Bem, falta menos de um mês para o Mundial e, como vai ter Copa sim, podemos nos dedicar a falar um pouco sobre seleções, futebol, bola rolando, assunto tão negligenciado (com certa razão) em virtude das confusões extracampo que o torneio despertou, tem despertado e ainda despertará.
Eu não sou um apaixonado pela seleção brasileira, mas estou longe, bem longe, de ser daqueles que torce contra "em forma de protesto" (embora já tenha pensado assim, admito). No meu caso - reiterando que se trata de uma postura inequivocadamente pessoal - é apenas uma questão de não haver aquela conexão entre a seleção brasileira e meus gostos, meus interesses quando me disponho a torcer.
Isto posto, apresento alguns motivos que nortearão minha torcida durante a Copa. Fatores que me farão torcer contra ou a favor das principais seleções do torneio. Mais uma vez, são critérios pessoais; mas acredito que encontrarão eco no pensamento de muita gente.
Brasil
Porque torcer a favor: porque é meu país, porque a Copa é aqui, porque seria legal para o próprio futebol que a seleção mais vitoriosa da história levantasse uma taça dentro de seu lar. Mas meu principal motivo para torcer a favor do Brasil é pelo fato de que o clima que se instala aqui quando a seleção perde um Mundial é insuportável. A começar porque a culpa pela derrota não é colocada no goleiro, no centroavante, no técnico; a rapaziada prefere insistir em componentes psicológicos, do tipo "eles ganham milhões e não tão nem aí pra nada". Sem contar que, invariavelmente, pouco depois da Copa sempre rola de esportistas brasileiros ganharem torneios em outras modalidades e começar aquela comparação irritante: "olhaí, tá vendo, esses que são atletas de verdade, têm amor ao esporte, não são mercenários como os de futebol". É um ambiente daqueles que dá dor no pâncreas só de pensar. Tô fora.
Porque torcer contra: porque um título brasileiro legitimaria (como foi em 2002) algumas cagadas feitas pela CBF na preparação do time. Não, não estou dizendo que "tem que perder pra moralizar". Ganhando ou perdendo, o Brasil continuará com o seu futebol do jeitinho que é agora - e, além disso, tenho a certeza de que o desempenho da seleção dentro de campo não afetará em nada a conjuntura política. O que me refiro é a bizarrices como a escolha de Felipão - cujo último trabalho no Brasil levou ao rebaixamento de um time grande -, a titularidade de Júlio César, entre outros fatores.
Argentina
Porque torcer a favor: Messi. E pronto. Messi já é um dos maiores jogadores da história do futebol. Ele não está no nível de Tostão, George Best, Zico, Gerd Muller; está no nível de Pelé, Garrincha, Zidane, Maradona. Mas, porém, contudo, todavia, há gente que não o coloca nesse patamar - e única e exclusivamente pelo fato de ele não ter uma Copa do Mundo em seu currículo. Se ele arrebentar no Mundial, se consagrará de maneira inequívoca entre as lendas. E nós testemunharemos a história sendo feita.
Porque torcer contra: não tenho rigorosamente nada contra a população argentina e pouco contra o futebol argentino em si. Também não compactuo, com intensidade, da rivalidade Brasil x Argentina - que, embora exista de verdade, acabou se tornando um pretexto para propagandas péssimas. Porém, eu tenho MUITA raiva de brasileiros que consideram o futebol argentino um modelo. Um argentino driblou três zagueiros? "Oh, essa é a habilidade porteña, coisa rara de ser ver aqui" - e quando o Neymar faz o mesmo, é firulinha. Um argentino deu um carrinho preciso e desarmou um adversário na hora H? "Oh, essa é a raça porteña, coisa que não há no Brasil" - e quando um brasileiro faz o mesmo, está "apelando para a violência". O futebol brasileiro não é perfeito, mas é muito superior do que o argentino, e em quase todos os aspectos (eles só ganham de nós em termos de torcida, mas isso é outra história). O título argentino, e logo aqui, servirá como combustível para a papagaiada.
Alemanha
Porque torcer a favor: geralmente, os mesmos que endeusam o futebol argentino costumam descer a lenha no futebol alemão - e isso, invariavelmente, sem ver nenhum jogo de lá. "Cintura dura", "retranqueiros", etc. E isso mesmo com a Alemanha, atualmente, tendo uma geração ótima, habilidosa, veloz e... ofensiva. É, isso mesmo, hoje em dia a Alemanha joga pra frente. Curiosamente, essa geração - de Khedira, Ozil, Muller, Kroos e outros - não ganhou nenhuma taça. Nem Euro, nem Mundial, nem mesmo Olimpíada. Tá na hora dessa turma ganhar algo.
Porque torcer contra: sinceramente, são poucos os motivos. Acho que só me oporia mesmo a um título alemão se o adversário na decisão fosse o Brasil (peço a releitura do tópico 'Brasil' para compreensão dos motivos) ou uma zebra (porque zebras são legais).
França
Porque torcer a favor: guardadas todas as imensas proporções, o que falei em relação ao Messi se aplica também ao Ribery. Ele é um dos grandes da sua geração, mas não consegue se posicionar como o melhor do mundo pela concorrência com Cristiano Ronaldo e Messi. Numa dessas, com a taça na mão, pode evoluir a ponto de ser, ele também, considerado uma lenda.
Porque torcer contra: tá certo que, como eu já disse, não sofro pela seleção brasileira. Mas não há como desprezar 1998, né? E, pô, se eles ganhassem o bi logo aqui, ia ser meio doído...
Itália
Porque torcer a favor: há pouca coisa que anime qualquer não-italiano a torcer pela Itália hoje. Bem, talvez o Balotelli, sei lá. Ele é uma figura carismática até não poder mais, ia ser divertido ele fazendo a festa com a taça. Também seria bacana ver Buffon e Pirlo encerrando suas extraordinárias carreiras com mais uma Copa do Mundo.
Porque torcer contra: a Itália é tetra. Ganhando aqui, igualaria o Brasil como pentacampeã. É claro que a seleção tem méritos históricos, mas uma de suas estrelas é para um dos piores mundiais de todos os tempos, o de 1934. Sei lá, acho que o Brasil não é o lugar mais indicado para eles alcançarem o quinto título...
Inglaterra
Porque torcer a favor: a Inglaterra tem apenas um título de Copa, o contestado 1966, e isso é relativamente injusto. Não que eles tenham sido roubados nem nada, mas é fato que o futebol inglês revelou muita gente boa ao longo dos anos, e mais recentemente teve uma geração ótima, com nomes como Rooney, Gerrard, Owen, Lampard, Terry e outros. É uma rapaziada que faria jus a um título mundial.
Porque torcer contra: essa mesma turminha aí já teve duas chances para ganhar a Copa (2006 e 2010) e fez feio. Seria uma baita inversão da lógica eles ganharem agora.
Uruguai
Porque torcer a favor: porque o Uruguai é legal. País de 3 milhões de habitantes (o mesmo que a Zona Leste de São Paulo), que já ganhou duas Copas, foi semifinalista em outras duas, merece muito respeito. E formou uma geração séria e promissora, liderada por Luis Suárez. Sem contar a simbologia monstruosa que teria outra taça no Maracanã.
Porque torcer contra: justamente pelo que aconteceu em 1950, pô!
Holanda
Porque torcer a favor: porque a Holanda é um país legal e tem uma seleção legal, e que injustamente nunca subiu ao topo do pódio em Copas. A Holanda - com o time que for - merece uma estrelinha dourada na camisa. Se for agora, tudo bem.
Porque torcer contra: justamente pelo fato de que o grupo atual holandês é pra lá de sem graça. Com a exceção de Robben (e olhe lá), são poucos os holandeses que hoje encantam. Seria estranho ver a geração holandesa atual campeã do mundo e a de Cruyff não.
Espanha
Porque torcer a favor: hegemonias são chatas? Sim, são, é legal que haja uma alternância entre os que conquistam a glória. Por outro lado, eu gosto de testemunhar a história, de ver a consagração de mitos. A Espanha ganhou a Euro em 2008 e 2012 e a Copa em 2010. Se vencer agora, a Espanha obterá um bi em Copas do Mundo que ninguém consegue desde 1962, quando o Brasil faturou a coroa no Chile. Poderei dizer, no futuro, que vi jogar um dos melhores times de todos os tempos.
Porque torcer contra: porque tudo o que se diz sobre a Espanha está condenado ao esquecimento. O que a seleção fez desde o título da Euro não encantou ninguém. Explica muito isso o desmantelamento do histórico Barcelona. A Espanha, hoje, é um time mais sem graça do que foi nas outras disputas.
Portugal
Porque torcer a favor: Cristiano Ronaldo, é claro. Ele está ainda uns degraus abaixo do Messi, mas também caminha para almejar uma posição entre os mitos. A Copa pode ser seu passaporte definitivo. E, além disso, calaria a boca dos que o acham um cara "mais preocupado com o cabelo do que com o futebol".
Porque torcer contra: quem mais tem a seleção de Portugal? O título consagraria uma geração de medianos.
Quanto às outras seleções... bem, zebras são sempre bem-vindas! Mas com moderação...
quarta-feira, 28 de maio de 2014
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Estrago seu trabalho amado em três dias
O pênalti que Neto desperdiçou custou ao Santos o título paulista. Mas, ainda que tivesse sido convertido e o restante da disputa desse a taça ao alvinegro, não seria suficiente para apagar a luz amarela que se acendeu na Vila Belmiro desde a primeira partida da decisão do estadual. A realidade é que a final do Paulistão e o confronto entre Santos e Mixto pela Copa do Brasil mostraram que o trabalho de Oswaldo de Oliveira pode não ser a coisa boa que pareceu no início.
O Santos começou o ano bem demais. O time tinha características interessantes: era ofensivo, mas sem se descuidar atrás. Na verdade, o time parecia se destacar pelo PREPARO FÍSICO. Às vezes, parecia que o Peixe mandava 20 atletas a campo, contra 11 dos adversários. Isso se via bem na obtenção da segunda bola: tudo quanto é rebote ficava nos pés do Santos, dominado por jogadores que apareciam aqui e ali, se multiplicando diante da defesa inimiga.
Era um 4-4-3 que se transformava em 4-2-4, ou seja lá qual for a distribuição numérica. O que importa é que o time todo ia pra cima. Cícero agia como o maestro, o distribuidor de bolas; Arouca (em sua melhor temporada desde 2010) continha os adversários e se mandava para a frente com a desenvoltura que nos encantou naquele ano de título estadual e da Copa do Brasil; Geovânio era uma flecha, incisivo e preciso pela lateral; Thiago Ribeiro, embora irregular, desempenhava bem sua função; até mesmo Damião não comprometia tanto assim; Gabriel evoluía a cada partida e, se ainda assim nada funcionasse, poderíamos recorrer a Rildo no banco de reservas.
Foi dessa forma que o Santos fez a melhor campanha da primeira fase do estadual, goleou o Corinthians e chegou favoritíssimo para a etapa decisiva do torneio.
Mas aí veio a semi com o Penapolense e um sufoco bem maior do que o esperado. Depois, a decisão contra o Ituano e o apagão que todos viram. Contra o Mixto, um jogo pra lá de sem-vergonha em que o 3x0 traduziu como poucas vezes a frase "não fez mais do que a obrigação".
É esse retrospecto recente que traz as incertezas à Vila. Até duas semanas atrás, não seria nada absurdo cravar o Santos entre os principais favoritos ao Brasileiro - não podemos esquecer que se trata de um torneio longo e que tradicionalmente prejudica quem está na Libertadores. Agora, embora eu ainda ache que o time é bom e tem condições de fazer um bom papel, essa certeza não é das mais fortes. Dúvida é a melhor palavra para descrever o sentimento.
Damião e Geovânio
Leandro Damião se tornou o alvo principal da torcida santista e, mais que isso, uma explicação pronta para os problemas do clube. Não ganhamos do Ituano, não fizemos cinco gols em outro jogo? Basta culpar a má forma do cara, e - isso é importante - lembrar a cada instante que ele custou R$ 42 milhões e que a transação que o levou à Vila é mais do que controversa.
OK, não vou aqui forçar a barra na "do contrice" e dizer que Damião está jogando bem. Não, ele não está. Hoje, HOJE, é menos jogador do que Gabriel e nem está muita coisa á frente de Stéfano Yuri, a revelação da Copinha. Um banco para ele não seria mal nenhum. A questão é que é equivocado transferir a ele toda a responsabilidade pelos insucessos. Ontem, por exemplo, ele não jogou. E o Santos foi mal da mesma forma. Há mais problemas do que Damião.
E um deles atende pelo nome de Geovânio. Aliás, serei mais incisivo: a "decadência" (ô palavrinha forte, mas não pensei em outra) do Santos nessas últimas semanas tem tudo a ver com o declínio do Caveirinha. O moleque que começou o ano voando baixo, vestindo a 10 e sendo o melhor jogador do time, hoje é um arremedo do que já foi. Não identifico motivações táticas para o problema, acho que não é por aí. Também nunca ouvi falar nada relacionado a baladas ou a outros fatores que são apontados como as causas da diminuição do futebol de sujeitos que estouram com tudo. A realidade é que Geovânio está menos dinâmico, menos preciso, menos participativo. Não tem chamado o jogo como fazia.
Acredito que é o caso de Oswaldo apostar todas as suas fichas na reabilitação do moleque, que é bom jogador e vinha sendo o craque do time no Paulista. Pode ser ele a saída para que o trabalho amado de OO não vá para o brejo.
O Santos começou o ano bem demais. O time tinha características interessantes: era ofensivo, mas sem se descuidar atrás. Na verdade, o time parecia se destacar pelo PREPARO FÍSICO. Às vezes, parecia que o Peixe mandava 20 atletas a campo, contra 11 dos adversários. Isso se via bem na obtenção da segunda bola: tudo quanto é rebote ficava nos pés do Santos, dominado por jogadores que apareciam aqui e ali, se multiplicando diante da defesa inimiga.
Era um 4-4-3 que se transformava em 4-2-4, ou seja lá qual for a distribuição numérica. O que importa é que o time todo ia pra cima. Cícero agia como o maestro, o distribuidor de bolas; Arouca (em sua melhor temporada desde 2010) continha os adversários e se mandava para a frente com a desenvoltura que nos encantou naquele ano de título estadual e da Copa do Brasil; Geovânio era uma flecha, incisivo e preciso pela lateral; Thiago Ribeiro, embora irregular, desempenhava bem sua função; até mesmo Damião não comprometia tanto assim; Gabriel evoluía a cada partida e, se ainda assim nada funcionasse, poderíamos recorrer a Rildo no banco de reservas.
Foi dessa forma que o Santos fez a melhor campanha da primeira fase do estadual, goleou o Corinthians e chegou favoritíssimo para a etapa decisiva do torneio.
Mas aí veio a semi com o Penapolense e um sufoco bem maior do que o esperado. Depois, a decisão contra o Ituano e o apagão que todos viram. Contra o Mixto, um jogo pra lá de sem-vergonha em que o 3x0 traduziu como poucas vezes a frase "não fez mais do que a obrigação".
É esse retrospecto recente que traz as incertezas à Vila. Até duas semanas atrás, não seria nada absurdo cravar o Santos entre os principais favoritos ao Brasileiro - não podemos esquecer que se trata de um torneio longo e que tradicionalmente prejudica quem está na Libertadores. Agora, embora eu ainda ache que o time é bom e tem condições de fazer um bom papel, essa certeza não é das mais fortes. Dúvida é a melhor palavra para descrever o sentimento.
Damião e Geovânio
Leandro Damião se tornou o alvo principal da torcida santista e, mais que isso, uma explicação pronta para os problemas do clube. Não ganhamos do Ituano, não fizemos cinco gols em outro jogo? Basta culpar a má forma do cara, e - isso é importante - lembrar a cada instante que ele custou R$ 42 milhões e que a transação que o levou à Vila é mais do que controversa.
OK, não vou aqui forçar a barra na "do contrice" e dizer que Damião está jogando bem. Não, ele não está. Hoje, HOJE, é menos jogador do que Gabriel e nem está muita coisa á frente de Stéfano Yuri, a revelação da Copinha. Um banco para ele não seria mal nenhum. A questão é que é equivocado transferir a ele toda a responsabilidade pelos insucessos. Ontem, por exemplo, ele não jogou. E o Santos foi mal da mesma forma. Há mais problemas do que Damião.
E um deles atende pelo nome de Geovânio. Aliás, serei mais incisivo: a "decadência" (ô palavrinha forte, mas não pensei em outra) do Santos nessas últimas semanas tem tudo a ver com o declínio do Caveirinha. O moleque que começou o ano voando baixo, vestindo a 10 e sendo o melhor jogador do time, hoje é um arremedo do que já foi. Não identifico motivações táticas para o problema, acho que não é por aí. Também nunca ouvi falar nada relacionado a baladas ou a outros fatores que são apontados como as causas da diminuição do futebol de sujeitos que estouram com tudo. A realidade é que Geovânio está menos dinâmico, menos preciso, menos participativo. Não tem chamado o jogo como fazia.
Acredito que é o caso de Oswaldo apostar todas as suas fichas na reabilitação do moleque, que é bom jogador e vinha sendo o craque do time no Paulista. Pode ser ele a saída para que o trabalho amado de OO não vá para o brejo.
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segunda-feira, 31 de março de 2014
A insistência na ideia de que o futebol do interior era mais forte antigamente - ainda que os fatos não justifiquem a teoria
Esses dias fiz no Facebook um post em que falava sobre os feitos do Penapolense no Paulistão atual - goleada sobre o Santos na primeira fase, eliminação do São Paulo no Morumbi e que posso atualizar agora, após o duríssimo duelo com o Peixe pela semi do estadual - e que dizia que, se fosse antigamente, essas façanhas do clube seriam cantadas em verso e prosa e serviriam como argumento para dizer que "o futebol do interior do passado era muito mais forte".
Recebi muitos comentários, todos pertinentes, concordando e discordando da minha avaliação. Uma das ponderações lá feitas era a de que os estaduais de antigamente eram mais valorizados do que os atuais - o que é uma verdade indiscutível - e que, por isso, alcançar outrora decisões e vitórias sobre os grandes é algo muito mais digno de aplausos do que os triunfos nos tempos de WhatsApp.
Pois bem, concordo plenamente.
A questão - e isso eu deixei de desenvolver lá no Facebook - é que a lista das façanhas dos times pequenos no passado é bem, mas bem menor do que a mistura entre folclore positivista e saudosismo exagerado nos faz pensar.
Uma análise rápida sobre a bíblia (www.rsssf.com) nos deixa claro que os clubes grandes monopolizavam os estaduais no passado com uma força muito maior do que a atual. Entre 1960 e 1979, uma das eras mais nobres do nosso futebol, sabem em quantas vezes nós tivemos times fora dos 12 grandes vencendo os quatro principais estaduais do Brasil (SP, RJ, RS e MG)? Quatro: duas vezes no Rio (América/60 e Bangu/66), uma em Minas Gerais (Siderúrgica/64) e uma em São Paulo (Portuguesa em 1973 - com todas as ressalvas ao fato de a Lusa não ser exatamente um time pequeno e de aquele campeonato ter tido um desfecho controverso). Desses quatro, apenas um triunfo é de times de fora da capital, vale registrar.
Em compensação, nos 20 campeonatos que separam 1993 e 2013 (não errei a conta; excluo daí as edições de 2002, enfraquecidas por conta dos torneios regionais), a diversidade é maior. Foram seis vezes: três em Minas Gerais (América/93 e 2001 e Ipatinga 2005), duas no Rio Grande do Sul (Juventude/98 e Caxias/2001) e uma em São Paulo (São Caetano/2004).
Sem contar que nesse período também vimos alguns dos times "menores" levantando taças nacionais, como as Copas do Brasil faturadas por Juventude (1999), Santo André (2004) e Paulista de Jundiaí (2005). Rebate isso no passado somente o título brasileiro do Guarani em 1978.
"Pô, mas você tá falando besteira e sendo contraditório. Acabou de falar que os estaduais antigamente eram mais priorizados e agora vem com esse dado de que os times menores estão mais fortes hoje? Esses números não fazem sentido! Os grandes hoje em dia dão menos bola pro estadual, e por isso os pequenos aparecem."
Não estou desprezando isso. Meu ponto é um só: os pequenos, antigamente, não colhiam resultados tão expressivos assim. Provem o contrário!
"Ah, o Santos de Pelé perdeu pro XV de Jaú de 2x0 em 1965!" (estou inventando isso, antes que alguém vá olhar na tabela). De fato! Assim como o Santos de Neymar perdeu para o São Caetano no Paulista de 2012. E que o Corinthians que viria a ser campeão mundial foi derrotado pela Ponte Preta no mesmo ano. E que o Inter em 2010, ano em que ganhou a Libertadores, perdeu de 3x0 para o modesto São José no Gauchão. E que o Vasco em 2011, o melhor ano de sua história recente, levou de 3x1 do Macaé. E etc., etc., etc.
As realizações dos times pequenos do passado não são, em número, tão maiores do que as dos nanicos da atualidade.
Achei importante fazer esse texto porque li há pouco, o artigo "Futuro", de Ugo Giorgetti. Nele, o autor lamenta a decadência do futebol do interior paulista, baseando-se em declínios específicos de algumas equipes e em uma boa dose de memória afetiva - em que pese o fato de seu post ser aberto por uma citação ao Fernando Martinez, do ótimo Jogos Perdidos, cuja opinião sobre as equipes menores tem peso dois, três, quatro.
Discordo de quase tudo o que disse Ugo - até mesmo de sua análise sobre a mídia e a importância dada aos times do exterior, mas isso fica para outro post. Só queria destacar a menção que ele faz ao rebaixamento do Comercial de Ribeirão Preto, apontado por ele como uma das "provas" dessa decadência do futebol do interior.
Mais uma vez, recorro à RSSSF. Lá vejo que o Comercial foi rebaixado do Paulistão em 1968 e só voltaria a enfrentar os grandes do estado em 1974. Mas e aí, "os times do interior não eram mais fortes antigamente"?
E cabe ainda um último ponto: os defensores da tese do "os times do interior eram mais fortes antigamente" em geral agarram-se ferrenhamente ao declínio de tradicionais como o próprio Comercial, "XV's" de Jaú e Piracicaba, Portuguesa Santista e outros para justificar seus pontos de vista. OK, mas... o Ituano não representa o interior? O Penapolense não representa o interior? O Guaratinguetá, melhor time da primeira fase do Paulista em 2008, não representa o interior? Que critérios são esses, que definem um interior que "vale" e um que "não vale"? A entender.
Recebi muitos comentários, todos pertinentes, concordando e discordando da minha avaliação. Uma das ponderações lá feitas era a de que os estaduais de antigamente eram mais valorizados do que os atuais - o que é uma verdade indiscutível - e que, por isso, alcançar outrora decisões e vitórias sobre os grandes é algo muito mais digno de aplausos do que os triunfos nos tempos de WhatsApp.
Pois bem, concordo plenamente.
A questão - e isso eu deixei de desenvolver lá no Facebook - é que a lista das façanhas dos times pequenos no passado é bem, mas bem menor do que a mistura entre folclore positivista e saudosismo exagerado nos faz pensar.
Uma análise rápida sobre a bíblia (www.rsssf.com) nos deixa claro que os clubes grandes monopolizavam os estaduais no passado com uma força muito maior do que a atual. Entre 1960 e 1979, uma das eras mais nobres do nosso futebol, sabem em quantas vezes nós tivemos times fora dos 12 grandes vencendo os quatro principais estaduais do Brasil (SP, RJ, RS e MG)? Quatro: duas vezes no Rio (América/60 e Bangu/66), uma em Minas Gerais (Siderúrgica/64) e uma em São Paulo (Portuguesa em 1973 - com todas as ressalvas ao fato de a Lusa não ser exatamente um time pequeno e de aquele campeonato ter tido um desfecho controverso). Desses quatro, apenas um triunfo é de times de fora da capital, vale registrar.
Em compensação, nos 20 campeonatos que separam 1993 e 2013 (não errei a conta; excluo daí as edições de 2002, enfraquecidas por conta dos torneios regionais), a diversidade é maior. Foram seis vezes: três em Minas Gerais (América/93 e 2001 e Ipatinga 2005), duas no Rio Grande do Sul (Juventude/98 e Caxias/2001) e uma em São Paulo (São Caetano/2004).
Sem contar que nesse período também vimos alguns dos times "menores" levantando taças nacionais, como as Copas do Brasil faturadas por Juventude (1999), Santo André (2004) e Paulista de Jundiaí (2005). Rebate isso no passado somente o título brasileiro do Guarani em 1978.
"Pô, mas você tá falando besteira e sendo contraditório. Acabou de falar que os estaduais antigamente eram mais priorizados e agora vem com esse dado de que os times menores estão mais fortes hoje? Esses números não fazem sentido! Os grandes hoje em dia dão menos bola pro estadual, e por isso os pequenos aparecem."
Não estou desprezando isso. Meu ponto é um só: os pequenos, antigamente, não colhiam resultados tão expressivos assim. Provem o contrário!
"Ah, o Santos de Pelé perdeu pro XV de Jaú de 2x0 em 1965!" (estou inventando isso, antes que alguém vá olhar na tabela). De fato! Assim como o Santos de Neymar perdeu para o São Caetano no Paulista de 2012. E que o Corinthians que viria a ser campeão mundial foi derrotado pela Ponte Preta no mesmo ano. E que o Inter em 2010, ano em que ganhou a Libertadores, perdeu de 3x0 para o modesto São José no Gauchão. E que o Vasco em 2011, o melhor ano de sua história recente, levou de 3x1 do Macaé. E etc., etc., etc.
As realizações dos times pequenos do passado não são, em número, tão maiores do que as dos nanicos da atualidade.
Achei importante fazer esse texto porque li há pouco, o artigo "Futuro", de Ugo Giorgetti. Nele, o autor lamenta a decadência do futebol do interior paulista, baseando-se em declínios específicos de algumas equipes e em uma boa dose de memória afetiva - em que pese o fato de seu post ser aberto por uma citação ao Fernando Martinez, do ótimo Jogos Perdidos, cuja opinião sobre as equipes menores tem peso dois, três, quatro.
Discordo de quase tudo o que disse Ugo - até mesmo de sua análise sobre a mídia e a importância dada aos times do exterior, mas isso fica para outro post. Só queria destacar a menção que ele faz ao rebaixamento do Comercial de Ribeirão Preto, apontado por ele como uma das "provas" dessa decadência do futebol do interior.
Mais uma vez, recorro à RSSSF. Lá vejo que o Comercial foi rebaixado do Paulistão em 1968 e só voltaria a enfrentar os grandes do estado em 1974. Mas e aí, "os times do interior não eram mais fortes antigamente"?
E cabe ainda um último ponto: os defensores da tese do "os times do interior eram mais fortes antigamente" em geral agarram-se ferrenhamente ao declínio de tradicionais como o próprio Comercial, "XV's" de Jaú e Piracicaba, Portuguesa Santista e outros para justificar seus pontos de vista. OK, mas... o Ituano não representa o interior? O Penapolense não representa o interior? O Guaratinguetá, melhor time da primeira fase do Paulista em 2008, não representa o interior? Que critérios são esses, que definem um interior que "vale" e um que "não vale"? A entender.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Uma curiosa "rivalidade civilizada" na Espanha
A fachada do estádio do Real Madrid, o Santiago Bernabéu, impressiona por sua grandiosidade, sua beleza, mas também por outro aspecto que me soou bem inusitado: os mastros com as bandeiras de outros times espanhóis, entre eles os principais rivais dos merengues, Barcelona e Atlético de Madrid.
A prática não é exclusiva do time da capital. Eu vi o mesmo em Barcelona, quando fui ao Camp Nou para assistir à vitória do Valencia sobre o time da casa. Dei aquela olhada para os mastros, pensei um "não é possível, estou vendo coisas", e depois, na casa dos madrilenhos, comprovei a ideia.
Esportividade, civilidade, chamem como quiser. Não sei se é uma regra; até desconfio que sim, e que deve ser aplicada também aos outros times que integram a elite do futebol espanhol (se alguém tiver mais informações, agradeço). É possível também que seja uma simples troca de gentilezas, uma cortesia que ganhou força e se tornou prática rotineira, a ponto de nem ser mais contestada por lá.
Diante de um quadro desses, é comum que nós, brasileiros, pensemos em como estão as coisas por aqui, e se teríamos condições de aplicar procedimento semelhante. O complexo de vira-lata poderia fazer a festa e dizer que nós, violentos e antiquados, jamais teríamos condições de dar essa mostra de fair play e deixar claro que a rivalidade se resume ao dentro de campo.
Bem, é fato que estamos distantes de, um dia, vermos uma bandeira do Grêmio no estádio do Inter, do Flamengo no estádio do Vasco, do Corinthians no estádio do Palmeiras, do Bahia no estádio do Vitória, etc., etc..
Mas a pergunta que eu faço é: nós precisamos disso? Mais: é com atos como esse que transformaremos o futebol em um espetáculo seguro, confiável, atraente para diferentes parcelas da população?
Acredito em simbologias, é claro. Sei da força delas para o futebol e para outros tantos elementos da sociedade. Mas não vejo que a exibição de um símbolo de um rival no estádio do outro possa ter todo esse caráter positivo que poderíamos imaginar. Talvez seja uma "nobreza" que não tenha muita razão de ser - ao menos não para nós, brasileiros; que os espanhóis continuem procedendo da maneira que acharem mais conveniente.
E, numa boa, falando na maior das sinceridades, eu não conseguiria achar NADA positivo em ver uma bandeira de Corinthians, Palmeiras ou São Paulo em destaque na Vila Belmiro... mas não mesmo!
PS: E que ninguém venha dizer que a rivalidade na Espanha não é tão forte assim. Acho que, em muitos casos, ela chega até a ser bem superior à do Brasil, devido a fatores étnicos - o duelo Catalunha-Barcelona x "Espanha"-Real Madrid é o maior exemplo. A pichação abaixo, retratada por mim na ida ao Camp Nou, deixa claro que o pessoal de lá não é muito de aliviar...
| Bandeiras de diferentes clubes espanhóis - entre eles o Barcelona - na fachada do estádio do Real Madrid |
Esportividade, civilidade, chamem como quiser. Não sei se é uma regra; até desconfio que sim, e que deve ser aplicada também aos outros times que integram a elite do futebol espanhol (se alguém tiver mais informações, agradeço). É possível também que seja uma simples troca de gentilezas, uma cortesia que ganhou força e se tornou prática rotineira, a ponto de nem ser mais contestada por lá.
Diante de um quadro desses, é comum que nós, brasileiros, pensemos em como estão as coisas por aqui, e se teríamos condições de aplicar procedimento semelhante. O complexo de vira-lata poderia fazer a festa e dizer que nós, violentos e antiquados, jamais teríamos condições de dar essa mostra de fair play e deixar claro que a rivalidade se resume ao dentro de campo.
Bem, é fato que estamos distantes de, um dia, vermos uma bandeira do Grêmio no estádio do Inter, do Flamengo no estádio do Vasco, do Corinthians no estádio do Palmeiras, do Bahia no estádio do Vitória, etc., etc..
Mas a pergunta que eu faço é: nós precisamos disso? Mais: é com atos como esse que transformaremos o futebol em um espetáculo seguro, confiável, atraente para diferentes parcelas da população?
Acredito em simbologias, é claro. Sei da força delas para o futebol e para outros tantos elementos da sociedade. Mas não vejo que a exibição de um símbolo de um rival no estádio do outro possa ter todo esse caráter positivo que poderíamos imaginar. Talvez seja uma "nobreza" que não tenha muita razão de ser - ao menos não para nós, brasileiros; que os espanhóis continuem procedendo da maneira que acharem mais conveniente.
E, numa boa, falando na maior das sinceridades, eu não conseguiria achar NADA positivo em ver uma bandeira de Corinthians, Palmeiras ou São Paulo em destaque na Vila Belmiro... mas não mesmo!
PS: E que ninguém venha dizer que a rivalidade na Espanha não é tão forte assim. Acho que, em muitos casos, ela chega até a ser bem superior à do Brasil, devido a fatores étnicos - o duelo Catalunha-Barcelona x "Espanha"-Real Madrid é o maior exemplo. A pichação abaixo, retratada por mim na ida ao Camp Nou, deixa claro que o pessoal de lá não é muito de aliviar...
| Antimadridistas sempre! - em catalão, é claro. |
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Sobre tapetões e os diferentes conceitos de justiça
Esse não é um texto sobre o fim do Campeonato Brasileiro e a tal escalação irregular do jogador da Portuguesa que pode levar o clube do Canindé à Série B em 2014 e salvar da degola o Fluminense.
Não é um texto sobre esse episódio - mas sim motivado por ele.
Todas as vezes em que surge a possibilidade de que um clube perca pontos por questões extra-campo - seja a perda algo razoável ou absurdo, seja uma possibilidade concreta ou um delírio individual - um grito ecoa por todos os cantos, dito por todas as bocas possíveis: "querem roubar o que não foi conquistado na bola! Isso não é justo!".
Hum, então. É sobre isso que o texto quer colocar o foco. Sobre a palavra "justo", sobre esse conceito de justiça futebolística.
Quando um campeonato está para se iniciar, todos os times assinam seu regulamento. Que, a partir desse momento, passa a ser uma constituição para todos os envolvidos na disputa. Lá se fala de tudo: sobre mandos de campo, sobre critérios de desempate, sobre características dos estádios e, também, sobre punições.
E se um time pisa na bola e descumpre algo que está previsto no regulamento que ele próprio assinou, aí, meu amigo, não pode chorar o que veio depois.
Não consigo conceber a ideia de criticar um time que pede uma punição a um adversário que descumpriu o regulamento. Se o descumprimento está nítido nas regras, e se a punição é também prevista pelas normas, não há rigorosamente nada de injusto - de trapaça, de mutreta, de o que for - em recorrer a essa via.
"Ah, mas isso vai mudar o resultado conseguido dentro de campo". Não, meu caro. Não vai "mudar o resultado" simplesmente porque o resultado em questão não era para ter acontecido. Um time que escala um jogador irregular está inserindo no contexto da partida um fator que deveria estar externo a ela. E pronto! Não muda nada se o sujeito foi reserva, se mal tocou na bola, se mais atrapalhou do que ajudou. Ele simplesmente não deveria estar lá. E mais que isso: seu clube deveria estar ciente disso. Se sabia da irregularidade, e não atuou para coibi-la, cabe a punição.
É preciso ter mais cuidado ao adotar essa linha do "o que aconteceu dentro de campo é sagrado". Não, não. As regras a respeito da inscrição de jogadores - e de um monte de circunstâncias extra-campo, como condições do estádio, pagamento de tarifas e outras - existem por um propósito, e devem ser respeitadas.
(Um paralelo com o mundo da política: é comum políticos serem eleitos e, posteriormente, a Justiça Eleitoral detectar que houve alguma irregularidade na campanha, e determinar a cassação do sujeito. Que, invariavelmente, apela para o discurso do "querem calar o voto popular" ou "a Justiça decidiu criar um segundo turno". Mantenho o raciocínio: se as regras forem descumpridas, que se aplique a punição. Não existe "vontade popular" mais importante do que as normas estabelecidas, também, pelo povo.)
Agora, sim, trago o debate para o caso atual e o imbróglio Portuguesa-Fluminense. Muita água ainda vai passar por debaixo da ponte. Parece realmente que a Lusa fez besteira, mas tem a seu favor o fato de que a CBF talvez não tenha sido muito clara em sua decisão. O que rejeito é a gritaria - precoce! - em torno do Fluminense por conta do episódio.
Como se o clube das Laranjeiras tivesse culpa por uma suposta bobagem praticada pela diretoria lusitana. Como se a situação atual tivesse alguma relação com as viradas de mesa de 1996 e 2000. E como se, pelo fato de o Flu ser um time do Rio, já desfrutasse de uma imutável condição de vilão perante a eterna coitadinha Portuguesa.
Acho que temos, todos, condição de travar um debate mais inteligente.
Não é um texto sobre esse episódio - mas sim motivado por ele.
Todas as vezes em que surge a possibilidade de que um clube perca pontos por questões extra-campo - seja a perda algo razoável ou absurdo, seja uma possibilidade concreta ou um delírio individual - um grito ecoa por todos os cantos, dito por todas as bocas possíveis: "querem roubar o que não foi conquistado na bola! Isso não é justo!".
Hum, então. É sobre isso que o texto quer colocar o foco. Sobre a palavra "justo", sobre esse conceito de justiça futebolística.
Quando um campeonato está para se iniciar, todos os times assinam seu regulamento. Que, a partir desse momento, passa a ser uma constituição para todos os envolvidos na disputa. Lá se fala de tudo: sobre mandos de campo, sobre critérios de desempate, sobre características dos estádios e, também, sobre punições.
E se um time pisa na bola e descumpre algo que está previsto no regulamento que ele próprio assinou, aí, meu amigo, não pode chorar o que veio depois.
Não consigo conceber a ideia de criticar um time que pede uma punição a um adversário que descumpriu o regulamento. Se o descumprimento está nítido nas regras, e se a punição é também prevista pelas normas, não há rigorosamente nada de injusto - de trapaça, de mutreta, de o que for - em recorrer a essa via.
"Ah, mas isso vai mudar o resultado conseguido dentro de campo". Não, meu caro. Não vai "mudar o resultado" simplesmente porque o resultado em questão não era para ter acontecido. Um time que escala um jogador irregular está inserindo no contexto da partida um fator que deveria estar externo a ela. E pronto! Não muda nada se o sujeito foi reserva, se mal tocou na bola, se mais atrapalhou do que ajudou. Ele simplesmente não deveria estar lá. E mais que isso: seu clube deveria estar ciente disso. Se sabia da irregularidade, e não atuou para coibi-la, cabe a punição.
É preciso ter mais cuidado ao adotar essa linha do "o que aconteceu dentro de campo é sagrado". Não, não. As regras a respeito da inscrição de jogadores - e de um monte de circunstâncias extra-campo, como condições do estádio, pagamento de tarifas e outras - existem por um propósito, e devem ser respeitadas.
(Um paralelo com o mundo da política: é comum políticos serem eleitos e, posteriormente, a Justiça Eleitoral detectar que houve alguma irregularidade na campanha, e determinar a cassação do sujeito. Que, invariavelmente, apela para o discurso do "querem calar o voto popular" ou "a Justiça decidiu criar um segundo turno". Mantenho o raciocínio: se as regras forem descumpridas, que se aplique a punição. Não existe "vontade popular" mais importante do que as normas estabelecidas, também, pelo povo.)
Agora, sim, trago o debate para o caso atual e o imbróglio Portuguesa-Fluminense. Muita água ainda vai passar por debaixo da ponte. Parece realmente que a Lusa fez besteira, mas tem a seu favor o fato de que a CBF talvez não tenha sido muito clara em sua decisão. O que rejeito é a gritaria - precoce! - em torno do Fluminense por conta do episódio.
Como se o clube das Laranjeiras tivesse culpa por uma suposta bobagem praticada pela diretoria lusitana. Como se a situação atual tivesse alguma relação com as viradas de mesa de 1996 e 2000. E como se, pelo fato de o Flu ser um time do Rio, já desfrutasse de uma imutável condição de vilão perante a eterna coitadinha Portuguesa.
Acho que temos, todos, condição de travar um debate mais inteligente.
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quarta-feira, 13 de novembro de 2013
10 conclusões precipitadas sobre o Brasileirão 2013
O Brasileirão está acabando, a temporada 2013 também, e agora é hora de analisar o que se passou. É um tempo que costuma ser marcado pelos "engenheiros de obra pronta", aquela galera que, com os resultados em mãos, enche o peito para explicá-los com uma precisão invejável.
Vamos analisar algumas conclusões precipitadas que emergem após o término do Campeonato Brasileiro.
1. Pontos corridos são chatos, volta mata-mata
Não tem jeito: toda vez que o Brasileiro tiver seu campeão conhecido com muita antecedência, o que será o caso de agora, o grito do "volta mata-mata" ecoará - embora ele já tenha tido mais força, reconheçamos. Eu mesmo sempre fui um inimigo dos pontos corridos, mas hoje não há como negar que abandonar a fórmula seria um retrocesso. Estamos há 10 anos com campeonatos brasileiros em que todo mundo sabe qual a tabela, qual o formato, onde as regras são respeitadas (com um tropeço ou outro), e por aí vai. Não acho que devemos abrir mão disso - e os pontos corridos são a base para essa organização.
2. O Atlético-PR mostrou o caminho: vamos todos ignorar os estaduais
O Furacão faz um ano histórico: está na final da Copa do Brasil (seu melhor desempenho na história do torneio), muito perto de se garantir na Libertadores via Brasileiro e deve terminar o nacional com um honroso vice-campeonato. No começo do ano, o time disputou o Paranaense com uma equipe sub-23 e deixou os titulares aprimorando a forma física e técnica. Soma-se uma coisa à outra (e acrescente a eterna bronca com os estaduais) e tem-se aí uma fórmula mágica. A tábua da verdade vem do Paraná: vamos todos desprezar o estadual e aí é só colher o sucesso no segundo semestre.
É preciso ter calma com isso, por três motivos: o primeiro é que o sucesso apareceu apenas (por enquanto) nesse ano, o primeiro da experiência. Não se pode cravar que a regra se aplicará com todos os outros que se utilizarem da tática. O segundo é que o "pensamento de longo prazo" não foi tãããão real assim no Furacão - o time trocou de técnico no início do Brasileiro; ou seja, não é o mesmo comando desde o início da temporada. E, em terceiro lugar, outros estaduais - em especial o Paulista - são mais competitivos que o Paranaense. Um santista/são-paulino/corintiano/palmeirense pode achar que o Paulistão não vale nem metade do que valem outras taças, mas decerto esse torcedor não quer o rebaixamento da equipe. Vamos esperar o Atlético-PR seguir a ideia ano que vem (além de ver se mais equipes adotam a metodologia) para aí ver se a coisa tem mais procedência.
3. Vanderlei Luxemburgo já era
Ele pegou um Fluminense ruim e entregou ainda pior. Além disso, não conquista algo diferente de estadual há muito tempo. Tudo isso é verdade, mas cabe um pouco mais de calma na hora de dizer que Luxemburgo se tornou um técnico medíocre. Ele ainda tem condições de fazer trabalhos de média qualidade - como o feito no ano passado, quando levou o Grêmio à Libertadores. Já é mais do que muito treinador é capaz de fazer. Deve figurar num time grande ano que vem.
4. O ideal é investir em jogadores baratos
A campanha do Cruzeiro impressiona tanto pelos números assombrosos quanto pela ausência de medalhões no elenco azul. Quem é "o cara" do Cruzeiro? É fato que o time não tem um consagrado como tinha o campeão do ano passado - Fred no Fluminense - e nem mesmo como tivera em 2003, com Alex. Isso mostra uma grande virtude do time cruzeirense, mas é algo que não pode ser interpretado como receita inabalável de sucesso. Dezenas de times foram montados como o elenco atual do Cruzeiro - com uma mescla de jogadores da base, jovens até então desconhecidos e atletas rodados que não emplacaram tanto assim em outros times grandes - e a maioria não deu certo. Ou você soltaria fogos se, no começo do ano, seu time contratasse Dagoberto, Everton Ribeiro e Borges?
5. O que vale é a competência, identificação pode ser desprezada
A filosofia dos "não-medalhões" cruzeirenses se estendeu ao banco, comandado por Marcelo Oliveira - que, até então, tinha uma carreira pequena em clubes grandes. E, mais que isso, carregava (ou carrega?) uma identificação grande com o rival Atlético-MG. Eu não acredito que uma identificação, por maior que seja, impede um profissional de trabalhar em um rival. Mas não podemos negar que é um fator, que, sim, dá sua contribuiçãozinha para que as coisas sejam prejudicadas (o que foi superado no caso atual do Cruzeiro). Se o time azul tropeçasse no começo do campeonato, certamente a atleticanidade de Marcelo seria evocada.
6. O Corinthians foi burro ao investir milhões em Alexandre Pato
Agora o oposto do que aconteceu com o Cruzeiro: o Corinthians investiu milhões em um jogador consagrado que não deu certo. Uma boa matéria do UOL até traçou um paralelo entre os casos, revelando que o montante gasto do Corinthians com Pato compraria todo o Cruzeiro campeão. Então fica a lição de que gastar milhões com um só cara é besteira? Não necessariamente. Pato não vingou no Corinthians por uma série de motivos - e o futebol tem milhões de negócios que se encaixam na categoria do "boas contratações que não deram certo". Pato é só mais um deles. Relançando pergunta de item anterior: quem você gostaria de ver seu time contratando no início do ano, Alexandre Pato ou Everton Ribeiro?
7. Estádio novo é sinal de prejuízo, distanciamento da torcida e maus resultados
O pior time do campeonato, o Náutico, joga em um dos melhores estádios da competição - a Arena Pernambuco, uma das sedes da Copa de 2014. Jogar na nova casa e deixar o tradicionalíssimo Aflitos foi um fator apontado como um dos motivos pelo péssimo brasileirão alvirrubro. O presidente do time chegou até a culpar o bom gramado da Arena - é sério - como elemento relevante. Precisa mesmo comentar? Melhor só recomendar ao dirigente do Timbu - e a quem achar isso - ver o precário e decadente estádio em que joga o Cruzeiro, o campeão.
8. Aposenta, Rogério Ceni / Fica, Rogério Ceni
Aí você pode escolher a sua conclusão precipitada de sua preferência: embora contraditória, as duas pipocaram por aí nos últimos meses. Rogério foi um dos responsáveis, sim, pela má fase do tricolor, que sugeria um rebaixamento - tanto (não) defendendo quanto falhando nas cobranças de pênaltis e faltas. Mas aí o São Paulo ressurgiu e Rogério voltou a jogar bem. E, embora não sendo no Brasileirão, a partida dele contra a Universidad Católica será daquelas lembradas por muitos anos - e virou um argumento para quem defende o veterano. Uma opinião definitiva e "imexível" sobre Rogério é, agora, algo bem precipitado.
9. "Brasília é uma festa", ou "Encontrada a solução para os elefantes brancos"
Vamos analisar algumas conclusões precipitadas que emergem após o término do Campeonato Brasileiro.
1. Pontos corridos são chatos, volta mata-mata
Não tem jeito: toda vez que o Brasileiro tiver seu campeão conhecido com muita antecedência, o que será o caso de agora, o grito do "volta mata-mata" ecoará - embora ele já tenha tido mais força, reconheçamos. Eu mesmo sempre fui um inimigo dos pontos corridos, mas hoje não há como negar que abandonar a fórmula seria um retrocesso. Estamos há 10 anos com campeonatos brasileiros em que todo mundo sabe qual a tabela, qual o formato, onde as regras são respeitadas (com um tropeço ou outro), e por aí vai. Não acho que devemos abrir mão disso - e os pontos corridos são a base para essa organização.
2. O Atlético-PR mostrou o caminho: vamos todos ignorar os estaduais
O Furacão faz um ano histórico: está na final da Copa do Brasil (seu melhor desempenho na história do torneio), muito perto de se garantir na Libertadores via Brasileiro e deve terminar o nacional com um honroso vice-campeonato. No começo do ano, o time disputou o Paranaense com uma equipe sub-23 e deixou os titulares aprimorando a forma física e técnica. Soma-se uma coisa à outra (e acrescente a eterna bronca com os estaduais) e tem-se aí uma fórmula mágica. A tábua da verdade vem do Paraná: vamos todos desprezar o estadual e aí é só colher o sucesso no segundo semestre.
É preciso ter calma com isso, por três motivos: o primeiro é que o sucesso apareceu apenas (por enquanto) nesse ano, o primeiro da experiência. Não se pode cravar que a regra se aplicará com todos os outros que se utilizarem da tática. O segundo é que o "pensamento de longo prazo" não foi tãããão real assim no Furacão - o time trocou de técnico no início do Brasileiro; ou seja, não é o mesmo comando desde o início da temporada. E, em terceiro lugar, outros estaduais - em especial o Paulista - são mais competitivos que o Paranaense. Um santista/são-paulino/corintiano/palmeirense pode achar que o Paulistão não vale nem metade do que valem outras taças, mas decerto esse torcedor não quer o rebaixamento da equipe. Vamos esperar o Atlético-PR seguir a ideia ano que vem (além de ver se mais equipes adotam a metodologia) para aí ver se a coisa tem mais procedência.
3. Vanderlei Luxemburgo já era
Ele pegou um Fluminense ruim e entregou ainda pior. Além disso, não conquista algo diferente de estadual há muito tempo. Tudo isso é verdade, mas cabe um pouco mais de calma na hora de dizer que Luxemburgo se tornou um técnico medíocre. Ele ainda tem condições de fazer trabalhos de média qualidade - como o feito no ano passado, quando levou o Grêmio à Libertadores. Já é mais do que muito treinador é capaz de fazer. Deve figurar num time grande ano que vem.
4. O ideal é investir em jogadores baratos
A campanha do Cruzeiro impressiona tanto pelos números assombrosos quanto pela ausência de medalhões no elenco azul. Quem é "o cara" do Cruzeiro? É fato que o time não tem um consagrado como tinha o campeão do ano passado - Fred no Fluminense - e nem mesmo como tivera em 2003, com Alex. Isso mostra uma grande virtude do time cruzeirense, mas é algo que não pode ser interpretado como receita inabalável de sucesso. Dezenas de times foram montados como o elenco atual do Cruzeiro - com uma mescla de jogadores da base, jovens até então desconhecidos e atletas rodados que não emplacaram tanto assim em outros times grandes - e a maioria não deu certo. Ou você soltaria fogos se, no começo do ano, seu time contratasse Dagoberto, Everton Ribeiro e Borges?
5. O que vale é a competência, identificação pode ser desprezada
A filosofia dos "não-medalhões" cruzeirenses se estendeu ao banco, comandado por Marcelo Oliveira - que, até então, tinha uma carreira pequena em clubes grandes. E, mais que isso, carregava (ou carrega?) uma identificação grande com o rival Atlético-MG. Eu não acredito que uma identificação, por maior que seja, impede um profissional de trabalhar em um rival. Mas não podemos negar que é um fator, que, sim, dá sua contribuiçãozinha para que as coisas sejam prejudicadas (o que foi superado no caso atual do Cruzeiro). Se o time azul tropeçasse no começo do campeonato, certamente a atleticanidade de Marcelo seria evocada.
6. O Corinthians foi burro ao investir milhões em Alexandre Pato
Agora o oposto do que aconteceu com o Cruzeiro: o Corinthians investiu milhões em um jogador consagrado que não deu certo. Uma boa matéria do UOL até traçou um paralelo entre os casos, revelando que o montante gasto do Corinthians com Pato compraria todo o Cruzeiro campeão. Então fica a lição de que gastar milhões com um só cara é besteira? Não necessariamente. Pato não vingou no Corinthians por uma série de motivos - e o futebol tem milhões de negócios que se encaixam na categoria do "boas contratações que não deram certo". Pato é só mais um deles. Relançando pergunta de item anterior: quem você gostaria de ver seu time contratando no início do ano, Alexandre Pato ou Everton Ribeiro?
7. Estádio novo é sinal de prejuízo, distanciamento da torcida e maus resultados
O pior time do campeonato, o Náutico, joga em um dos melhores estádios da competição - a Arena Pernambuco, uma das sedes da Copa de 2014. Jogar na nova casa e deixar o tradicionalíssimo Aflitos foi um fator apontado como um dos motivos pelo péssimo brasileirão alvirrubro. O presidente do time chegou até a culpar o bom gramado da Arena - é sério - como elemento relevante. Precisa mesmo comentar? Melhor só recomendar ao dirigente do Timbu - e a quem achar isso - ver o precário e decadente estádio em que joga o Cruzeiro, o campeão.
8. Aposenta, Rogério Ceni / Fica, Rogério Ceni
Aí você pode escolher a sua conclusão precipitada de sua preferência: embora contraditória, as duas pipocaram por aí nos últimos meses. Rogério foi um dos responsáveis, sim, pela má fase do tricolor, que sugeria um rebaixamento - tanto (não) defendendo quanto falhando nas cobranças de pênaltis e faltas. Mas aí o São Paulo ressurgiu e Rogério voltou a jogar bem. E, embora não sendo no Brasileirão, a partida dele contra a Universidad Católica será daquelas lembradas por muitos anos - e virou um argumento para quem defende o veterano. Uma opinião definitiva e "imexível" sobre Rogério é, agora, algo bem precipitado.
9. "Brasília é uma festa", ou "Encontrada a solução para os elefantes brancos"
A abertura do Brasileirão registrou mais de 60 mil torcedores - inclusive este que vos escreve - para prestigiar o primeiro jogo grande do estádio Mané Garrincha, em Brasília, entre Santos e Flamengo. Casa cheia, ausência de problemas sérios de violência, empolgação com o estádio e tentativa de reversão da pecha de "elefante branco" motivaram o Flamengo e outros times a mandarem jogos no estádio. Parecia que ali estava a solução para as caras arenas erguidas em cidades sem muita tradição futebolística. Mas a conclusão precipitada foi se desmontando ao longo do próprio Brasileiro - o público em Brasília decaiu a cada rodada, principalmente por causa da perda do "efeito novidade". Vamos ver como a coisa fica no ano que vem, principalmente no pós-Copa.
10. Ronaldinho Gaúcho faz mal ao Atlético-MG; Fernandinho é o cara
O Galo ganhou a Libertadores e, em seguida - como é quase uma regra entre os times brasileiros - entrou em má fase. Foi eliminado da Copa do Brasil e deixou de vencer no Brasileirão, chegando até a se aproximar da zona do rebaixamento. Ronaldinho não vinha bem. Aí ele se contundiu. O Atlético trouxe Fernandinho, ex-São Paulo, para sua linha de frente e o time melhorou - hoje "briga pela Libertadores", no sentido metafórico do termo.
Apesar de os fatos sugerirem isso, é preciso ter calma para definir Ronaldinho como a chaga do Galo - e ainda mais cautela na hora de considerar Fernandinho um craque. Ninguém alcança o status de Ronaldinho à toa. E o time inteiro jogou mal no pós-Libertadores, não só ele. Quanto a Fernandinho, não há são-paulino que não tenha comemorado quando ele deixou o Morumbi tempos atrás. Deu certo no Galo, é fato, mas que ninguém diga que era uma tacada certeira.
10. Ronaldinho Gaúcho faz mal ao Atlético-MG; Fernandinho é o cara
O Galo ganhou a Libertadores e, em seguida - como é quase uma regra entre os times brasileiros - entrou em má fase. Foi eliminado da Copa do Brasil e deixou de vencer no Brasileirão, chegando até a se aproximar da zona do rebaixamento. Ronaldinho não vinha bem. Aí ele se contundiu. O Atlético trouxe Fernandinho, ex-São Paulo, para sua linha de frente e o time melhorou - hoje "briga pela Libertadores", no sentido metafórico do termo.
Apesar de os fatos sugerirem isso, é preciso ter calma para definir Ronaldinho como a chaga do Galo - e ainda mais cautela na hora de considerar Fernandinho um craque. Ninguém alcança o status de Ronaldinho à toa. E o time inteiro jogou mal no pós-Libertadores, não só ele. Quanto a Fernandinho, não há são-paulino que não tenha comemorado quando ele deixou o Morumbi tempos atrás. Deu certo no Galo, é fato, mas que ninguém diga que era uma tacada certeira.
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terça-feira, 12 de novembro de 2013
Paulista de Jundiaí impede que façanha de MG seja única
O futebol de Minas é campeão da Libertadores com o Atlético e está 99,9% com a mão na taça do Brasileirão, com o Cruzeiro. Façanha histórica, que faz com que 2013 seja, sem dúvidas, o melhor ano da história do futebol mineiro. E que pode alcançar um patamar ainda maior se o Galo for campeão do mundo em dezembro.
A "hegemonia" que Minas Gerais impõe é impressionante e positiva para o futebol brasileiro (um abraço aos advogados da "espanholização"), mas não é única. Houve outros anos em que a bola foi dominada por times do mesmo estado.
E vai ser difícil alcançar o que São Paulo conseguiu em 2005. Naquele ano, o estado mais populoso do Brasil foi campeão do mundo, da Libertadores, do Brasileiro e da Copa do Brasil. Títulos conquistados por São Paulo, Corinthians e... Paulista de Jundiaí.
Isso mesmo: a zebrística conquista do Paulista em 2005 é o que coroa a temporada 2005 como a mais hegemônica de um estado no Brasil.
Nunca mais um estado faturou, na mesma temporada, as quatro mais importantes competições "não-estaduais": Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial de Clubes. Houve quem passasse perto.
Aí vai uma relação com todas as tríplices/quádruplas/duplas coroas do futebol nacional, contabilizadas a partir de 1989, ano em que rolou a primeira Copa do Brasil*:
Quádrupla
SP-2005 (São Paulo - Libertadores e Mundial; Corinthians - Brasileiro; Paulista - Copa do Brasil)
Tripla
SP-2012 (Corinthians - Libertadores e Mundial; Palmeiras - Copa do Brasil), SP-1993 (São Paulo - Libertadores e Mundial; Palmeiras - Brasileiro)
Dupla
MG-2013** (Cruzeiro - Brasileiro; Atlético - Libertadores), SP-2011 (Santos - Libertadores; Corinthians - Brasileiro), SP-2004 (Santos - Brasileiro; Santo André - Copa do Brasil), MG-2003 (Cruzeiro - Brasileiro e Copa do Brasil), SP-2002 (Santos - Brasileiro; Corinthians - Copa do Brasil), SP-1999 (Palmeiras - Libertadores; Corinthians - Brasileiro), SP-1998 (Palmeiras - Copa do Brasil; Corinthians - Brasileiro)
* - excluo da dupla os casos em que um time faturou Libertadores e Mundial, pela obviedade da coisa
** - pode virar uma tripla se o Galo ganhar o Mundial
A "hegemonia" que Minas Gerais impõe é impressionante e positiva para o futebol brasileiro (um abraço aos advogados da "espanholização"), mas não é única. Houve outros anos em que a bola foi dominada por times do mesmo estado.
E vai ser difícil alcançar o que São Paulo conseguiu em 2005. Naquele ano, o estado mais populoso do Brasil foi campeão do mundo, da Libertadores, do Brasileiro e da Copa do Brasil. Títulos conquistados por São Paulo, Corinthians e... Paulista de Jundiaí.
Isso mesmo: a zebrística conquista do Paulista em 2005 é o que coroa a temporada 2005 como a mais hegemônica de um estado no Brasil.
O jogo do título do Paulista
Nunca mais um estado faturou, na mesma temporada, as quatro mais importantes competições "não-estaduais": Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial de Clubes. Houve quem passasse perto.
Aí vai uma relação com todas as tríplices/quádruplas/duplas coroas do futebol nacional, contabilizadas a partir de 1989, ano em que rolou a primeira Copa do Brasil*:
Quádrupla
SP-2005 (São Paulo - Libertadores e Mundial; Corinthians - Brasileiro; Paulista - Copa do Brasil)
Tripla
SP-2012 (Corinthians - Libertadores e Mundial; Palmeiras - Copa do Brasil), SP-1993 (São Paulo - Libertadores e Mundial; Palmeiras - Brasileiro)
Dupla
MG-2013** (Cruzeiro - Brasileiro; Atlético - Libertadores), SP-2011 (Santos - Libertadores; Corinthians - Brasileiro), SP-2004 (Santos - Brasileiro; Santo André - Copa do Brasil), MG-2003 (Cruzeiro - Brasileiro e Copa do Brasil), SP-2002 (Santos - Brasileiro; Corinthians - Copa do Brasil), SP-1999 (Palmeiras - Libertadores; Corinthians - Brasileiro), SP-1998 (Palmeiras - Copa do Brasil; Corinthians - Brasileiro)
* - excluo da dupla os casos em que um time faturou Libertadores e Mundial, pela obviedade da coisa
** - pode virar uma tripla se o Galo ganhar o Mundial
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