo mais suporte que os outros. Nota: muitos técnicos na história recente do Santos, como Jair Ventura, foram criticados por serem "retranqueiros". Crítica injusta. Eles não eram retranqueiros, e sim incompetentes; retranqueiro é quem planeja o time para ficar na defensiva. No caso do Santos de Jair e outros ruins, não havia planejamento tático algum.
E fecho dizendo que, além da escalação, eu não sei quem é o craque do time hoje. Sanchez seria o nome mais natural. Soteldo - a quem critquei bastante no começo - também desponta como um possível indicado a tal, se manter o futebol dos últimos jogos. Mas, honestamente, isso é menos importante.
Nunca ter um time indefinido foi tão bom.
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
terça-feira, 7 de maio de 2019
Um jogo da terceira divisão do Espanholão
Outra experiência que tive na minha viagem de férias à Espanha foi assistir um jogo da terceira divisão local. A partida foi entre a Cultural Leonesa, o time da cidade de León, e o Salamanca.
A Culural Leonesa é um time bem pequeno, até proporcionalmente inferior à relevância da cidade em que está sediado. Eu confesso que nunca tinha ouvido falar da equipe até viajar à cidade. Pesquisando posteriormente, vi que jogou a primeira divisão da Espanha em uma única ocasião, na temporada 1955/56, e que enfrentou recentemente o Barcelona pela Copa do Rei.
Já o Salamanca, embora tenha um nome mais familiar para nós brasileiros, não é exatamente o mesmo time que esteve na elite espanhola até tempos recentes. Trata-se de um clube novo, que herdou a história do antigo após a falência em 2013.
A experiência de ver um jogo na terceira divisão na Espanha foi marcada por elementos contraditórios, curiosos mesmo, que dificultam o estabelecimento de um pensamento único, um "a tereira divisão espanhola é assim".
Comecemos pelos aspectos mais modernos, mais avançados. O estádio da Cultural Leonesa, o Reino de León, é de qualidade média, digamos assim. A capacidade é de 13 mil torcedores. No contexto espanhol, certamente está entre os piores, o mais fraco de todos os que visitei na viagem. Mas no Brasil, ganha da maioria dos campos (exceção feita, claro, às arenas modernas). Boa acessibilidade, visão do gramado adequada, cadeiras em todos os setores, circulação boa. A camisa da Cultural é belíssima - e o preço, 60 euros, indica que não se trata de um produto "de terceira divisão". Outro aspecto positivo do jogo foi o clima integralmente pacífico. Embora houvesse uma separação formal entre as torcidas, o ambiente estava tão sossegado que nem revista houve na entrada ao estádio.
Já a parte "raiz" vem de vários elementos. A começar pelo placar: tal qual os campos do interior do Brasil, lá as equipes são especificadas como Cultural Leonesa e o épico VISITANTE. Só não dá para dizer que é 100% analógico porque há visor digital no número de gols e também no tempo. A corneta foi também bem tradicional: a torcida da Cultural só abriu a boca para vaiar o time, mesmo com a equipe tendo buscado um empate aos 48 do segundo tempo! Assim que o juiz decretou o fim do jogo, a torcida irrompeu num grito de "FUERA! FUERA!" que preencheu todo o estádio.
Outro componente tradicional foi o comportamento da torcida do Salamanca. Em contraste com a nulidade mostrada pelos adeptos da Cultural, os salmantinos tiveram aquele perfil típico das torcidas visitantes, espremidos num canto e incentivando a equipe o tempo todo. De respeitar.
Falando de futebol, o jogo, como previsto, foi fraco. O Salamanca fez 1x0 em um gol de pênalti e o empate da Cultural veio, como já dito, aos 48 do segundo tempo, num gol de cabeça. As equipes optaram pelo 4-2-3-1 - o esquema da ampla maioria dos times de hoje em dia - mas não encantaram com jogadas ensaiadas, velocidade, individualidade, nada disso. A terceira divisão espanhola está na reta final e Cultural Leonesa e Salamanca não estão na zona do acesso. Ficarão na Série C mais um ano.
Quem gosta de futebol sabe que ver uma partida no estádio é sempre uma experiência bacana. Quando se soma o contexto da partida com o conhecimento de uma nova realidade (e o ambiente de viagem!), fica tudo melhor ainda.
Marcadores:
cultural leonesa,
espanha,
salamanca,
terceira divisão
sábado, 4 de maio de 2019
Futebol nas Astúrias
Passei minhas férias de 2019 na Espanha. Fiquei baseado na cidade de León e fui fazendo passeios a outros lugares. Dois deles foram às principais cidades das Astúrias (um "estado" da Espanha), Oviedo e Gijón. Meu roteiro contemplou o básico do turismo nos dois locais e, claro, aproveitei pra incluir futebol na parada. Visitei os estádios dos arquirrivais Real Oviedo e Sporting Gijón, e tive duas experiências bem bacanas.
O primeiro passeio foi em Oviedo, onde conheci o estádio Carlos Tartiere. Sim, a gente sabe que a Espanha é um país rico e que é natural que os estádios sejam melhores do que os brasileiros, mas ainda assim não deixa de ser um pouco chocante ver que um time pequeno (o Real Oviedo fica oscilando entre a primeira e a segunda da Espanha, ultimamente mais no andar de baixo do que no de cima), de uma cidade de menos de 230 mil habitantes consiga ter uma arena bacana, para 30 mil torcedores, e que costuma ter ocupação superior a 50%.
(quando comentei que meu time, o Santos, costuma jogar para 5 ou 6 mil pessoas, as pessoas ficaram em estado de choque...)
Além de o estádio em si ser muito legal, a visita foi muito rica. Inclui a circulação pelas estruturas do campo e também uma passagem pelo museu do clube. No dia da minha visita, fui guiado pelo Miguel, assessor de imprensa do clube. E não teria como ser melhor! Além de ser um cara muito simpático e educado, o Miguel é, indiscutivelmente, um apaixonado pelo Real Oviedo. Fala do clube com uma convicção empolgante, complementa as histórias eom detalhes interessantíssimos, consegue colocar o visitante em contato com a alma do clube.
Entre as diversas histórias relatadas, a mais saborosa, sem dúvida, é a relacionada com a foto que vai aqui ao lado. Na temporada de 1931, o Sporting Gijón fazia boa campanha na Segunda Divisão e estava com tudo encaminhado para o acesso. Seria o primeiro time das Astúrias a chegar na elite espanhola. Só precisava ganhar mais um jogo para realizar o sonho. E esse jogo seria justamente em casa, contra o Real Oviedo. Na ocasião, o Oviedo já não tinha mais pretensões no campeonato; não tinha risco de cair e nem chances de subir. Com o adversário apenas cumprindo tabela, as coisas ficaram fáceis para o Sporting, certo? Que nada! O Oviedo se superou e fez 3x1. Com isso, o Gijón não apenas deixou de subir, como ficou mais um tempão na Série B. E a façanha de ser o primeiro time das Astúrias na elite ficaria com o próprio Oviedo, anos depois. Achei um exemplo espetacular daquele espírito de sacanagem que só o futebol pode proporcionar.
O orgulho com a história é tão grande que o jogo acabou por receber destaque no museu do Real Oviedo!
Um personagem que recebe muito destaque no museu é Isidro Langara (de quem, vergonhosamente, eu nunca tinha ouvido falar). Ele é o maior craque da história do clube e tem também histórico na seleção espanhola - jogou a Copa de 1934 e foi autor de um dos gols da vitória de seu time sobre o Brasil.
Já em Gijón, a visita foi também muito interessante. A começar pelo estádio em si. O El Molinón tem algo que eu nunca vi em estádio nenhum, nem no Brasil e nem na Europa - a parte inferior é ocupada quase que integralmente por estabelecimentos comerciais, como restaurantes, escritórios de diferentes atividades, academia de ginástica e até mesmo um supermercado! Vejam na foto ao lado. Quando fui, na hora do almoço de uma sexta-feira, os bares e restaurantes estavam bem ocupados, por pessoas que estavam ali para tomar uma cerveja ou fazer a refeição.
O estádio em si é de primeira linha; se fosse instalado aqui no Brasil, certamente seria mencionado entre os melhores do país. A capacidade é para 30 mil torcedores e a visibilidade que se tem de qualquer ponto é perfeita. Os ingressos não figuram entre os mais caros, com bilhetes na casa dos 25 euros, e a ocupação costuma também ser bem elevada.
Assim como em Oviedo, faz-se ainda um passeio pelo museu do clube. O El Molinón é considerado o estádio mais antigo da Espanha e sediou jogos da Copa de 1982. Passou por reformulações ao longo dos anos e, como já dito, é hoje um campo de primeiro mundo.
Tanto em Oviedo quanto em Gijón algo a ser destacado é a paixão pelo futebol que as cidades exalam. Não fiquei muito tempo em nenhuma delas, mas ainda no breve período que passei notei muitas camisas, bandeiras, referências diversas em diversos pontos. É uma atmosfera bem bacana e chamativa até porque, como já dito, nem Sporting e nem Real Oviedo figuram entre os times grandes, e não detêm muitas façanhas dentro de campo para ostentar. Mas conseguiram construir um patrimônio material bem decente e um histórico que ajuda a engrandecer o futebol.
Informações práticas
A visita ao estádio do Real Oviedo custou 5 euros, e a do Sporting Gijon ficou por 7. Eu agendei as duas antecipadamente, por email (visitas@realoviedo.es, elmolinontour@realsporting.com). Os tours acontecem em horário comercial e são influenciados pela realização de jogos e outros eventos. Tanto o Carlos Tartiere quanto o El Molinón ficam distantes das regiões centrais de suas cidades - ou seja, para quem estiver fazendo turismo e quiser combinar o passeio com outros pontos, o táxi será necessário.
O primeiro passeio foi em Oviedo, onde conheci o estádio Carlos Tartiere. Sim, a gente sabe que a Espanha é um país rico e que é natural que os estádios sejam melhores do que os brasileiros, mas ainda assim não deixa de ser um pouco chocante ver que um time pequeno (o Real Oviedo fica oscilando entre a primeira e a segunda da Espanha, ultimamente mais no andar de baixo do que no de cima), de uma cidade de menos de 230 mil habitantes consiga ter uma arena bacana, para 30 mil torcedores, e que costuma ter ocupação superior a 50%.
(quando comentei que meu time, o Santos, costuma jogar para 5 ou 6 mil pessoas, as pessoas ficaram em estado de choque...)
Além de o estádio em si ser muito legal, a visita foi muito rica. Inclui a circulação pelas estruturas do campo e também uma passagem pelo museu do clube. No dia da minha visita, fui guiado pelo Miguel, assessor de imprensa do clube. E não teria como ser melhor! Além de ser um cara muito simpático e educado, o Miguel é, indiscutivelmente, um apaixonado pelo Real Oviedo. Fala do clube com uma convicção empolgante, complementa as histórias eom detalhes interessantíssimos, consegue colocar o visitante em contato com a alma do clube.
Entre as diversas histórias relatadas, a mais saborosa, sem dúvida, é a relacionada com a foto que vai aqui ao lado. Na temporada de 1931, o Sporting Gijón fazia boa campanha na Segunda Divisão e estava com tudo encaminhado para o acesso. Seria o primeiro time das Astúrias a chegar na elite espanhola. Só precisava ganhar mais um jogo para realizar o sonho. E esse jogo seria justamente em casa, contra o Real Oviedo. Na ocasião, o Oviedo já não tinha mais pretensões no campeonato; não tinha risco de cair e nem chances de subir. Com o adversário apenas cumprindo tabela, as coisas ficaram fáceis para o Sporting, certo? Que nada! O Oviedo se superou e fez 3x1. Com isso, o Gijón não apenas deixou de subir, como ficou mais um tempão na Série B. E a façanha de ser o primeiro time das Astúrias na elite ficaria com o próprio Oviedo, anos depois. Achei um exemplo espetacular daquele espírito de sacanagem que só o futebol pode proporcionar.
O orgulho com a história é tão grande que o jogo acabou por receber destaque no museu do Real Oviedo!
Um personagem que recebe muito destaque no museu é Isidro Langara (de quem, vergonhosamente, eu nunca tinha ouvido falar). Ele é o maior craque da história do clube e tem também histórico na seleção espanhola - jogou a Copa de 1934 e foi autor de um dos gols da vitória de seu time sobre o Brasil.
Já em Gijón, a visita foi também muito interessante. A começar pelo estádio em si. O El Molinón tem algo que eu nunca vi em estádio nenhum, nem no Brasil e nem na Europa - a parte inferior é ocupada quase que integralmente por estabelecimentos comerciais, como restaurantes, escritórios de diferentes atividades, academia de ginástica e até mesmo um supermercado! Vejam na foto ao lado. Quando fui, na hora do almoço de uma sexta-feira, os bares e restaurantes estavam bem ocupados, por pessoas que estavam ali para tomar uma cerveja ou fazer a refeição.
O estádio em si é de primeira linha; se fosse instalado aqui no Brasil, certamente seria mencionado entre os melhores do país. A capacidade é para 30 mil torcedores e a visibilidade que se tem de qualquer ponto é perfeita. Os ingressos não figuram entre os mais caros, com bilhetes na casa dos 25 euros, e a ocupação costuma também ser bem elevada.
Assim como em Oviedo, faz-se ainda um passeio pelo museu do clube. O El Molinón é considerado o estádio mais antigo da Espanha e sediou jogos da Copa de 1982. Passou por reformulações ao longo dos anos e, como já dito, é hoje um campo de primeiro mundo.
Tanto em Oviedo quanto em Gijón algo a ser destacado é a paixão pelo futebol que as cidades exalam. Não fiquei muito tempo em nenhuma delas, mas ainda no breve período que passei notei muitas camisas, bandeiras, referências diversas em diversos pontos. É uma atmosfera bem bacana e chamativa até porque, como já dito, nem Sporting e nem Real Oviedo figuram entre os times grandes, e não detêm muitas façanhas dentro de campo para ostentar. Mas conseguiram construir um patrimônio material bem decente e um histórico que ajuda a engrandecer o futebol.
Informações práticas
A visita ao estádio do Real Oviedo custou 5 euros, e a do Sporting Gijon ficou por 7. Eu agendei as duas antecipadamente, por email (visitas@realoviedo.es, elmolinontour@realsporting.com). Os tours acontecem em horário comercial e são influenciados pela realização de jogos e outros eventos. Tanto o Carlos Tartiere quanto o El Molinón ficam distantes das regiões centrais de suas cidades - ou seja, para quem estiver fazendo turismo e quiser combinar o passeio com outros pontos, o táxi será necessário.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
A culpa é minha, a culpa é sua
Dois fatos do futebol do fim de semana recém-encerrado: o tumulto que impediu a realização da final da Libertadores e a despedida de Renato, volante do Santos, dos gramados.
O primeiro evento, claro, reuniu muito mais holofotes do que o segundo. Por ser uma final continental da maior competição com a maior rivalidade do continente, pelo adiamento do primeiro jogo, pela boa qualidade do espetáculo quando a bola rolou. E, claro, para que se debata a selvageria promovida pela torcida do River Plate e suas consequências (até agora não sabidas).
Do segundo poucos ouviram falar, à exceção dos santistas. E o motivo disso é justamente o que quero abordar nesse post. Um total de 4.591 pagantes prestigiou a despedida daquele que seguramente é um dos maiores ídolos da história recente do clube, e seu terceiro maior volante.
Agora uno as duas ocorrências. Claro que o vexame em Buenos Aires é mais chamativo (justamente por ser mais grave), mas não creio ser pouco importante abordar o fracasso que foi o Santos FC, um dos maiores clubes do país, nona-décima maior torcida do país, não conseguir ter cinco mil pessoas para ver o adeus de Renato.
O que quero destacar é que nos dois casos é conveniente colocar a culpa em entidades sobrenaturais, como os "dirigentes", a "polícia", os "comandantes" do futebol, que não conseguem coordenar a segurança, tornar o espetáculo seguro e atrativo, enfim, fazer a roda do futebol girar com mais qualidade.
Porém, apesar de todo esse quadro ser verdadeiro, não dá pra tirar a culpa de gente como... eu e você. Pessoas normais. Fãs do futebol, em maior ou menor escala. Foi um de nós que jogou pedra no ônibus do Boca Juniors. Foi um de nós que ficou com preguiça de ir à Vila e prestigiar Renato. Os "uns de nós" têm dado, a cada dia, sua contribuição para as coisas ruins do futebol. Vamos esquecer de culpar apenas as entidades superioras, amorfas e anônimas.
O primeiro evento, claro, reuniu muito mais holofotes do que o segundo. Por ser uma final continental da maior competição com a maior rivalidade do continente, pelo adiamento do primeiro jogo, pela boa qualidade do espetáculo quando a bola rolou. E, claro, para que se debata a selvageria promovida pela torcida do River Plate e suas consequências (até agora não sabidas).
Do segundo poucos ouviram falar, à exceção dos santistas. E o motivo disso é justamente o que quero abordar nesse post. Um total de 4.591 pagantes prestigiou a despedida daquele que seguramente é um dos maiores ídolos da história recente do clube, e seu terceiro maior volante.
Agora uno as duas ocorrências. Claro que o vexame em Buenos Aires é mais chamativo (justamente por ser mais grave), mas não creio ser pouco importante abordar o fracasso que foi o Santos FC, um dos maiores clubes do país, nona-décima maior torcida do país, não conseguir ter cinco mil pessoas para ver o adeus de Renato.
O que quero destacar é que nos dois casos é conveniente colocar a culpa em entidades sobrenaturais, como os "dirigentes", a "polícia", os "comandantes" do futebol, que não conseguem coordenar a segurança, tornar o espetáculo seguro e atrativo, enfim, fazer a roda do futebol girar com mais qualidade.
Porém, apesar de todo esse quadro ser verdadeiro, não dá pra tirar a culpa de gente como... eu e você. Pessoas normais. Fãs do futebol, em maior ou menor escala. Foi um de nós que jogou pedra no ônibus do Boca Juniors. Foi um de nós que ficou com preguiça de ir à Vila e prestigiar Renato. Os "uns de nós" têm dado, a cada dia, sua contribuição para as coisas ruins do futebol. Vamos esquecer de culpar apenas as entidades superioras, amorfas e anônimas.
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
"Manda todo mundo embora"
Quando, no ano passado, o Santos demitiu Dorival Júnior, eu escrevi aqui que a queda do treinador representava mais do que uma demissão; mostrava que, no futebol, o que precisa ser feito dá certo. Afinal, o Santos tinha seguido a receita idealizada por todo mundo e acabou dando com os burros n'água.
Agora, nesta reta final de 2018, o horizonte guarda algumas semelhanças. A temporada foi uma montanha-russa para o Santos. Começou ruim, ficou péssima, tornou-se boa e acaba fraca. Vamos ficar numa pontuação condizente com que esperávamos no começo do campeonato. E que não é nem um pouco digna do Santos.
Erros de planejamento - seja lá o que isso quer dizer - explicam, claro, o quadro. O Santos errou em trazer Jair Ventura? Não, claro que não. Ele vinha referendado por um bom trabalho no Botafogo. E a gente não diz que a mesmice de técnicos é um problema sério? O erro esteve em insistir nele. Pior: em não demiti-lo antes da Copa do Mundo, o que daria tempo para o subtituto treinar a equipe.
Cuca chegou, arrumou o time, fez com que a gente lamentasse menos tempo pro trabalho, mas quando a coisa parecia evoluir, veio a má fase atual. Quatro derrotas seguidas é algo que o Santos não pode aceitar em circunstância alguma - ainda mais quando dois dos adversários são Chapecoense e América-MG...
Por isso o título do post. O que parecia um trabalho engatado se mostrou uma baita incógnita, com mais potencialidades negativas do que positivas. Além disso, espera-se um grande desmonte no elenco.
Tudo isso, somado às intriguinhas extracampo que estão marcando a atual passagem de Cuca, dão vontade de que ele siga seu rumo e o Santos escolha o dele. A tempo de termos um 2019 melhor.
Agora, nesta reta final de 2018, o horizonte guarda algumas semelhanças. A temporada foi uma montanha-russa para o Santos. Começou ruim, ficou péssima, tornou-se boa e acaba fraca. Vamos ficar numa pontuação condizente com que esperávamos no começo do campeonato. E que não é nem um pouco digna do Santos.
Erros de planejamento - seja lá o que isso quer dizer - explicam, claro, o quadro. O Santos errou em trazer Jair Ventura? Não, claro que não. Ele vinha referendado por um bom trabalho no Botafogo. E a gente não diz que a mesmice de técnicos é um problema sério? O erro esteve em insistir nele. Pior: em não demiti-lo antes da Copa do Mundo, o que daria tempo para o subtituto treinar a equipe.
Cuca chegou, arrumou o time, fez com que a gente lamentasse menos tempo pro trabalho, mas quando a coisa parecia evoluir, veio a má fase atual. Quatro derrotas seguidas é algo que o Santos não pode aceitar em circunstância alguma - ainda mais quando dois dos adversários são Chapecoense e América-MG...
Por isso o título do post. O que parecia um trabalho engatado se mostrou uma baita incógnita, com mais potencialidades negativas do que positivas. Além disso, espera-se um grande desmonte no elenco.
Tudo isso, somado às intriguinhas extracampo que estão marcando a atual passagem de Cuca, dão vontade de que ele siga seu rumo e o Santos escolha o dele. A tempo de termos um 2019 melhor.
terça-feira, 23 de outubro de 2018
O Natal santista é também uma época para remoer um debate eterno
Hoje, 23 de setembro, é aniversário de Pelé. O maior jogador da história do Santos FC e do futebol como um todo chega aos 78 anos. Já não esbanja a saúde de antes, mas, torçamos, vai ficar muito tempo entre nós. Nunca tive a oportunidade de estar pessoalmente com Pelé, mas já fui a jogos na Vila Belmiro em que ele estava em sua tribuna, e foi anunciado via altos-falantes no estádio. Vê-lo ao longe, dando tchauzinho, já foi uma experiência bacana, sem dúvidas.
Mas a figura de Pelé é algo um tanto quanto controverso para o Santos. Ou melhor: não o jogador Pelé, não o que ele construiu dentro de campo, e sim depois disso.
Por muito tempo, especialmente nos anos 1990, havia um certo consenso entre os santistas de que Pelé "não ajudava o Santos". A ótica era a seguinte: Pelé era um ídolo global, milionário; o Santos, quebrado, na fila de títulos. Nada mais lógico, então, do que Pelé "ajudar" o Santos a se reerguer. O raciocínio, porém, esbarrava no óbvio: o que era esse "ajudar"? E por que Pelé deveria se preocupar, individualmente, em corrigir erros causados por dirigentes incompetentes?
Os anos passaram, esse quadro mudou, mas o que entrou no lugar dele foi um debate igualmente chato e, principalmente, confuso. A crítica da vez era de que o Santos não sabia explorar comercialmente a figura de Pelé. Pelo fato de Pelé ser o maior atleta da história do esporte mais popular do planeta, o Santos teria em suas mãos uma mina de ouro; bastaria trabalhar bem sobre ela para avançar na "internacionalização" da marca e ganhar dinheiro.
A questão é que ninguém sabe direito o que isso quer dizer. Como santista, digo que realmente é um pouco frustrante ver que Pelé e Santos não são tão associados como deveriam. Carrego uma certa inveja da idolatria que os flamenguistas têm com Zico; e chama a atenção ver que o mosaico que os torcedores fizeram recentemente contra o Corinthians tenha sido o primeiro em homenagem ao Rei do Futebol, salvo engano meu.
Mas o tal marketing tão apregoado por torcedores segue sendo um componente vago, impreciso. De tal modo que fica difícil saber até que ponto é mera incompetência do Santos, ou se não haveria muito o que avançar.
De todo modo, o que espero, como torcedor, é curtir a figura de Pelé o máximo possível. E que iniciativas espontâneas como o mosaico se repitam cada vez mais. Vejo que a torcida celebra mais Pelé do que fazia no passado. Que assim continue, e se incremente.
Vida longa ao Rei!
Mas a figura de Pelé é algo um tanto quanto controverso para o Santos. Ou melhor: não o jogador Pelé, não o que ele construiu dentro de campo, e sim depois disso.
Por muito tempo, especialmente nos anos 1990, havia um certo consenso entre os santistas de que Pelé "não ajudava o Santos". A ótica era a seguinte: Pelé era um ídolo global, milionário; o Santos, quebrado, na fila de títulos. Nada mais lógico, então, do que Pelé "ajudar" o Santos a se reerguer. O raciocínio, porém, esbarrava no óbvio: o que era esse "ajudar"? E por que Pelé deveria se preocupar, individualmente, em corrigir erros causados por dirigentes incompetentes?
Os anos passaram, esse quadro mudou, mas o que entrou no lugar dele foi um debate igualmente chato e, principalmente, confuso. A crítica da vez era de que o Santos não sabia explorar comercialmente a figura de Pelé. Pelo fato de Pelé ser o maior atleta da história do esporte mais popular do planeta, o Santos teria em suas mãos uma mina de ouro; bastaria trabalhar bem sobre ela para avançar na "internacionalização" da marca e ganhar dinheiro.
A questão é que ninguém sabe direito o que isso quer dizer. Como santista, digo que realmente é um pouco frustrante ver que Pelé e Santos não são tão associados como deveriam. Carrego uma certa inveja da idolatria que os flamenguistas têm com Zico; e chama a atenção ver que o mosaico que os torcedores fizeram recentemente contra o Corinthians tenha sido o primeiro em homenagem ao Rei do Futebol, salvo engano meu.
Mas o tal marketing tão apregoado por torcedores segue sendo um componente vago, impreciso. De tal modo que fica difícil saber até que ponto é mera incompetência do Santos, ou se não haveria muito o que avançar.
De todo modo, o que espero, como torcedor, é curtir a figura de Pelé o máximo possível. E que iniciativas espontâneas como o mosaico se repitam cada vez mais. Vejo que a torcida celebra mais Pelé do que fazia no passado. Que assim continue, e se incremente.
Vida longa ao Rei!
terça-feira, 16 de outubro de 2018
Meia-boca
O Santos venceu o Corinthians por 1x0, jogando mal.
Antes disso, tinha vencido o Vitória por 1x0, jogando mal.
E ainda antes disso, tinha vencido o Atlético-PR por 1x0, jogando mal.
A sequência de três jogos, com nove pontos somados, três gols marcados, nenhum sofrido e três atuações tristes deve ser única na história do clube.
Sou fã do futebol de resultados, quem me conhece sabe. Mas um pouquinho de desempenho não faria mal nenhum. Ainda mais nas circunstâncias de sábado - sim, era um clássico; mas se o Corinthians titular não é grande coisa, ainda mais o reserva, com a cabeça de todos voltada à final da Copa do Brasil. Sem contar que a torcida era única, a nossa.
Pensar em Libertadores 2019 não é um devaneio. O Santos está a quatro pontos do Atlético-MG, com nove rodadas a serem disputadas, e um confronto direto no meio do caminho - e essa partida tem mando santista. Além disso, o Galo está longe de ser um time dos mais confiáveis.
Mas evoluir será necessário para almejar mais nesse Brasileirão.
Antes disso, tinha vencido o Vitória por 1x0, jogando mal.
E ainda antes disso, tinha vencido o Atlético-PR por 1x0, jogando mal.
A sequência de três jogos, com nove pontos somados, três gols marcados, nenhum sofrido e três atuações tristes deve ser única na história do clube.
Sou fã do futebol de resultados, quem me conhece sabe. Mas um pouquinho de desempenho não faria mal nenhum. Ainda mais nas circunstâncias de sábado - sim, era um clássico; mas se o Corinthians titular não é grande coisa, ainda mais o reserva, com a cabeça de todos voltada à final da Copa do Brasil. Sem contar que a torcida era única, a nossa.
Pensar em Libertadores 2019 não é um devaneio. O Santos está a quatro pontos do Atlético-MG, com nove rodadas a serem disputadas, e um confronto direto no meio do caminho - e essa partida tem mando santista. Além disso, o Galo está longe de ser um time dos mais confiáveis.
Mas evoluir será necessário para almejar mais nesse Brasileirão.
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
Gabriel faz falta
OK, houve a arbitragem. E eu já defendi que quem foi prejudicado pelo juiz tem mais é que reclamar, sem medo de patrulha.
Mas deixo as críticas para o lado derrotado, que não foi o meu, e venho analisar o futebol apresentado pelo Santos ontem contra o Atlético Paranaense.
Não foi um grande jogo, como o 0x0 até os 50 do segundo tempo demonstra. Há vários motivos para isso. Desde a (já tradicional) inoperância de Bruno Henrique até a também não surpreendente pouca competência de Eduardo Sasha. A atuação opaca de Dodô, outra coisa já tradicional, também contribuiu. E Sánchez, o melhor jogador do time e com sobras, não consegue fazer tudo sozinho.
O fato é que a evolução do futebol de Gabriel no segundo semestre não apenas ressucitou sua carreira, mas também criou no Santos uma dependência dele. Sem o garoto, o time fica um pouquinho perdido, acéfalo. A parceria entre ele e Sánchez tem trazido frutos pra lá de interessantes. Cabe ao Santos aproveitar isso ao máximo.
PS 1: Bryan Ruiz não vai jogar nunca? Não culpo o Cuca por isso, já que ele não mostrou nada quando entrou e deve estar apagado nos treinos. Vem fiasco por aí?
PS 2: Sánchez é um líder nato, foi o melhor do time ontem, etc., etc., mas jogador que toma cartão por tirar a camisa na comemoração precisa ser multado. É o tipo de coisa que vai fazer falta lá na frente.
Mas deixo as críticas para o lado derrotado, que não foi o meu, e venho analisar o futebol apresentado pelo Santos ontem contra o Atlético Paranaense.
Não foi um grande jogo, como o 0x0 até os 50 do segundo tempo demonstra. Há vários motivos para isso. Desde a (já tradicional) inoperância de Bruno Henrique até a também não surpreendente pouca competência de Eduardo Sasha. A atuação opaca de Dodô, outra coisa já tradicional, também contribuiu. E Sánchez, o melhor jogador do time e com sobras, não consegue fazer tudo sozinho.
O fato é que a evolução do futebol de Gabriel no segundo semestre não apenas ressucitou sua carreira, mas também criou no Santos uma dependência dele. Sem o garoto, o time fica um pouquinho perdido, acéfalo. A parceria entre ele e Sánchez tem trazido frutos pra lá de interessantes. Cabe ao Santos aproveitar isso ao máximo.
PS 1: Bryan Ruiz não vai jogar nunca? Não culpo o Cuca por isso, já que ele não mostrou nada quando entrou e deve estar apagado nos treinos. Vem fiasco por aí?
PS 2: Sánchez é um líder nato, foi o melhor do time ontem, etc., etc., mas jogador que toma cartão por tirar a camisa na comemoração precisa ser multado. É o tipo de coisa que vai fazer falta lá na frente.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Obrigado por tudo, Vila Belmiro. Mas não dá mais
Antes de mais nada, uma introdução aos torcedores dos outros times: pra nós, santistas, o tópico "jogar na Vila ou jogar no Pacaembu (ou outro estádio)" é daquelas discussões surradas, cansativas, daquele tipo que se roda, roda e nunca se chega a lugar algum. É o nosso Brasileiro de 87, nosso Mundial de 2000, nossa Copa Rio de 1951. Já conhecemos todos os argumentos e contra-argumentos, as implicações de uma coisa e de outra.
Mas esse 2017 está tendo para nós um poder meio que decisivo nesse imbróglio eterno. Os argumentos fora de campo se acumulam - média de Corinthians no Pacaembu, de CSA na Vila - e, agora, juntam-se a eles os de dentro. A Vila viu o Santos ser eliminado pelo Flamengo na Copa do Brasil (mas 80% da responsabilidade é do jogo no Rio, registre-se) e, agora, a trágica eliminação da Libertadores contra o Barcelona do Equador.
Nós, santistas, sempre soubemos que a Vila era um estádio antiquado, acanhado, insuficiente para receber a nossa torcida. Mas usávamos dois escudos em resposta a essas condições. O primeiro é o da tradição - afinal, aquele é o campo que viu a consagração do maior jogador e de um dos maiores times da história. E o segundo, o do "alçapão". Tínhamos pra nós que a Vila compensava todos os seus defeitos se tornando um - peço perdão pelo chavão - décimo-segundo jogador em campo. Na Vila, dizíamos, não tem pra ninguém.
A realidade, no entanto, deixa claro que, sim, tem. A Vila hoje não mete tanto medo quanto já meteu - ou, sei lá, o futebol mudou a ponto de que o "fator casa" já não tem o mesmo peso que outrora. O fato é que é um estádio que não se compensa. Nem financeiramente, nem em termos de conforto, nem nos aspectos esportivos.
Ah, sim: um argumento que tem aparecido nos últimos tempos é o de que a Vila perdeu a sua força desde que foi... "elitizada". Quem defende isso cita a retirada do alambrado e a inserção da divisória de vidro dos setores no nível do campo. Sinceramente? Isso é trazer uma romantização que não faz muito sentido. Com ou sem alambrado, não teríamos muita qualidade no estádio.
Daí surge o questionamento óbvio: se a Vila é tão ruim assim, o que fazer? E aí voltamos ao nosso Brasileiro de 87: um estádio pra 40 mil em Santos, uma arena em Cubatão, um campo grande em São Paulo... rodamos e não saímos do lugar. A resposta mais rápida é o Pacaembu. É a ele que devemos recorrer. E quanto à Vila... obrigado por tudo!
Mas esse 2017 está tendo para nós um poder meio que decisivo nesse imbróglio eterno. Os argumentos fora de campo se acumulam - média de Corinthians no Pacaembu, de CSA na Vila - e, agora, juntam-se a eles os de dentro. A Vila viu o Santos ser eliminado pelo Flamengo na Copa do Brasil (mas 80% da responsabilidade é do jogo no Rio, registre-se) e, agora, a trágica eliminação da Libertadores contra o Barcelona do Equador.
Nós, santistas, sempre soubemos que a Vila era um estádio antiquado, acanhado, insuficiente para receber a nossa torcida. Mas usávamos dois escudos em resposta a essas condições. O primeiro é o da tradição - afinal, aquele é o campo que viu a consagração do maior jogador e de um dos maiores times da história. E o segundo, o do "alçapão". Tínhamos pra nós que a Vila compensava todos os seus defeitos se tornando um - peço perdão pelo chavão - décimo-segundo jogador em campo. Na Vila, dizíamos, não tem pra ninguém.
A realidade, no entanto, deixa claro que, sim, tem. A Vila hoje não mete tanto medo quanto já meteu - ou, sei lá, o futebol mudou a ponto de que o "fator casa" já não tem o mesmo peso que outrora. O fato é que é um estádio que não se compensa. Nem financeiramente, nem em termos de conforto, nem nos aspectos esportivos.
Ah, sim: um argumento que tem aparecido nos últimos tempos é o de que a Vila perdeu a sua força desde que foi... "elitizada". Quem defende isso cita a retirada do alambrado e a inserção da divisória de vidro dos setores no nível do campo. Sinceramente? Isso é trazer uma romantização que não faz muito sentido. Com ou sem alambrado, não teríamos muita qualidade no estádio.
Daí surge o questionamento óbvio: se a Vila é tão ruim assim, o que fazer? E aí voltamos ao nosso Brasileiro de 87: um estádio pra 40 mil em Santos, uma arena em Cubatão, um campo grande em São Paulo... rodamos e não saímos do lugar. A resposta mais rápida é o Pacaembu. É a ele que devemos recorrer. E quanto à Vila... obrigado por tudo!
domingo, 4 de junho de 2017
Cai Dorival, cai uma "regra" para o bom futebol
O Santos começou 2017 seguindo o manual do-time-que-vai-dar-certo-ao-longo-da-temporada: manteve a base que havia ido bem na temporada anterior, dispunha de um técnico há mais de um ano e meio no cargo, trouxe reforços de qualidade e disputaria a Libertadores. A torcida estava junto. 2017 parecia ser o ano da consagração, da consolidação de um bom trabalho, de colocar a mão em uma taça que não a estadual, algo que não ocorre desde 2011.
Mas o ano passou, os campeonatos foram ficando pra trás, e o tal "longo prazo" que a gente espera que chegue um dia quando apostamos nos "trabalhos a longo prazo" não chegou nunca.
E Dorival - que segue sendo o melhor técnico que já vi nos meus mais de 25 anos de acompanhamento cotidiano do Santos Futebol Clube - caiu. Caiu merecidamente. Caiu porque tinha que cair. Caiu porque não fez esse time jogar bola.
É claro que a responsabilidade não é só dele. O Santos, tal qual muitos dos seus adversários da Série A do Brasileirão, tem um elenco caro. Cheio de lideranças. De jogadores experientes, líderes pro bem e pro mal, que quando parecem que não querem se empenhar e fazer as coisas certo, ninguém segura (sim, Ricardo Oliveira, estou falando com você).
Além disso, há questões estruturais, muito superiores ao comandante do time. O Santos prossegue vítima de uma diretoria frágil. E, neste 2017, o irritante debate que opõe santistas paulistanos e santistas da Baixada voltou com tudo, com uma intensidade que parecia arrefecida.
Mas, porém, contudo, não fazia mais sentido Dorival continuar na chefia da equipe. O Brasileirão é implacável, e esses nove pontos perdidos nas quatro primeiras rodadas cobrarão sua fatura lá em dezembro. Além disso, há a Libertadores - em que passamos de fase, somos o único time invicto, mas não empolgamos nem um grão de areia da praia do José Menino.
Quem vem? Difícil dizer. As especulações estão à solta e até a manutenção de Elano como efetivo não me surpreenderia tanto (será que vem aí o "professor Elano Blumer"?). Levir Culpi é o nome que mais me agradaria. E há um pedaço meu, aquele que crê que o ser humano não desaprende tão fácil o que já dominou, que veria com bons olhos a chegada de Marcelo Oliveira.
Sobre Dorival, da minha parte há a torcida mais do que sincera para que ele seja bem sucedido na carreira. A passagem de 2010 foi estrondosa e essa de agora foi, sem a menor dúvida, mais positiva do que negativa. Dá até uma sensação curiosa: se ele tivesse recebido uma proposta do mundo árabe e fosse nadar em dinheiro ao fim do ano passado, estaríamos todos mais felizes e ansiando por um retorno. Que, acho eu, ainda vai ocorrer.
Por fim, todo esse episódio deixa claro como o futebol brasileiro carrega eternamente sua dose de imprevisibilidade, e que fórmulas prontas não devem ser engolidas. O Santos seguiu o manual. Deu no que deu.
Mas o ano passou, os campeonatos foram ficando pra trás, e o tal "longo prazo" que a gente espera que chegue um dia quando apostamos nos "trabalhos a longo prazo" não chegou nunca.
E Dorival - que segue sendo o melhor técnico que já vi nos meus mais de 25 anos de acompanhamento cotidiano do Santos Futebol Clube - caiu. Caiu merecidamente. Caiu porque tinha que cair. Caiu porque não fez esse time jogar bola.
É claro que a responsabilidade não é só dele. O Santos, tal qual muitos dos seus adversários da Série A do Brasileirão, tem um elenco caro. Cheio de lideranças. De jogadores experientes, líderes pro bem e pro mal, que quando parecem que não querem se empenhar e fazer as coisas certo, ninguém segura (sim, Ricardo Oliveira, estou falando com você).
Além disso, há questões estruturais, muito superiores ao comandante do time. O Santos prossegue vítima de uma diretoria frágil. E, neste 2017, o irritante debate que opõe santistas paulistanos e santistas da Baixada voltou com tudo, com uma intensidade que parecia arrefecida.
Mas, porém, contudo, não fazia mais sentido Dorival continuar na chefia da equipe. O Brasileirão é implacável, e esses nove pontos perdidos nas quatro primeiras rodadas cobrarão sua fatura lá em dezembro. Além disso, há a Libertadores - em que passamos de fase, somos o único time invicto, mas não empolgamos nem um grão de areia da praia do José Menino.
Quem vem? Difícil dizer. As especulações estão à solta e até a manutenção de Elano como efetivo não me surpreenderia tanto (será que vem aí o "professor Elano Blumer"?). Levir Culpi é o nome que mais me agradaria. E há um pedaço meu, aquele que crê que o ser humano não desaprende tão fácil o que já dominou, que veria com bons olhos a chegada de Marcelo Oliveira.
Sobre Dorival, da minha parte há a torcida mais do que sincera para que ele seja bem sucedido na carreira. A passagem de 2010 foi estrondosa e essa de agora foi, sem a menor dúvida, mais positiva do que negativa. Dá até uma sensação curiosa: se ele tivesse recebido uma proposta do mundo árabe e fosse nadar em dinheiro ao fim do ano passado, estaríamos todos mais felizes e ansiando por um retorno. Que, acho eu, ainda vai ocorrer.
Por fim, todo esse episódio deixa claro como o futebol brasileiro carrega eternamente sua dose de imprevisibilidade, e que fórmulas prontas não devem ser engolidas. O Santos seguiu o manual. Deu no que deu.
sexta-feira, 3 de março de 2017
Devemos mudar os símbolos dos nossos clubes?
Falarei sobre um assunto que já foi notícia há um bom tempo, mas os bons debates no futebol sempre podem acontecer. Então, antes de mais nada, pergunto: vocês já viram o novo símbolo da Juventus, que começará a ser utilizado na próxima temporada? Se ainda não, segue a comparação entre o atual e o novo.
A mudança é completa, transformadora, agressiva. Sai um símbolo com o jeitão habitual dos escudos de futebol e entra algo estranho ao universo em que vigorará.
Como não podia deixar de ser, uma mudança dessa monta recebeu dezenas de ataques - em especial, dos saudosistas-de-boutique, aqueles que amam um futebol que não viram ou evitavam viver. Mas até mesmo gente menos apegada aos tempos idos (como eu) tomaram um baita susto com a mudança.
Até porque o novo logo da Juventus não se resume a uma simples "atualização no escudo", algo com o qual estamos acostumados. Vimos isso, por exemplo, com o Internacional, que adicionou em 2009 o nome completo e ano de fundação em seu distintivo, e com o Atlético de Madri, que deu uma mudada boa na sua marca, mas mantendo o mesmo espírito (vale muito ler essa análise que explica e justifica a alteração colchonera).
É então que trago a pergunta do título do post: estaríamos prontos para uma mudança desse tipo nos clubes brasileiros? Ou melhor: estamos interessados nisso? Queremos esse tipo de mudança?
Para essa discussão, temos que levar em conta, antes de mais nada, que alterações em distintivos não são algo exclusivo da contemporaneidade. Ao contrário: até os clubes se consolidarem como marcas históricas, as transformações aconteciam com grande frequência. O Estadão publicou um ótimo levantamento esses dias com as mudanças nos clubes paulistas, e a imagem abaixo mostra bem como o Corinthians alterou sua marca ao longo dos anos.
Ou seja: mudar não é novidade.
A questão é que, hoje, teríamos que incluir duas coisas no debate. A primeira é: por que mudar? Existe uma razão palpável para alterar o mais nobre dos símbolos de um clube? Seria a "mudança pela mudança"? Já o outro ponto é justamente levar em conta o tradicionalismo e ponderar se a alteração - ainda que com todas as eventuais justificativas - seria algo que valesse a pena.
Falando como torcedor e trazendo o debate para o caso específico do meu time, eu tenderia a ser contrário a qualquer mudança. Considero o símbolo do Santos bonito, adequado, "redondinho". Mas creio que uma eventual modificação deveria ser posta à mesa, para reflexão. Se queremos melhor gestão para os nossos clubes, podemos aprender com as lições dos dirigentes do passado que, pensando à frente, mudaram suas marcas.
A mudança é completa, transformadora, agressiva. Sai um símbolo com o jeitão habitual dos escudos de futebol e entra algo estranho ao universo em que vigorará.
Como não podia deixar de ser, uma mudança dessa monta recebeu dezenas de ataques - em especial, dos saudosistas-de-boutique, aqueles que amam um futebol que não viram ou evitavam viver. Mas até mesmo gente menos apegada aos tempos idos (como eu) tomaram um baita susto com a mudança.
Até porque o novo logo da Juventus não se resume a uma simples "atualização no escudo", algo com o qual estamos acostumados. Vimos isso, por exemplo, com o Internacional, que adicionou em 2009 o nome completo e ano de fundação em seu distintivo, e com o Atlético de Madri, que deu uma mudada boa na sua marca, mas mantendo o mesmo espírito (vale muito ler essa análise que explica e justifica a alteração colchonera).
É então que trago a pergunta do título do post: estaríamos prontos para uma mudança desse tipo nos clubes brasileiros? Ou melhor: estamos interessados nisso? Queremos esse tipo de mudança?
Para essa discussão, temos que levar em conta, antes de mais nada, que alterações em distintivos não são algo exclusivo da contemporaneidade. Ao contrário: até os clubes se consolidarem como marcas históricas, as transformações aconteciam com grande frequência. O Estadão publicou um ótimo levantamento esses dias com as mudanças nos clubes paulistas, e a imagem abaixo mostra bem como o Corinthians alterou sua marca ao longo dos anos.
Ou seja: mudar não é novidade.
A questão é que, hoje, teríamos que incluir duas coisas no debate. A primeira é: por que mudar? Existe uma razão palpável para alterar o mais nobre dos símbolos de um clube? Seria a "mudança pela mudança"? Já o outro ponto é justamente levar em conta o tradicionalismo e ponderar se a alteração - ainda que com todas as eventuais justificativas - seria algo que valesse a pena.
Falando como torcedor e trazendo o debate para o caso específico do meu time, eu tenderia a ser contrário a qualquer mudança. Considero o símbolo do Santos bonito, adequado, "redondinho". Mas creio que uma eventual modificação deveria ser posta à mesa, para reflexão. Se queremos melhor gestão para os nossos clubes, podemos aprender com as lições dos dirigentes do passado que, pensando à frente, mudaram suas marcas.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
A Arena Amazônia precisa ser a nova casa da seleção brasileira
A proibição de times mandarem jogos fora de seus estados no Brasileirão é daqueles casos em que o debate não traz uma solução definitiva. Há argumentos consideráveis de todos os lados: a favor da proibição, a lembrança de que a venda de mandos pode desequilibrar uma tabela, em um campeonato tão equilibrado quanto o nacional; contra o veto, a autonomia dos clubes e - é disso que este texto trata - a necessidade de se aproveitar as arenas da Copa do Mundo.
(A controvérsia, por outro lado, é algo que não identifico na proibição da grama sintética: esta sim é uma decisão absurda, arcaica, retrógrada.)
Mas voltando às arenas: se nada de excepcional acontecer, teremos um restante de 2017 com pouquíssimos ou nenhum jogo dos times grandes em campos como Arena Pantanal, Arena Amazônia ou Mané Garrincha. Primeira Liga, Copa do Brasil e - vá lá - Libertadores podem apresentar um respiro, mas de antemão sabemos que não será uma agenda rotineira.
Isto posto, a solução para o aproveitamento dos elefantes brancos parece que precisa vir de uma instituição acima dos clubes: a seleção brasileira. A Arena Amazônia precisa se tornar a nova casa da seleção. Manaus tem todas as condições de abrigar delegações e torcedores brasileiros e estrangeiros. Que todos os jogos das Eliminatórias e amistosos, salvo raras exceções, sejam mandados lá.
Mas por que a Arena Amazônia e não os estádios de Cuiabá ou Brasília? A resposta está no fato de que, em primeiro lugar, Mato Grosso tem um time na Série B do Brasileiro. Então poderíamos ter o Luverdense recebendo adversários como Náutico, Santa Cruz, Goiás e, principalmente, Internacional na capital do seu estado. Já Brasília tem mais condições de abrigar jogos das outras competições citadas acima (Libertadores, Copa do Brasil e Primeira Liga) e seu estádio tem uma agenda um pouco mais ativa para shows e outros eventos.
O debate, evidentemente, vai além dos jogos da seleção brasileira principal. Os times femininos e de base também deveriam disputar seus jogos nesses estádios - quem explica o fato de que o Brasil NUNCA sediou os sul-americanos sub-20 e sub-17? E outra coisa que precisa entrar em cena é uma eventual proibição para que cidades não contempladas com a Copa - Florianópolis, Goiânia e Campo Grande, por exemplo - não pleiteiem ser essas sedes, para evitar a construção de novos espaços custosos.
(A controvérsia, por outro lado, é algo que não identifico na proibição da grama sintética: esta sim é uma decisão absurda, arcaica, retrógrada.)
Mas voltando às arenas: se nada de excepcional acontecer, teremos um restante de 2017 com pouquíssimos ou nenhum jogo dos times grandes em campos como Arena Pantanal, Arena Amazônia ou Mané Garrincha. Primeira Liga, Copa do Brasil e - vá lá - Libertadores podem apresentar um respiro, mas de antemão sabemos que não será uma agenda rotineira.
Isto posto, a solução para o aproveitamento dos elefantes brancos parece que precisa vir de uma instituição acima dos clubes: a seleção brasileira. A Arena Amazônia precisa se tornar a nova casa da seleção. Manaus tem todas as condições de abrigar delegações e torcedores brasileiros e estrangeiros. Que todos os jogos das Eliminatórias e amistosos, salvo raras exceções, sejam mandados lá.
Mas por que a Arena Amazônia e não os estádios de Cuiabá ou Brasília? A resposta está no fato de que, em primeiro lugar, Mato Grosso tem um time na Série B do Brasileiro. Então poderíamos ter o Luverdense recebendo adversários como Náutico, Santa Cruz, Goiás e, principalmente, Internacional na capital do seu estado. Já Brasília tem mais condições de abrigar jogos das outras competições citadas acima (Libertadores, Copa do Brasil e Primeira Liga) e seu estádio tem uma agenda um pouco mais ativa para shows e outros eventos.
O debate, evidentemente, vai além dos jogos da seleção brasileira principal. Os times femininos e de base também deveriam disputar seus jogos nesses estádios - quem explica o fato de que o Brasil NUNCA sediou os sul-americanos sub-20 e sub-17? E outra coisa que precisa entrar em cena é uma eventual proibição para que cidades não contempladas com a Copa - Florianópolis, Goiânia e Campo Grande, por exemplo - não pleiteiem ser essas sedes, para evitar a construção de novos espaços custosos.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
Poluição visual
A imagem abaixo reúne camisas à venda nas lojas oficiais de Arsenal, Bayern, Real Madrid e Santos. Quatro times tradicionais do futebol mundial. Há uma coisa que distingue a camisa do Santos das demais. Fácil perceber, não?
Sim, a camisa do único brasileiro nesse grupo é diferente das outras por não ostentar patrocínios. É, portanto, mais bonita, mais limpa do que a das outras equipes comparadas nesse post. Mas, porém, contudo, comparemos a camisa citada acima com a que o Santos utilizou no último jogo:
Toda a "pureza" que está disponível ao torcedor na loja online se esvai quando o time vai a campo - o que há, na prática, é um conflito desarmônico de marcas, desesperadas por chamar a atenção do torcedor.
Não se trata de uma crítica de tom "saudosista". Não contesto o fato de um time vender espaço na sua camisa para um patrocinador. Ao contrário: meu viés é plenamente mercadológico. Não há como dissociarmos, hoje, os uniformes de Real, Arsenal e Bayern (escolhi os times aleatoriamente, só pra registrar) de seus patrocinadores. Já no caso do Santos - e de outros brasileiros - as marcas não conseguem se coligar com a torcida. Até porque sofrem boicote da própria loja oficial do clube.
Times precisam de dinheiro. Falar ao mercado é fundamental. Só contesto se é por aí que a arrecadação fará mais sentido.
Sim, a camisa do único brasileiro nesse grupo é diferente das outras por não ostentar patrocínios. É, portanto, mais bonita, mais limpa do que a das outras equipes comparadas nesse post. Mas, porém, contudo, comparemos a camisa citada acima com a que o Santos utilizou no último jogo:
Toda a "pureza" que está disponível ao torcedor na loja online se esvai quando o time vai a campo - o que há, na prática, é um conflito desarmônico de marcas, desesperadas por chamar a atenção do torcedor.
Não se trata de uma crítica de tom "saudosista". Não contesto o fato de um time vender espaço na sua camisa para um patrocinador. Ao contrário: meu viés é plenamente mercadológico. Não há como dissociarmos, hoje, os uniformes de Real, Arsenal e Bayern (escolhi os times aleatoriamente, só pra registrar) de seus patrocinadores. Já no caso do Santos - e de outros brasileiros - as marcas não conseguem se coligar com a torcida. Até porque sofrem boicote da própria loja oficial do clube.
Times precisam de dinheiro. Falar ao mercado é fundamental. Só contesto se é por aí que a arrecadação fará mais sentido.
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
A obrigação de Neymar não era maior do que a de Marta
A Olimpíada acabou, e o futebol masculino, que começou o torneio (justamente) massacrado, acabou campeão, enquanto o feminino, tão (justamente) celebrado no início, terminou de mãos abanando.
Temos então condições melhores para refletirmos um pouco mais sobre as cobranças feitas a cada um dos times, a realidade das duas modalidades, e até onde as críticas são pertinentes.
O ataque que mais apareceu comparava salários e estrutura de que dispunham homens e mulheres e fazia uma constatação aparentemente inderrubável: por terem muito mais dinheiro, os homens teriam a obrigação de jogar mais bola do que as mulheres.
Acontece que esse discurso não é tão sustentável assim quanto possa parecer.
Para desenvolver meu raciocínio, vou a uma metáfora.
Toda vez que um clube brasileiro vai jogar na Bolívia o tema altitude entra em debate. Discute-se os efeitos que os 3 mil e tantos metros acima do mar causam sobre os jogadores e, mais que isso, fala-se do quanto que os jogadores locais, habituados com o ar rarefeito, tiram vantagem da situação. Não é desculpa esfarrapada: o bicho pega mesmo com quilômetros de altitude e o desempenho esportivo é prejudicado.
Pois bem, agora imaginem se houver uma Copa do Mundo na Bolívia (o que seria bem legal, aliás). E lá se enfrentarem, por exemplo, Itália e Japão, e os japoneses vencerem de goleada. Os italianos poderão reclamar da altitude? Não. Porque, embora a altitude realmente influa, ela atacaria os dois times, estrangeiros que são, da mesma forma. E portanto não pode ser citado como um diferencial competitivo.
Creio que seja por aí que devemos iniciar os raciocínios sobre o futebol feminino. O machismo e a falta de estrutura que as jogadoras brasileiras passam é real, e é, sim, um problema grande, que precisa ser superado. Porém, é falsa - bem falsa, aliás - a ideia de que essa desvalorização ocorre apenas aqui.
Por exemplo, vejam o que Marta diz em uma ótima entrevista que concedeu à revista TPM (link aqui). "Quando fui jogar na Suécia ganhava em torno de R$ 3 mil. Tendo que ajudar a minha família, não sobrava muito. As pessoas acham que o contrato das jogadoras que se destacam chega perto do contrato de um Neymar, mas isso é fora da realidade do futebol feminino". Ou seja, Marta e as grandes atletas, dentro e fora do Brasil, não ganham grandes salários.
Além disso, as ligas de futebol feminino no exterior não são das mais estruturadas. Os EUA, país que é, de longe, o mais bem-sucedido na modalidade, conta com um campeonato recém-criado, estabelecido em 2013, que tem apenas 10 times (o masculino tem 20) e uma baixa média de público. Na Europa, as duas últimas finais da Liga dos Campeões feminina foram realizadas em estádio que comportavam pouco mais de 20 mil torcedores.
A "falta de apoio" pela qual passam as atletas brasileiras do futebol não chega a ser uma exceção, portanto. O futebol feminino é relegado a segundo plano em todo o mundo.
Saio disso e passo agora a um debate meramente esportivo. Cobranças excessivas nunca fazem bem, mas igualmente danosa é a adulação demasiada, a "passada de mão na cabeça". Será, mesmo, que o time brasileiro mereceu aplausos após não conseguir furar a retranca de um adversário sobre o qual havia feito 5x1 três jogos antes? Será, mesmo, que não cabe criticar o desempenho de uma equipe incapaz de vencer o Canadá - que, embora não seja tão frágil quanto a equipe masculina do esporte, está longe de ser uma potência? Será que teríamos essa condescendência se fosse a equipe masculina a perder o bronze nessas mesmas circunstâncias? Será que é positivo para a seleção feminina brasileira ser eternamente vista como um time de "coitadinhas", de "guerreiras", e não como uma equipe esportiva qualquer, que acerta e erra, como todas?
Pra arrematar, retomo a frase "Marta é melhor do que Neymar", tão falada no início da Olimpíada. A comparação nasce bobinha em sua origem, por comparar pessoas que praticam esportes em condições diferentes. Mas vá lá, dá para estabelecer um parâmetro para esse tipo de comparação: é só ver o que cada um representa para a sua área de atividade. Por essa lógica podemos, por exemplo, dizer que Placido Domingo é melhor do que Gilberto Barros, já que Domingo é melhor músico do que o "Leão" é apresentador; que Carlos Drummond de Andrade foi melhor do que Lauro Corona; que Bill Gates é melhor do que Rodriguinho, ex-Travessos.
Minha opinião a respeito? É ÓBVIO que Marta é melhor do que Neymar - afinal, ela foi cinco vezes eleita a melhor do mundo, enquanto ele figurou apenas uma vez entre os três melhores.
E justamente por ser tão superior é que a obrigação de ser campeã com a seleção talvez fosse dela, não dele.
Temos então condições melhores para refletirmos um pouco mais sobre as cobranças feitas a cada um dos times, a realidade das duas modalidades, e até onde as críticas são pertinentes.
O ataque que mais apareceu comparava salários e estrutura de que dispunham homens e mulheres e fazia uma constatação aparentemente inderrubável: por terem muito mais dinheiro, os homens teriam a obrigação de jogar mais bola do que as mulheres.
Acontece que esse discurso não é tão sustentável assim quanto possa parecer.
Para desenvolver meu raciocínio, vou a uma metáfora.
Toda vez que um clube brasileiro vai jogar na Bolívia o tema altitude entra em debate. Discute-se os efeitos que os 3 mil e tantos metros acima do mar causam sobre os jogadores e, mais que isso, fala-se do quanto que os jogadores locais, habituados com o ar rarefeito, tiram vantagem da situação. Não é desculpa esfarrapada: o bicho pega mesmo com quilômetros de altitude e o desempenho esportivo é prejudicado.
Pois bem, agora imaginem se houver uma Copa do Mundo na Bolívia (o que seria bem legal, aliás). E lá se enfrentarem, por exemplo, Itália e Japão, e os japoneses vencerem de goleada. Os italianos poderão reclamar da altitude? Não. Porque, embora a altitude realmente influa, ela atacaria os dois times, estrangeiros que são, da mesma forma. E portanto não pode ser citado como um diferencial competitivo.
Creio que seja por aí que devemos iniciar os raciocínios sobre o futebol feminino. O machismo e a falta de estrutura que as jogadoras brasileiras passam é real, e é, sim, um problema grande, que precisa ser superado. Porém, é falsa - bem falsa, aliás - a ideia de que essa desvalorização ocorre apenas aqui.
Por exemplo, vejam o que Marta diz em uma ótima entrevista que concedeu à revista TPM (link aqui). "Quando fui jogar na Suécia ganhava em torno de R$ 3 mil. Tendo que ajudar a minha família, não sobrava muito. As pessoas acham que o contrato das jogadoras que se destacam chega perto do contrato de um Neymar, mas isso é fora da realidade do futebol feminino". Ou seja, Marta e as grandes atletas, dentro e fora do Brasil, não ganham grandes salários.
Além disso, as ligas de futebol feminino no exterior não são das mais estruturadas. Os EUA, país que é, de longe, o mais bem-sucedido na modalidade, conta com um campeonato recém-criado, estabelecido em 2013, que tem apenas 10 times (o masculino tem 20) e uma baixa média de público. Na Europa, as duas últimas finais da Liga dos Campeões feminina foram realizadas em estádio que comportavam pouco mais de 20 mil torcedores.
A "falta de apoio" pela qual passam as atletas brasileiras do futebol não chega a ser uma exceção, portanto. O futebol feminino é relegado a segundo plano em todo o mundo.
Saio disso e passo agora a um debate meramente esportivo. Cobranças excessivas nunca fazem bem, mas igualmente danosa é a adulação demasiada, a "passada de mão na cabeça". Será, mesmo, que o time brasileiro mereceu aplausos após não conseguir furar a retranca de um adversário sobre o qual havia feito 5x1 três jogos antes? Será, mesmo, que não cabe criticar o desempenho de uma equipe incapaz de vencer o Canadá - que, embora não seja tão frágil quanto a equipe masculina do esporte, está longe de ser uma potência? Será que teríamos essa condescendência se fosse a equipe masculina a perder o bronze nessas mesmas circunstâncias? Será que é positivo para a seleção feminina brasileira ser eternamente vista como um time de "coitadinhas", de "guerreiras", e não como uma equipe esportiva qualquer, que acerta e erra, como todas?
Pra arrematar, retomo a frase "Marta é melhor do que Neymar", tão falada no início da Olimpíada. A comparação nasce bobinha em sua origem, por comparar pessoas que praticam esportes em condições diferentes. Mas vá lá, dá para estabelecer um parâmetro para esse tipo de comparação: é só ver o que cada um representa para a sua área de atividade. Por essa lógica podemos, por exemplo, dizer que Placido Domingo é melhor do que Gilberto Barros, já que Domingo é melhor músico do que o "Leão" é apresentador; que Carlos Drummond de Andrade foi melhor do que Lauro Corona; que Bill Gates é melhor do que Rodriguinho, ex-Travessos.
Minha opinião a respeito? É ÓBVIO que Marta é melhor do que Neymar - afinal, ela foi cinco vezes eleita a melhor do mundo, enquanto ele figurou apenas uma vez entre os três melhores.
E justamente por ser tão superior é que a obrigação de ser campeã com a seleção talvez fosse dela, não dele.
Marcadores:
futebol feminino,
marta,
neymar,
olimpíada
terça-feira, 12 de julho de 2016
A França deu vexame?
A derrota de 1950 criou a horrível teoria de que "só no Brasil ninguém valoriza o vice". Como resposta à fortíssima pressão que sofreram os superados no Maracanã, implantou-se uma cultura redentora, defendida por alguns que se vendiam (ou vendem) como os heróis da resistência, capazes de superarem um ambiente perverso e algoz de todos os que não conseguiram chegar ao topo do esporte. Fora do Brasil, apregoam esses, os vice-campeões recebem louros; aqui é só pedrada. A teoria é, evidentemente, falsa como uma nota de três reais.
Introdução feita, passemos a debater a dimensão histórica da final da Eurocopa para a França. Do contexto, todos sabemos: os franceses chegaram à decisão favoritíssimos, por jogarem em casa, por terem feito uma campanha mais consistente do que o adversário e por serem, falando de forma direta e reta, mais time do que Portugal. Todo esse favoritismo elevou-se ao cubo quando Cristiano Ronaldo sucumbiu ainda no primeiro tempo. Mas Portugal venceu na prorrogação e deixou a França com a medalha de prata.
Não acho que a França deva lembrar da Eurocopa como uma experiência de todo traumática. Mas o que houve em Saint-Denis no domingo é, sim, um vexame. Por todo o contexto que já falamos, adicionado por outro componente: a camisa. Afinal, a França vinha com um título de Copa do Mundo, duas Euros e, de quebra, um vice-campeonato mundial no retrospecto, enquanto Portugal poderia apenas ostentar no peito um vice europeu (também vexaminoso, cabe o registro) e duas semifinais de Copa.
A essa altura, alguém poderia retrucar: "a França não deu vexame! Vexame foi o 7x1 que o Brasil levou da Alemanha". A resposta para isso é de fácil elaboração. Não é porque exista um vexame maior do que o seu que você não deu vexame, saca? É ÓBVIO que o que o Brasil fez foi de uma vergonha incomensurável, maior que talvez qualquer outra coisa que já veremos no futebol.
O retrospecto histórico da França faz com que possamos subir o nível com o país de Pogba e Griezmann. Fosse uma Ucrânia da vida chegando em uma final de Euro, até poderíamos achar bonitinho, mas isso não se aplica aos franceses. E o mesmo vale aqui para o Brasil. O dia em que "valorizarmos o vice" de uma seleção brasileira de futebol, é que a coisa está feia. Bem feia.
Introdução feita, passemos a debater a dimensão histórica da final da Eurocopa para a França. Do contexto, todos sabemos: os franceses chegaram à decisão favoritíssimos, por jogarem em casa, por terem feito uma campanha mais consistente do que o adversário e por serem, falando de forma direta e reta, mais time do que Portugal. Todo esse favoritismo elevou-se ao cubo quando Cristiano Ronaldo sucumbiu ainda no primeiro tempo. Mas Portugal venceu na prorrogação e deixou a França com a medalha de prata.
Não acho que a França deva lembrar da Eurocopa como uma experiência de todo traumática. Mas o que houve em Saint-Denis no domingo é, sim, um vexame. Por todo o contexto que já falamos, adicionado por outro componente: a camisa. Afinal, a França vinha com um título de Copa do Mundo, duas Euros e, de quebra, um vice-campeonato mundial no retrospecto, enquanto Portugal poderia apenas ostentar no peito um vice europeu (também vexaminoso, cabe o registro) e duas semifinais de Copa.
A essa altura, alguém poderia retrucar: "a França não deu vexame! Vexame foi o 7x1 que o Brasil levou da Alemanha". A resposta para isso é de fácil elaboração. Não é porque exista um vexame maior do que o seu que você não deu vexame, saca? É ÓBVIO que o que o Brasil fez foi de uma vergonha incomensurável, maior que talvez qualquer outra coisa que já veremos no futebol.
O retrospecto histórico da França faz com que possamos subir o nível com o país de Pogba e Griezmann. Fosse uma Ucrânia da vida chegando em uma final de Euro, até poderíamos achar bonitinho, mas isso não se aplica aos franceses. E o mesmo vale aqui para o Brasil. O dia em que "valorizarmos o vice" de uma seleção brasileira de futebol, é que a coisa está feia. Bem feia.
terça-feira, 28 de junho de 2016
"Eu tenho desejo de estar saindo"
Não houve meias palavras na fala de Lucas Lima após o jogo entre Santos e São Paulo no domingo, em que o alvinegro fez 3x0. "Tenho desejo de estar saindo, sim. Sempre deixei claro. Mas isso vai acontecer até o fim do meu contrato", respondeu o meia, após ser questionado, mais uma vez (e com razão), pelos repórteres sobre sua possível despedida do Santos, algo que parece ser iminente.
A fala de Lucas Lima - que alguns poderiam qualificar como mais um exemplo de sincericídio - reacende um debate tão antigo quanto irresoluto no futebol brasileiro: vale ao clube manter um jogador com data marcada e/ou desejo declarado de procurar outro emprego?
Os casos são diversos. No próprio Santos, há vários exemplos. O time campeão brasileiro de 2004, por exemplo, perdeu algumas de suas estrelas na virada entre o primeiro e o segundo semestre: Diego, Paulo Almeida, Renato, Alex. Todos fecharam contratos com clubes europeus e esticavam sua permanência no Santos até que a janela do outro continente se abrisse em definitivo. Na ocasião, o então técnico Vanderlei Luxemburgo entendeu que não valia a pena escalar jogadores que poderiam não se empenhar tanto assim em uma bola dividida. O time, repito, foi campeão, no único triunfo do Santos no Brasileirão na era dos pontos corridos. Por outro lado, no ano seguinte Robinho fez beicinho e forçou a barra até que a diretoria o negociasse com o Real Madrid.
Lucas Lima tende a ser um case interessante para esse debate porque seu futebol não é marcado pela "raça", esse conceito tão caro a jogadores de menos recursos. Lima é técnico, refinado, cerebral. No domingo fez um golaço de falta e driblou um são-paulino com um chapéu que será lembrado por anos. Portanto, é possível que ele deixe de lado uma bola perdida ou abra mão de um carrinho para evitar um escanteio adversário. E o que seria visto como natural, no contexto em análise passará a ser identificado como "coisa de jogador vendido".
Não restam dúvidas de que Lucas Lima já está marcado na história do Santos. É talvez o segundo maior jogador santista na década de 2010; perde obviamente para Neymar e rivaliza com outros como Ricardo Oliveira, Ganso, Renato, Léo.
Como torcedor, minha posição é clara: eu tenho o desejo que Lucas Lima "esteja ficando". Compreenderei sua saída, evidentemente. E acredito que ele mostrará o profissionalismo de sempre caso permaneça na Vila mesmo que contratos e propostas se somem em sua frente.
A fala de Lucas Lima - que alguns poderiam qualificar como mais um exemplo de sincericídio - reacende um debate tão antigo quanto irresoluto no futebol brasileiro: vale ao clube manter um jogador com data marcada e/ou desejo declarado de procurar outro emprego?
Os casos são diversos. No próprio Santos, há vários exemplos. O time campeão brasileiro de 2004, por exemplo, perdeu algumas de suas estrelas na virada entre o primeiro e o segundo semestre: Diego, Paulo Almeida, Renato, Alex. Todos fecharam contratos com clubes europeus e esticavam sua permanência no Santos até que a janela do outro continente se abrisse em definitivo. Na ocasião, o então técnico Vanderlei Luxemburgo entendeu que não valia a pena escalar jogadores que poderiam não se empenhar tanto assim em uma bola dividida. O time, repito, foi campeão, no único triunfo do Santos no Brasileirão na era dos pontos corridos. Por outro lado, no ano seguinte Robinho fez beicinho e forçou a barra até que a diretoria o negociasse com o Real Madrid.
Lucas Lima tende a ser um case interessante para esse debate porque seu futebol não é marcado pela "raça", esse conceito tão caro a jogadores de menos recursos. Lima é técnico, refinado, cerebral. No domingo fez um golaço de falta e driblou um são-paulino com um chapéu que será lembrado por anos. Portanto, é possível que ele deixe de lado uma bola perdida ou abra mão de um carrinho para evitar um escanteio adversário. E o que seria visto como natural, no contexto em análise passará a ser identificado como "coisa de jogador vendido".
Não restam dúvidas de que Lucas Lima já está marcado na história do Santos. É talvez o segundo maior jogador santista na década de 2010; perde obviamente para Neymar e rivaliza com outros como Ricardo Oliveira, Ganso, Renato, Léo.
Como torcedor, minha posição é clara: eu tenho o desejo que Lucas Lima "esteja ficando". Compreenderei sua saída, evidentemente. E acredito que ele mostrará o profissionalismo de sempre caso permaneça na Vila mesmo que contratos e propostas se somem em sua frente.
terça-feira, 10 de maio de 2016
O exemplo didático de Eduardo Sasha
A essa hora todo mundo já sabe, mas cabe um resumo rápido: ao comemorar seu gol na final do Gauchão, o colorado Eduardo Sasha arrancou a bandeirinha de escanteio da base e dançou com ela uma valsa, fazendo piada com os 15 anos em que o Grêmio não ganha um título de grande expressão.
A provocação que Sasha fez é o perfeito exemplo de que o futebol pode prosseguir brincalhão, provocativo, animado sem apelar para a incitação à violência ou para coisas que realmente fazem mal à sociedade.
Para compreender isso é muito simples. Sasha fez uma brincadeira meramente ESPORTIVA. Não foi racista, não foi machista, não foi homofóbico nem fez algo com qualquer conotação social.
É muito provável que no próximo Inter x Grêmio em que o tricolor se sair vencedor alguém faça uma provocação lembrando, por exemplo, do Mazembe ou do 5x0 do Brasileiro do ano passado.
E se isso acontecer, merecerá aplausos também.
Não gosto do bordão "o futebol está cada vez mais chato", que volta e meia aparece por aí. Primeiro porque esse tipo de controvérsia sempre existiu (como sempre, na hora de falar do "futebol do passado" as pessoas remetem a um universo perfeito, irreal); e em segundo porque usa-se essa frase para justificar ofensas que realmente merecem ser reprimidas, como as homofóbicas.
Em resumo, o ideal é que o futebol seja "chato" na hora de atacar problemas da sociedade, e "legal" quando enaltecer uma provocação sadia e, principalmente, esportiva em sua essência. Não é algo difícil.
A provocação que Sasha fez é o perfeito exemplo de que o futebol pode prosseguir brincalhão, provocativo, animado sem apelar para a incitação à violência ou para coisas que realmente fazem mal à sociedade.
Para compreender isso é muito simples. Sasha fez uma brincadeira meramente ESPORTIVA. Não foi racista, não foi machista, não foi homofóbico nem fez algo com qualquer conotação social.
É muito provável que no próximo Inter x Grêmio em que o tricolor se sair vencedor alguém faça uma provocação lembrando, por exemplo, do Mazembe ou do 5x0 do Brasileiro do ano passado.
E se isso acontecer, merecerá aplausos também.
Não gosto do bordão "o futebol está cada vez mais chato", que volta e meia aparece por aí. Primeiro porque esse tipo de controvérsia sempre existiu (como sempre, na hora de falar do "futebol do passado" as pessoas remetem a um universo perfeito, irreal); e em segundo porque usa-se essa frase para justificar ofensas que realmente merecem ser reprimidas, como as homofóbicas.
Em resumo, o ideal é que o futebol seja "chato" na hora de atacar problemas da sociedade, e "legal" quando enaltecer uma provocação sadia e, principalmente, esportiva em sua essência. Não é algo difícil.
quinta-feira, 31 de março de 2016
"Fundo do poço" na seleção? Menos, galera
7x1, tropeços nas Eliminatórias, risco de ficar de fora da Copa, técnico pra lá de criticado. O momento da seleção é desastroso, todos sabemos. Nessas horas, é comum que se conteste não somente o que se faz no comando do time amarelo, mas o futebol brasileiro como um todo: acabou a qualidade dos nossos jogadores, estamos no fundo do poço, só o Neymar presta e olhe lá.
É claro que a seleção está fraca e que não temos a quantidade de wordclasses de que dispúnhamos no passado. Mas daí a dizer que nossa safra é péssima, há um grande exagero. Não estou falando exatamente uma novidade: levantamento feito pela ESPN mostra que o Brasil é o único país com atletas entre os oito times que ainda disputam a Liga dos Campeões. Quer mais? Essa mesma situação ocorreu ano passado.
Para reforçar essa análise, muita gente tem lembrado daquela época que considero a verdadeiramente mais sombria do nosso futebol: o período entre as Copas de 1990 e 1994. Se hoje em dia tendemos a achar que o título nos EUA foi a consolidação de uma geração formada no Mundial da Itália, visão possibilitada pela presença de muitos jogadores nas duas Copas (Romário, Bebeto, Dunga, Taffarel, Muller, Ricardo Rocha, Branco), acabamos esquecendo que muita água - da turva - passou pela ponte que separou 1990 e 1994.
O jornalista Dassler Marques lembrou em seu Twitter de nomes aleatórios que jogaram pela seleção à época: gente como Gil Baiano, Odair (o "galã" ex-Palmeiras), Mazinho II (isso mesmo), Careca Bianchesi e outros. Fui relembrar o grupo que representou a seleção na Copa América de 1991.
A lista, que localizei no site Jogos da Seleção Brasileira, mostra que disputaram a competição atletas como Valdir, um volante à época no Atlético-PR; João Paulo, atacante ex-Guarani e Bari; Lira, lateral que atuou por Goiás e Fluminense; Márcio Bittencourt, ex-jogador e técnico do Corinthians; o já citado Mazinho II; e Silvio, um centroavante que jogava no Bragantino.
Acho que não há dúvidas de que Douglas Costa, Luiz Gustavo, Philipe Coutinho e até mesmo David Luiz são melhores do que essa galera, não é mesmo?
PS: Fora Dunga, urgente. O fato de a safra não ser tão ruim quanto parece é o que deixa ainda mais clara a falta de capacidade desse treinador.
É claro que a seleção está fraca e que não temos a quantidade de wordclasses de que dispúnhamos no passado. Mas daí a dizer que nossa safra é péssima, há um grande exagero. Não estou falando exatamente uma novidade: levantamento feito pela ESPN mostra que o Brasil é o único país com atletas entre os oito times que ainda disputam a Liga dos Campeões. Quer mais? Essa mesma situação ocorreu ano passado.
Para reforçar essa análise, muita gente tem lembrado daquela época que considero a verdadeiramente mais sombria do nosso futebol: o período entre as Copas de 1990 e 1994. Se hoje em dia tendemos a achar que o título nos EUA foi a consolidação de uma geração formada no Mundial da Itália, visão possibilitada pela presença de muitos jogadores nas duas Copas (Romário, Bebeto, Dunga, Taffarel, Muller, Ricardo Rocha, Branco), acabamos esquecendo que muita água - da turva - passou pela ponte que separou 1990 e 1994.
O jornalista Dassler Marques lembrou em seu Twitter de nomes aleatórios que jogaram pela seleção à época: gente como Gil Baiano, Odair (o "galã" ex-Palmeiras), Mazinho II (isso mesmo), Careca Bianchesi e outros. Fui relembrar o grupo que representou a seleção na Copa América de 1991.
A lista, que localizei no site Jogos da Seleção Brasileira, mostra que disputaram a competição atletas como Valdir, um volante à época no Atlético-PR; João Paulo, atacante ex-Guarani e Bari; Lira, lateral que atuou por Goiás e Fluminense; Márcio Bittencourt, ex-jogador e técnico do Corinthians; o já citado Mazinho II; e Silvio, um centroavante que jogava no Bragantino.
Acho que não há dúvidas de que Douglas Costa, Luiz Gustavo, Philipe Coutinho e até mesmo David Luiz são melhores do que essa galera, não é mesmo?
PS: Fora Dunga, urgente. O fato de a safra não ser tão ruim quanto parece é o que deixa ainda mais clara a falta de capacidade desse treinador.
terça-feira, 15 de março de 2016
Quando começou o tal "futebol moderno"?
O grito "ódio eterno ao futebol moderno" não é novidade, como já sabemos. Ganhou corpo com os torcedores (?) do Juventus e teve materialidade nos últimos dias, com faixas mostradas pela torcida do Corinthians e do Bahia.
Já expus várias vezes minha visão sobre essa ótica (aqui, aqui, aqui). A considero um tanto quanto utópica, principalmente por se referir a uma época "perfeita" que, na boa, nunca existiu. Mas nem quero, agora, entrar no juízo de valor e debater se o tal futebol moderno é bom ou ruim; a busca é compreender o marco temporal de quem advoga essa causa.
Quando começou esse dito futebol moderno?
A questão me intriga bastante porque comecei a acompanhar futebol no início dos anos 1990. Época de fiasco em Copa do Mundo, de começo de esvaziamento de estádios, de vôlei ameaçando o lugar do futebol como esporte número 1 dos brasileiros. Fui, digamos, "alfabetizado" no futebol em uma época de crise e num momento em que o choque entre o futebol contemporâneo e o do passado era demasiadamente explorado - e o contraste era de fácil realização, afinal comparava-se Pelé com Silas, Vavá com Bismarck, Gilmar com Acácio.
Portanto, para mim ficava claro que o corte entre o futebol moderno e o futebol do passado havia sido feito mais ou menos naquela época: quando as camisas passaram a ter patrocínio estampado, quando os próprios jogadores tinham seus anunciantes, quando os craques (e os nem tanto) começaram a ir ao exterior, quando os jogadores começavam a trocar de clube com grande velocidade.
Mas aí vejo a molecada adepta do "ódio eterno ao futebol moderno" se expressar e minha cabeça dá um grande nó. Embora humorísticas, páginas como Legado da Copa e Cenas Lamentáveis revelam, por meio de comentários dos seus frequentadores, críticas a ícones como David Luiz e Neymar e elogios a outros de "antigamente" (bota aspas nisso) como Odvan, Edmundo, Túlio... Há outras ainda mais sérias, como essa, que vão na mesma linha: atacam a "geração 7x1" mas reverenciam uma atmosfera futebolística já cunhada em TVs a cores, estádios com limitação reduzida e, em alguns casos, turbinada pelas mídias sociais.
Tempos atrás, outra confusão se fez na minha mente quando vi um post elogiando a seleção de 2002. Não que aquele grupo, campeão com sete vitórias em sete jogos, não mereça elogios - a questão é que as loas não se davam por questões esportivas, mas sim por enfoques como "esses respeitavam a camisa", "jogavam sério", "não tinham vaidade", "não pensavam em dinheiro"... lendo o texto, fiquei na dúvida se abordava mesmo um grupo dos anos 2000, repleto de atletas com contratos milionários com empresas de material esportivo, ou de, sei lá, um elenco da várzea da década de 1950...
Porém, o tumulto maior na dificuldade para o estabelecimento do marco temporal se fez quando descobri esse vídeo que vai abaixo, que fala sobre o surgimento de Careca - aquele, ex-Guarani, São Paulo, Napoli e seleção. Narrado por Sérgio Chapelin, o texto - de 1978!! - diz:
"Suas jogadas, lembrando os craques de antigamente, mataram a saudade dos grandes lances, da ousadia do jogador brasileiro. Uma ousadia que marcava o jogador formado nas peladas, conhecedor profundo da bola. O menino Careca fez reviver o nosso futebol, com o seu futebol protegido pelos santos".
Ou seja, em 1978 essa crítica já aparecia.
E aí, meus caros? O futebol moderno começou antes de 1978, é isso?
Já expus várias vezes minha visão sobre essa ótica (aqui, aqui, aqui). A considero um tanto quanto utópica, principalmente por se referir a uma época "perfeita" que, na boa, nunca existiu. Mas nem quero, agora, entrar no juízo de valor e debater se o tal futebol moderno é bom ou ruim; a busca é compreender o marco temporal de quem advoga essa causa.
Quando começou esse dito futebol moderno?
A questão me intriga bastante porque comecei a acompanhar futebol no início dos anos 1990. Época de fiasco em Copa do Mundo, de começo de esvaziamento de estádios, de vôlei ameaçando o lugar do futebol como esporte número 1 dos brasileiros. Fui, digamos, "alfabetizado" no futebol em uma época de crise e num momento em que o choque entre o futebol contemporâneo e o do passado era demasiadamente explorado - e o contraste era de fácil realização, afinal comparava-se Pelé com Silas, Vavá com Bismarck, Gilmar com Acácio.
Portanto, para mim ficava claro que o corte entre o futebol moderno e o futebol do passado havia sido feito mais ou menos naquela época: quando as camisas passaram a ter patrocínio estampado, quando os próprios jogadores tinham seus anunciantes, quando os craques (e os nem tanto) começaram a ir ao exterior, quando os jogadores começavam a trocar de clube com grande velocidade.
Mas aí vejo a molecada adepta do "ódio eterno ao futebol moderno" se expressar e minha cabeça dá um grande nó. Embora humorísticas, páginas como Legado da Copa e Cenas Lamentáveis revelam, por meio de comentários dos seus frequentadores, críticas a ícones como David Luiz e Neymar e elogios a outros de "antigamente" (bota aspas nisso) como Odvan, Edmundo, Túlio... Há outras ainda mais sérias, como essa, que vão na mesma linha: atacam a "geração 7x1" mas reverenciam uma atmosfera futebolística já cunhada em TVs a cores, estádios com limitação reduzida e, em alguns casos, turbinada pelas mídias sociais.
Tempos atrás, outra confusão se fez na minha mente quando vi um post elogiando a seleção de 2002. Não que aquele grupo, campeão com sete vitórias em sete jogos, não mereça elogios - a questão é que as loas não se davam por questões esportivas, mas sim por enfoques como "esses respeitavam a camisa", "jogavam sério", "não tinham vaidade", "não pensavam em dinheiro"... lendo o texto, fiquei na dúvida se abordava mesmo um grupo dos anos 2000, repleto de atletas com contratos milionários com empresas de material esportivo, ou de, sei lá, um elenco da várzea da década de 1950...
Porém, o tumulto maior na dificuldade para o estabelecimento do marco temporal se fez quando descobri esse vídeo que vai abaixo, que fala sobre o surgimento de Careca - aquele, ex-Guarani, São Paulo, Napoli e seleção. Narrado por Sérgio Chapelin, o texto - de 1978!! - diz:"Suas jogadas, lembrando os craques de antigamente, mataram a saudade dos grandes lances, da ousadia do jogador brasileiro. Uma ousadia que marcava o jogador formado nas peladas, conhecedor profundo da bola. O menino Careca fez reviver o nosso futebol, com o seu futebol protegido pelos santos".
Ou seja, em 1978 essa crítica já aparecia.
E aí, meus caros? O futebol moderno começou antes de 1978, é isso?
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Por que o Santos precisa do G4
A vaga na final da Copa do Brasil veio de maneira tranquila. Seria então natural que o time concentrasse seus esforços para a decisão do mata-mata e não mais largasse força nas quartas e domingos do Campeonato Brasileiro.
Mas o Santos não pode pensar dessa forma. E explicarei o motivo.
Houve um tempo em que o Santos não ganhava títulos. Não preenchia, e pronto, sua sala de troféus com novas taças. Foram os sombrios anos 80 (os quais pouco acompanhei) e 90 - desses sim participei, digamos, de camarote.
À época, o Brasilerão não se fazia por pontos corridos. Os regulamentos se alteravam a cada ano. Mas permanecia, em todas as ocasiões, o que chamávamos de "fase decisiva". Fosse o mata-mata puro e simples de 96, 98 e 99; os grupos semifinais de 92, 93 e 97; a insanidade de 94 ou o sistema de dois turnos com mata-mata de 95, o que importa é que havia ali, naquelas ocasiões, o sentimento de "precisamos nos classificar", "na fase seguinte que o bicho pega" e quetais.
Pois bem; mesmo sem levantar taças, o Santos se fazia presente com boa frequência nesses contextos derradeiros. Em todos esses campeonatos que mencionei, só não esteve nas cabeças em 94, 96 e 99. Ali - ainda que com um desfecho frustrante - sabíamos que havia uma relevância nacional, uma chance de título, um motivo para dizer que, bom, pelo menos um dos degraus foi transposto.
Os pontos corridos mudaram o cenário e, hoje, para quem não cai e nem é campeão, a alegria resume-se a chegar ao G4. É o tal passaporte para a Libertadores - vale lembrar que foi por esse caminho que São Paulo e Internacional pavimentaram suas estradas para as conquistas recentes (2005, 2006, 2010).
Agora somemos os dois elementos citados neste texto para chegar à sua conclusão. O Santos está a um mata-mata com o Palmeiras - no qual entrará em campo com favoritismo no mínimo igual ao do adversário - de "pegar vaga na Libertadores" (as aspas aí se apresentam porque ganhar uma Copa do Brasil é muito mais que isso; é titulo, caras!). Por isso poder-se-ia pensar que o Brasileiro poderia não ser a prioridade do momento.
Mas o Santos não pode se conformar em não figurar, por tanto tempo, entre os melhores do campeonato nacional. O jejum é longo - o time não fecha o certame no G4 desde 2007, quando foi vice-campeão com um elenco que contava com Antonio Carlos Zago (!), Petkovic (!!) e era comandado por Vanderlei Luxemburgo.
Já que não há as fases de classificação dos anos 1990, é ao G4 que temos que nos fiar. E é isso que o Santos precisa buscar agora.
Mas o Santos não pode pensar dessa forma. E explicarei o motivo.
Houve um tempo em que o Santos não ganhava títulos. Não preenchia, e pronto, sua sala de troféus com novas taças. Foram os sombrios anos 80 (os quais pouco acompanhei) e 90 - desses sim participei, digamos, de camarote.
À época, o Brasilerão não se fazia por pontos corridos. Os regulamentos se alteravam a cada ano. Mas permanecia, em todas as ocasiões, o que chamávamos de "fase decisiva". Fosse o mata-mata puro e simples de 96, 98 e 99; os grupos semifinais de 92, 93 e 97; a insanidade de 94 ou o sistema de dois turnos com mata-mata de 95, o que importa é que havia ali, naquelas ocasiões, o sentimento de "precisamos nos classificar", "na fase seguinte que o bicho pega" e quetais.
Pois bem; mesmo sem levantar taças, o Santos se fazia presente com boa frequência nesses contextos derradeiros. Em todos esses campeonatos que mencionei, só não esteve nas cabeças em 94, 96 e 99. Ali - ainda que com um desfecho frustrante - sabíamos que havia uma relevância nacional, uma chance de título, um motivo para dizer que, bom, pelo menos um dos degraus foi transposto.
Os pontos corridos mudaram o cenário e, hoje, para quem não cai e nem é campeão, a alegria resume-se a chegar ao G4. É o tal passaporte para a Libertadores - vale lembrar que foi por esse caminho que São Paulo e Internacional pavimentaram suas estradas para as conquistas recentes (2005, 2006, 2010).
Agora somemos os dois elementos citados neste texto para chegar à sua conclusão. O Santos está a um mata-mata com o Palmeiras - no qual entrará em campo com favoritismo no mínimo igual ao do adversário - de "pegar vaga na Libertadores" (as aspas aí se apresentam porque ganhar uma Copa do Brasil é muito mais que isso; é titulo, caras!). Por isso poder-se-ia pensar que o Brasileiro poderia não ser a prioridade do momento.
Mas o Santos não pode se conformar em não figurar, por tanto tempo, entre os melhores do campeonato nacional. O jejum é longo - o time não fecha o certame no G4 desde 2007, quando foi vice-campeão com um elenco que contava com Antonio Carlos Zago (!), Petkovic (!!) e era comandado por Vanderlei Luxemburgo.
Já que não há as fases de classificação dos anos 1990, é ao G4 que temos que nos fiar. E é isso que o Santos precisa buscar agora.
Marcadores:
Brasileirão,
copa do brasil,
futebol,
g4,
santos
Assinar:
Postagens (Atom)









