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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Uma curiosa "rivalidade civilizada" na Espanha

A fachada do estádio do Real Madrid, o Santiago Bernabéu, impressiona por sua grandiosidade, sua beleza, mas também por outro aspecto que me soou bem inusitado: os mastros com as bandeiras de outros times espanhóis, entre eles os principais rivais dos merengues, Barcelona e Atlético de Madrid.

Bandeiras de diferentes clubes espanhóis - entre eles o Barcelona - na fachada do estádio do Real Madrid
A prática não é exclusiva do time da capital. Eu vi o mesmo em Barcelona, quando fui ao Camp Nou para assistir à vitória do Valencia sobre o time da casa. Dei aquela olhada para os mastros, pensei um "não é possível, estou vendo coisas", e depois, na casa dos madrilenhos, comprovei a ideia.

Esportividade, civilidade, chamem como quiser. Não sei se é uma regra; até desconfio que sim, e que deve ser aplicada também aos outros times que integram a elite do futebol espanhol (se alguém tiver mais informações, agradeço). É possível também que seja uma simples troca de gentilezas, uma cortesia que ganhou força e se tornou prática rotineira, a ponto de nem ser mais contestada por lá.

Diante de um quadro desses, é comum que nós, brasileiros, pensemos em como estão as coisas por aqui, e se teríamos condições de aplicar procedimento semelhante. O complexo de vira-lata poderia fazer a festa e dizer que nós, violentos e antiquados, jamais teríamos condições de dar essa mostra de fair play e deixar claro que a rivalidade se resume ao dentro de campo.

Bem, é fato que estamos distantes de, um dia, vermos uma bandeira do Grêmio no estádio do Inter, do Flamengo no estádio do Vasco, do Corinthians no estádio do Palmeiras, do Bahia no estádio do Vitória, etc., etc..

Mas a pergunta que eu faço é: nós precisamos disso? Mais: é com atos como esse que transformaremos o futebol em um espetáculo seguro, confiável, atraente para diferentes parcelas da população?

Acredito em simbologias, é claro. Sei da força delas para o futebol e para outros tantos elementos da sociedade. Mas não vejo que a exibição de um símbolo de um rival no estádio do outro possa ter todo esse caráter positivo que poderíamos imaginar. Talvez seja uma "nobreza" que não tenha muita razão de ser - ao menos não para nós, brasileiros; que os espanhóis continuem procedendo da maneira que acharem mais conveniente.

E, numa boa, falando na maior das sinceridades, eu não conseguiria achar NADA positivo em ver uma bandeira de Corinthians, Palmeiras ou São Paulo em destaque na Vila Belmiro... mas não mesmo!

PS: E que ninguém venha dizer que a rivalidade na Espanha não é tão forte assim. Acho que, em muitos casos, ela chega até a ser bem superior à do Brasil, devido a fatores étnicos - o duelo Catalunha-Barcelona x "Espanha"-Real Madrid é o maior exemplo. A pichação abaixo, retratada por mim na ida ao Camp Nou, deixa claro que o pessoal de lá não é muito de aliviar...

Antimadridistas sempre! - em catalão, é claro.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ainda no aquecimento

O jogo mais importante do primeiro dia de Liga dos Campeões teve seu placar alternado já aos 23 segundos. Alexandre Pato recebeu bola ainda no meio-, iniciou uma precisa e rápida corrida e surpreendeu uma desorientada defesa do Barcelona. O gol deixou o Milan em vantagem por fundamentais minutos, e foi decisivo para que o time italiano deixasse o Camp Nou com um ponto.

O tento foi possível por méritos de Alexandre Pato - que mostrou uma impressionante velocidade e um acerto no arremate invejáveis - e por falhas da zaga barcelonista, que parecia que não tinha se ligado que o jogo já havia começado. E me fez pensar: será que mais times deveriam ensaiar jogadas para tentarem chegar ao gol logo no início?

Porque, invariavelmente, os gols de começo de jogo são frutos de chutões para a meta - que se beneficiam de um goleiro desorientado - ou, como no caso do gol de Pato, de uma defesa mal postada. Tenho na lembrança um jogo do Campeonato Espanhol de anos atrás (mas não sei quais os times, nem o ano, nem nenhum outro dado, infelizmente) em que um gol saiu de uma jogada ensaiada após o pontapé inicial, mas só isso.

Pode parecer bobagem apostar nisso, mas imagine um time que se planejasse para fazer 1x0 ainda antes da maioria dos torcedores sentarem em suas cadeiras? Teria a vantagem numérica em suas mãos e desorientaria o adversário. Aliás, acredito eu, tal tática seria ainda mais eficiente se aplicada em jogos de campeonatos de pontos corridos, já que nos mata-matas a pressão pelo resultado é maior e desperta atenções ainda no apito inicial.

É evidente que a jogada não poderia entrar em ação em todo jogo, sob o risco de se tornar facilmente combatida - mais ou menos como a falta que Ronaldinho bateu contra o Santos no 5x4 da Vila Belmiro. Mas seria uma boa alternativa.