Esse não é um texto sobre o fim do Campeonato Brasileiro e a tal escalação irregular do jogador da Portuguesa que pode levar o clube do Canindé à Série B em 2014 e salvar da degola o Fluminense.
Não é um texto sobre esse episódio - mas sim motivado por ele.
Todas as vezes em que surge a possibilidade de que um clube perca pontos por questões extra-campo - seja a perda algo razoável ou absurdo, seja uma possibilidade concreta ou um delírio individual - um grito ecoa por todos os cantos, dito por todas as bocas possíveis: "querem roubar o que não foi conquistado na bola! Isso não é justo!".
Hum, então. É sobre isso que o texto quer colocar o foco. Sobre a palavra "justo", sobre esse conceito de justiça futebolística.
Quando um campeonato está para se iniciar, todos os times assinam seu regulamento. Que, a partir desse momento, passa a ser uma constituição para todos os envolvidos na disputa. Lá se fala de tudo: sobre mandos de campo, sobre critérios de desempate, sobre características dos estádios e, também, sobre punições.
E se um time pisa na bola e descumpre algo que está previsto no regulamento que ele próprio assinou, aí, meu amigo, não pode chorar o que veio depois.
Não consigo conceber a ideia de criticar um time que pede uma punição a um adversário que descumpriu o regulamento. Se o descumprimento está nítido nas regras, e se a punição é também prevista pelas normas, não há rigorosamente nada de injusto - de trapaça, de mutreta, de o que for - em recorrer a essa via.
"Ah, mas isso vai mudar o resultado conseguido dentro de campo". Não, meu caro. Não vai "mudar o resultado" simplesmente porque o resultado em questão não era para ter acontecido. Um time que escala um jogador irregular está inserindo no contexto da partida um fator que deveria estar externo a ela. E pronto! Não muda nada se o sujeito foi reserva, se mal tocou na bola, se mais atrapalhou do que ajudou. Ele simplesmente não deveria estar lá. E mais que isso: seu clube deveria estar ciente disso. Se sabia da irregularidade, e não atuou para coibi-la, cabe a punição.
É preciso ter mais cuidado ao adotar essa linha do "o que aconteceu dentro de campo é sagrado". Não, não. As regras a respeito da inscrição de jogadores - e de um monte de circunstâncias extra-campo, como condições do estádio, pagamento de tarifas e outras - existem por um propósito, e devem ser respeitadas.
(Um paralelo com o mundo da política: é comum políticos serem eleitos e, posteriormente, a Justiça Eleitoral detectar que houve alguma irregularidade na campanha, e determinar a cassação do sujeito. Que, invariavelmente, apela para o discurso do "querem calar o voto popular" ou "a Justiça decidiu criar um segundo turno". Mantenho o raciocínio: se as regras forem descumpridas, que se aplique a punição. Não existe "vontade popular" mais importante do que as normas estabelecidas, também, pelo povo.)
Agora, sim, trago o debate para o caso atual e o imbróglio Portuguesa-Fluminense. Muita água ainda vai passar por debaixo da ponte. Parece realmente que a Lusa fez besteira, mas tem a seu favor o fato de que a CBF talvez não tenha sido muito clara em sua decisão. O que rejeito é a gritaria - precoce! - em torno do Fluminense por conta do episódio.
Como se o clube das Laranjeiras tivesse culpa por uma suposta bobagem praticada pela diretoria lusitana. Como se a situação atual tivesse alguma relação com as viradas de mesa de 1996 e 2000. E como se, pelo fato de o Flu ser um time do Rio, já desfrutasse de uma imutável condição de vilão perante a eterna coitadinha Portuguesa.
Acho que temos, todos, condição de travar um debate mais inteligente.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
10 conclusões precipitadas sobre o Brasileirão 2013
O Brasileirão está acabando, a temporada 2013 também, e agora é hora de analisar o que se passou. É um tempo que costuma ser marcado pelos "engenheiros de obra pronta", aquela galera que, com os resultados em mãos, enche o peito para explicá-los com uma precisão invejável.
Vamos analisar algumas conclusões precipitadas que emergem após o término do Campeonato Brasileiro.
1. Pontos corridos são chatos, volta mata-mata
Não tem jeito: toda vez que o Brasileiro tiver seu campeão conhecido com muita antecedência, o que será o caso de agora, o grito do "volta mata-mata" ecoará - embora ele já tenha tido mais força, reconheçamos. Eu mesmo sempre fui um inimigo dos pontos corridos, mas hoje não há como negar que abandonar a fórmula seria um retrocesso. Estamos há 10 anos com campeonatos brasileiros em que todo mundo sabe qual a tabela, qual o formato, onde as regras são respeitadas (com um tropeço ou outro), e por aí vai. Não acho que devemos abrir mão disso - e os pontos corridos são a base para essa organização.
2. O Atlético-PR mostrou o caminho: vamos todos ignorar os estaduais
O Furacão faz um ano histórico: está na final da Copa do Brasil (seu melhor desempenho na história do torneio), muito perto de se garantir na Libertadores via Brasileiro e deve terminar o nacional com um honroso vice-campeonato. No começo do ano, o time disputou o Paranaense com uma equipe sub-23 e deixou os titulares aprimorando a forma física e técnica. Soma-se uma coisa à outra (e acrescente a eterna bronca com os estaduais) e tem-se aí uma fórmula mágica. A tábua da verdade vem do Paraná: vamos todos desprezar o estadual e aí é só colher o sucesso no segundo semestre.
É preciso ter calma com isso, por três motivos: o primeiro é que o sucesso apareceu apenas (por enquanto) nesse ano, o primeiro da experiência. Não se pode cravar que a regra se aplicará com todos os outros que se utilizarem da tática. O segundo é que o "pensamento de longo prazo" não foi tãããão real assim no Furacão - o time trocou de técnico no início do Brasileiro; ou seja, não é o mesmo comando desde o início da temporada. E, em terceiro lugar, outros estaduais - em especial o Paulista - são mais competitivos que o Paranaense. Um santista/são-paulino/corintiano/palmeirense pode achar que o Paulistão não vale nem metade do que valem outras taças, mas decerto esse torcedor não quer o rebaixamento da equipe. Vamos esperar o Atlético-PR seguir a ideia ano que vem (além de ver se mais equipes adotam a metodologia) para aí ver se a coisa tem mais procedência.
3. Vanderlei Luxemburgo já era
Ele pegou um Fluminense ruim e entregou ainda pior. Além disso, não conquista algo diferente de estadual há muito tempo. Tudo isso é verdade, mas cabe um pouco mais de calma na hora de dizer que Luxemburgo se tornou um técnico medíocre. Ele ainda tem condições de fazer trabalhos de média qualidade - como o feito no ano passado, quando levou o Grêmio à Libertadores. Já é mais do que muito treinador é capaz de fazer. Deve figurar num time grande ano que vem.
4. O ideal é investir em jogadores baratos
A campanha do Cruzeiro impressiona tanto pelos números assombrosos quanto pela ausência de medalhões no elenco azul. Quem é "o cara" do Cruzeiro? É fato que o time não tem um consagrado como tinha o campeão do ano passado - Fred no Fluminense - e nem mesmo como tivera em 2003, com Alex. Isso mostra uma grande virtude do time cruzeirense, mas é algo que não pode ser interpretado como receita inabalável de sucesso. Dezenas de times foram montados como o elenco atual do Cruzeiro - com uma mescla de jogadores da base, jovens até então desconhecidos e atletas rodados que não emplacaram tanto assim em outros times grandes - e a maioria não deu certo. Ou você soltaria fogos se, no começo do ano, seu time contratasse Dagoberto, Everton Ribeiro e Borges?
5. O que vale é a competência, identificação pode ser desprezada
A filosofia dos "não-medalhões" cruzeirenses se estendeu ao banco, comandado por Marcelo Oliveira - que, até então, tinha uma carreira pequena em clubes grandes. E, mais que isso, carregava (ou carrega?) uma identificação grande com o rival Atlético-MG. Eu não acredito que uma identificação, por maior que seja, impede um profissional de trabalhar em um rival. Mas não podemos negar que é um fator, que, sim, dá sua contribuiçãozinha para que as coisas sejam prejudicadas (o que foi superado no caso atual do Cruzeiro). Se o time azul tropeçasse no começo do campeonato, certamente a atleticanidade de Marcelo seria evocada.
6. O Corinthians foi burro ao investir milhões em Alexandre Pato
Agora o oposto do que aconteceu com o Cruzeiro: o Corinthians investiu milhões em um jogador consagrado que não deu certo. Uma boa matéria do UOL até traçou um paralelo entre os casos, revelando que o montante gasto do Corinthians com Pato compraria todo o Cruzeiro campeão. Então fica a lição de que gastar milhões com um só cara é besteira? Não necessariamente. Pato não vingou no Corinthians por uma série de motivos - e o futebol tem milhões de negócios que se encaixam na categoria do "boas contratações que não deram certo". Pato é só mais um deles. Relançando pergunta de item anterior: quem você gostaria de ver seu time contratando no início do ano, Alexandre Pato ou Everton Ribeiro?
7. Estádio novo é sinal de prejuízo, distanciamento da torcida e maus resultados
O pior time do campeonato, o Náutico, joga em um dos melhores estádios da competição - a Arena Pernambuco, uma das sedes da Copa de 2014. Jogar na nova casa e deixar o tradicionalíssimo Aflitos foi um fator apontado como um dos motivos pelo péssimo brasileirão alvirrubro. O presidente do time chegou até a culpar o bom gramado da Arena - é sério - como elemento relevante. Precisa mesmo comentar? Melhor só recomendar ao dirigente do Timbu - e a quem achar isso - ver o precário e decadente estádio em que joga o Cruzeiro, o campeão.
8. Aposenta, Rogério Ceni / Fica, Rogério Ceni
Aí você pode escolher a sua conclusão precipitada de sua preferência: embora contraditória, as duas pipocaram por aí nos últimos meses. Rogério foi um dos responsáveis, sim, pela má fase do tricolor, que sugeria um rebaixamento - tanto (não) defendendo quanto falhando nas cobranças de pênaltis e faltas. Mas aí o São Paulo ressurgiu e Rogério voltou a jogar bem. E, embora não sendo no Brasileirão, a partida dele contra a Universidad Católica será daquelas lembradas por muitos anos - e virou um argumento para quem defende o veterano. Uma opinião definitiva e "imexível" sobre Rogério é, agora, algo bem precipitado.
9. "Brasília é uma festa", ou "Encontrada a solução para os elefantes brancos"
Vamos analisar algumas conclusões precipitadas que emergem após o término do Campeonato Brasileiro.
1. Pontos corridos são chatos, volta mata-mata
Não tem jeito: toda vez que o Brasileiro tiver seu campeão conhecido com muita antecedência, o que será o caso de agora, o grito do "volta mata-mata" ecoará - embora ele já tenha tido mais força, reconheçamos. Eu mesmo sempre fui um inimigo dos pontos corridos, mas hoje não há como negar que abandonar a fórmula seria um retrocesso. Estamos há 10 anos com campeonatos brasileiros em que todo mundo sabe qual a tabela, qual o formato, onde as regras são respeitadas (com um tropeço ou outro), e por aí vai. Não acho que devemos abrir mão disso - e os pontos corridos são a base para essa organização.
2. O Atlético-PR mostrou o caminho: vamos todos ignorar os estaduais
O Furacão faz um ano histórico: está na final da Copa do Brasil (seu melhor desempenho na história do torneio), muito perto de se garantir na Libertadores via Brasileiro e deve terminar o nacional com um honroso vice-campeonato. No começo do ano, o time disputou o Paranaense com uma equipe sub-23 e deixou os titulares aprimorando a forma física e técnica. Soma-se uma coisa à outra (e acrescente a eterna bronca com os estaduais) e tem-se aí uma fórmula mágica. A tábua da verdade vem do Paraná: vamos todos desprezar o estadual e aí é só colher o sucesso no segundo semestre.
É preciso ter calma com isso, por três motivos: o primeiro é que o sucesso apareceu apenas (por enquanto) nesse ano, o primeiro da experiência. Não se pode cravar que a regra se aplicará com todos os outros que se utilizarem da tática. O segundo é que o "pensamento de longo prazo" não foi tãããão real assim no Furacão - o time trocou de técnico no início do Brasileiro; ou seja, não é o mesmo comando desde o início da temporada. E, em terceiro lugar, outros estaduais - em especial o Paulista - são mais competitivos que o Paranaense. Um santista/são-paulino/corintiano/palmeirense pode achar que o Paulistão não vale nem metade do que valem outras taças, mas decerto esse torcedor não quer o rebaixamento da equipe. Vamos esperar o Atlético-PR seguir a ideia ano que vem (além de ver se mais equipes adotam a metodologia) para aí ver se a coisa tem mais procedência.
3. Vanderlei Luxemburgo já era
Ele pegou um Fluminense ruim e entregou ainda pior. Além disso, não conquista algo diferente de estadual há muito tempo. Tudo isso é verdade, mas cabe um pouco mais de calma na hora de dizer que Luxemburgo se tornou um técnico medíocre. Ele ainda tem condições de fazer trabalhos de média qualidade - como o feito no ano passado, quando levou o Grêmio à Libertadores. Já é mais do que muito treinador é capaz de fazer. Deve figurar num time grande ano que vem.
4. O ideal é investir em jogadores baratos
A campanha do Cruzeiro impressiona tanto pelos números assombrosos quanto pela ausência de medalhões no elenco azul. Quem é "o cara" do Cruzeiro? É fato que o time não tem um consagrado como tinha o campeão do ano passado - Fred no Fluminense - e nem mesmo como tivera em 2003, com Alex. Isso mostra uma grande virtude do time cruzeirense, mas é algo que não pode ser interpretado como receita inabalável de sucesso. Dezenas de times foram montados como o elenco atual do Cruzeiro - com uma mescla de jogadores da base, jovens até então desconhecidos e atletas rodados que não emplacaram tanto assim em outros times grandes - e a maioria não deu certo. Ou você soltaria fogos se, no começo do ano, seu time contratasse Dagoberto, Everton Ribeiro e Borges?
5. O que vale é a competência, identificação pode ser desprezada
A filosofia dos "não-medalhões" cruzeirenses se estendeu ao banco, comandado por Marcelo Oliveira - que, até então, tinha uma carreira pequena em clubes grandes. E, mais que isso, carregava (ou carrega?) uma identificação grande com o rival Atlético-MG. Eu não acredito que uma identificação, por maior que seja, impede um profissional de trabalhar em um rival. Mas não podemos negar que é um fator, que, sim, dá sua contribuiçãozinha para que as coisas sejam prejudicadas (o que foi superado no caso atual do Cruzeiro). Se o time azul tropeçasse no começo do campeonato, certamente a atleticanidade de Marcelo seria evocada.
6. O Corinthians foi burro ao investir milhões em Alexandre Pato
Agora o oposto do que aconteceu com o Cruzeiro: o Corinthians investiu milhões em um jogador consagrado que não deu certo. Uma boa matéria do UOL até traçou um paralelo entre os casos, revelando que o montante gasto do Corinthians com Pato compraria todo o Cruzeiro campeão. Então fica a lição de que gastar milhões com um só cara é besteira? Não necessariamente. Pato não vingou no Corinthians por uma série de motivos - e o futebol tem milhões de negócios que se encaixam na categoria do "boas contratações que não deram certo". Pato é só mais um deles. Relançando pergunta de item anterior: quem você gostaria de ver seu time contratando no início do ano, Alexandre Pato ou Everton Ribeiro?
7. Estádio novo é sinal de prejuízo, distanciamento da torcida e maus resultados
O pior time do campeonato, o Náutico, joga em um dos melhores estádios da competição - a Arena Pernambuco, uma das sedes da Copa de 2014. Jogar na nova casa e deixar o tradicionalíssimo Aflitos foi um fator apontado como um dos motivos pelo péssimo brasileirão alvirrubro. O presidente do time chegou até a culpar o bom gramado da Arena - é sério - como elemento relevante. Precisa mesmo comentar? Melhor só recomendar ao dirigente do Timbu - e a quem achar isso - ver o precário e decadente estádio em que joga o Cruzeiro, o campeão.
8. Aposenta, Rogério Ceni / Fica, Rogério Ceni
Aí você pode escolher a sua conclusão precipitada de sua preferência: embora contraditória, as duas pipocaram por aí nos últimos meses. Rogério foi um dos responsáveis, sim, pela má fase do tricolor, que sugeria um rebaixamento - tanto (não) defendendo quanto falhando nas cobranças de pênaltis e faltas. Mas aí o São Paulo ressurgiu e Rogério voltou a jogar bem. E, embora não sendo no Brasileirão, a partida dele contra a Universidad Católica será daquelas lembradas por muitos anos - e virou um argumento para quem defende o veterano. Uma opinião definitiva e "imexível" sobre Rogério é, agora, algo bem precipitado.
9. "Brasília é uma festa", ou "Encontrada a solução para os elefantes brancos"
A abertura do Brasileirão registrou mais de 60 mil torcedores - inclusive este que vos escreve - para prestigiar o primeiro jogo grande do estádio Mané Garrincha, em Brasília, entre Santos e Flamengo. Casa cheia, ausência de problemas sérios de violência, empolgação com o estádio e tentativa de reversão da pecha de "elefante branco" motivaram o Flamengo e outros times a mandarem jogos no estádio. Parecia que ali estava a solução para as caras arenas erguidas em cidades sem muita tradição futebolística. Mas a conclusão precipitada foi se desmontando ao longo do próprio Brasileiro - o público em Brasília decaiu a cada rodada, principalmente por causa da perda do "efeito novidade". Vamos ver como a coisa fica no ano que vem, principalmente no pós-Copa.
10. Ronaldinho Gaúcho faz mal ao Atlético-MG; Fernandinho é o cara
O Galo ganhou a Libertadores e, em seguida - como é quase uma regra entre os times brasileiros - entrou em má fase. Foi eliminado da Copa do Brasil e deixou de vencer no Brasileirão, chegando até a se aproximar da zona do rebaixamento. Ronaldinho não vinha bem. Aí ele se contundiu. O Atlético trouxe Fernandinho, ex-São Paulo, para sua linha de frente e o time melhorou - hoje "briga pela Libertadores", no sentido metafórico do termo.
Apesar de os fatos sugerirem isso, é preciso ter calma para definir Ronaldinho como a chaga do Galo - e ainda mais cautela na hora de considerar Fernandinho um craque. Ninguém alcança o status de Ronaldinho à toa. E o time inteiro jogou mal no pós-Libertadores, não só ele. Quanto a Fernandinho, não há são-paulino que não tenha comemorado quando ele deixou o Morumbi tempos atrás. Deu certo no Galo, é fato, mas que ninguém diga que era uma tacada certeira.
10. Ronaldinho Gaúcho faz mal ao Atlético-MG; Fernandinho é o cara
O Galo ganhou a Libertadores e, em seguida - como é quase uma regra entre os times brasileiros - entrou em má fase. Foi eliminado da Copa do Brasil e deixou de vencer no Brasileirão, chegando até a se aproximar da zona do rebaixamento. Ronaldinho não vinha bem. Aí ele se contundiu. O Atlético trouxe Fernandinho, ex-São Paulo, para sua linha de frente e o time melhorou - hoje "briga pela Libertadores", no sentido metafórico do termo.
Apesar de os fatos sugerirem isso, é preciso ter calma para definir Ronaldinho como a chaga do Galo - e ainda mais cautela na hora de considerar Fernandinho um craque. Ninguém alcança o status de Ronaldinho à toa. E o time inteiro jogou mal no pós-Libertadores, não só ele. Quanto a Fernandinho, não há são-paulino que não tenha comemorado quando ele deixou o Morumbi tempos atrás. Deu certo no Galo, é fato, mas que ninguém diga que era uma tacada certeira.
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terça-feira, 12 de novembro de 2013
Paulista de Jundiaí impede que façanha de MG seja única
O futebol de Minas é campeão da Libertadores com o Atlético e está 99,9% com a mão na taça do Brasileirão, com o Cruzeiro. Façanha histórica, que faz com que 2013 seja, sem dúvidas, o melhor ano da história do futebol mineiro. E que pode alcançar um patamar ainda maior se o Galo for campeão do mundo em dezembro.
A "hegemonia" que Minas Gerais impõe é impressionante e positiva para o futebol brasileiro (um abraço aos advogados da "espanholização"), mas não é única. Houve outros anos em que a bola foi dominada por times do mesmo estado.
E vai ser difícil alcançar o que São Paulo conseguiu em 2005. Naquele ano, o estado mais populoso do Brasil foi campeão do mundo, da Libertadores, do Brasileiro e da Copa do Brasil. Títulos conquistados por São Paulo, Corinthians e... Paulista de Jundiaí.
Isso mesmo: a zebrística conquista do Paulista em 2005 é o que coroa a temporada 2005 como a mais hegemônica de um estado no Brasil.
Nunca mais um estado faturou, na mesma temporada, as quatro mais importantes competições "não-estaduais": Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial de Clubes. Houve quem passasse perto.
Aí vai uma relação com todas as tríplices/quádruplas/duplas coroas do futebol nacional, contabilizadas a partir de 1989, ano em que rolou a primeira Copa do Brasil*:
Quádrupla
SP-2005 (São Paulo - Libertadores e Mundial; Corinthians - Brasileiro; Paulista - Copa do Brasil)
Tripla
SP-2012 (Corinthians - Libertadores e Mundial; Palmeiras - Copa do Brasil), SP-1993 (São Paulo - Libertadores e Mundial; Palmeiras - Brasileiro)
Dupla
MG-2013** (Cruzeiro - Brasileiro; Atlético - Libertadores), SP-2011 (Santos - Libertadores; Corinthians - Brasileiro), SP-2004 (Santos - Brasileiro; Santo André - Copa do Brasil), MG-2003 (Cruzeiro - Brasileiro e Copa do Brasil), SP-2002 (Santos - Brasileiro; Corinthians - Copa do Brasil), SP-1999 (Palmeiras - Libertadores; Corinthians - Brasileiro), SP-1998 (Palmeiras - Copa do Brasil; Corinthians - Brasileiro)
* - excluo da dupla os casos em que um time faturou Libertadores e Mundial, pela obviedade da coisa
** - pode virar uma tripla se o Galo ganhar o Mundial
A "hegemonia" que Minas Gerais impõe é impressionante e positiva para o futebol brasileiro (um abraço aos advogados da "espanholização"), mas não é única. Houve outros anos em que a bola foi dominada por times do mesmo estado.
E vai ser difícil alcançar o que São Paulo conseguiu em 2005. Naquele ano, o estado mais populoso do Brasil foi campeão do mundo, da Libertadores, do Brasileiro e da Copa do Brasil. Títulos conquistados por São Paulo, Corinthians e... Paulista de Jundiaí.
Isso mesmo: a zebrística conquista do Paulista em 2005 é o que coroa a temporada 2005 como a mais hegemônica de um estado no Brasil.
O jogo do título do Paulista
Nunca mais um estado faturou, na mesma temporada, as quatro mais importantes competições "não-estaduais": Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Mundial de Clubes. Houve quem passasse perto.
Aí vai uma relação com todas as tríplices/quádruplas/duplas coroas do futebol nacional, contabilizadas a partir de 1989, ano em que rolou a primeira Copa do Brasil*:
Quádrupla
SP-2005 (São Paulo - Libertadores e Mundial; Corinthians - Brasileiro; Paulista - Copa do Brasil)
Tripla
SP-2012 (Corinthians - Libertadores e Mundial; Palmeiras - Copa do Brasil), SP-1993 (São Paulo - Libertadores e Mundial; Palmeiras - Brasileiro)
Dupla
MG-2013** (Cruzeiro - Brasileiro; Atlético - Libertadores), SP-2011 (Santos - Libertadores; Corinthians - Brasileiro), SP-2004 (Santos - Brasileiro; Santo André - Copa do Brasil), MG-2003 (Cruzeiro - Brasileiro e Copa do Brasil), SP-2002 (Santos - Brasileiro; Corinthians - Copa do Brasil), SP-1999 (Palmeiras - Libertadores; Corinthians - Brasileiro), SP-1998 (Palmeiras - Copa do Brasil; Corinthians - Brasileiro)
* - excluo da dupla os casos em que um time faturou Libertadores e Mundial, pela obviedade da coisa
** - pode virar uma tripla se o Galo ganhar o Mundial
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segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Náutico, quem diria, em destaque na FIFA
E o Náutico, que não é um clube pequeno, mas nesse ano faz uma temporada digna de tal, terá algo do qual se orgulhar em 2013 - e que pode também ser esfregado na cara dos rivais.
O gol de Oliveira, na Copa Sul-Americana, em partida contra o rival Sport (que decretou a eliminação do Timbu, aliás) foi escolhido como um dos 10 gols mais bonitos do ano pela FIFA:
Com isso, o atleta do Náutico competirá com estrelas como Neymar e Ibrahimovic.
E, desde já, tem minha torcida.
O gol de Oliveira, na Copa Sul-Americana, em partida contra o rival Sport (que decretou a eliminação do Timbu, aliás) foi escolhido como um dos 10 gols mais bonitos do ano pela FIFA:
Com isso, o atleta do Náutico competirá com estrelas como Neymar e Ibrahimovic.
E, desde já, tem minha torcida.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Camisa 12 e a falta de ritmo de jogo
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| Foto: Santos FC |
Após o fim da partida, Vladimir e o técnico Claudinei analisaram que um dos fatores que explicariam a má atuação do arqueiro seria a ausência de ritmo de jogo - foi apenas a primeira partida oficial de Vladimir no ano. Ele era o terceiro goleiro até pouco tempo, foi alçado à primeira suplência com a saída de Rafael do Santos e jogou contra a Portuguesa porque Aranha recebera o terceiro cartão amarelo na partida anterior.
"Falta de ritmo de jogo". Hum, vamos lá.
Não, não vou contestar que esse é um fator importante. E também não direi que essa é uma desculpa esfarrapada por parte de Vladimir. Acho que não cabe contestação a um elemento sempre mencionado como importante por jogadores, técnicos e comentaristas.
O que quero abordar é justamente o fato de Vladimir estar completamente sem ritmo de jogo. E de ter feito sua única partida oficial logo nesta época, em que o ano está mais próximo do fim do que do começo.
Acho, e sempre achei, muito curioso como se mexe muito pouco na posição de goleiros. Mandar um goleiro para o banco é um parto - não há substituição de camisa 1 que não envolva crise, protestos de torcida, questionamentos da imprensa e por aí vai.
E o que menos me desce é quando o goleiro titular é mantido ainda que o time vá a campo com uma escalação completamente reserva. É uma situação bem comum. Numa googlezada rápida, achei três jogos em que o time jogou com 10 reservas e somente o goleiro titular: São Paulo e Rogério Ceni, Atlético e Victor, Flamengo e Felipe.
Além dessa questão bizarra de não poupar os goleiros titulares (eles nunca se cansam? não precisam de repouso?), há ainda o fato de que - e aí não faço uma crítica, só uma constatação - não existem goleiros específicos para cada tipo de jogo. Um técnico pode optar por um atacante mais rápido ao invés de um centroavante centralizado se a partida assim o pedir, mas o goleiro será sempre o mesmo.
Curiosamente, a posição que menos afeta o entrosamento de um time é a menos modificada.
Com isso, acaba sendo impossível mesmo que os caras peguem ritmo de jogo, aqueçam, interajam com os companheiros e por aí vai. Serão sempre estranhos nas eventualidades, fatalidades, calamidades - porque é assim que a coisa é tratada - em que vão a campo.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Conhecendo Wembley
A sorte me ajudou e colocou no meio de minha viagem a Londres (mais precisamente, no segundo dia, 6 de setembro) um jogo da seleção inglesa pelas Eliminatórias no estádio de Wembley, contra a Moldávia. Eu teria, então, a oportunidade de ver o estádio em ação em um jogo real, numa experiência que vai além dos tours comumente oferecidos a turistas (que são legais, que fique claro).
Acabei então tendo a oportunidade de conhecer um estádio sensacional. Localizado a apenas 100 metros da estação do metrô, com assentos confortáveis, acesso rápido na entrada e na saída e uma série de outras coisas bacanas. Como escadas rolantes para os setores superiores (onde fiquei), lanchonetes de qualidade (embora caras), banheiros limpos e em grande quantidade, e cerveja para quem queira curtir antes de ver a partida. E também com visibilidade perfeita e com uma fachada linda e imponente.
Ver isso tudo é bem legal, mas não deixa de dar uma certa depressão quando penso no que há aqui no Brasil. E não me refiro a estádios antigos, como Vila Belmiro e Pacaembu. Eu fui a dois estádios já prontos para a Copa de 2014 (Mineirão e Mané Garrincha) e posso dizer que mesmo estes estão bem atrás do que existe em Wembley.
(Parêntese importante antes de prosseguir. Nelson Rodrigues foi genial ao criar a expressão "complexo de vira-lata", mas tem muita gente jogando a expressão no lixo ao usá-la de formas das mais equivocadas. Existem coisas do exterior que são melhores do que as do Brasil, e qual o problema em reconhecer isso? Temos que fechar os olhos ou deixar de enaltecer o que é melhor? Eu, particularmente, gosto de saber o que se faz de bom nos outros campos do mundo porque espero que, um dia, possamos desfrutar desses benefícios também aqui no Brasil.)
Falando agora do futebol propriamente dito, a partida não foi das mais legais. A seleção inglesa não é grande coisa e a Moldávia é inexistente (tem apenas uma vitória nessas Eliminatórias, e contra San Marino). Os ingleses construíram o 4x0 com facilidade e nem se esforçaram para fazer mais.
E em relação à torcida, um jogo da Inglaterra me pareceu algo bem parecido do que ver uma partida da nossa seleção. Havia um grupo com pegada de torcida organizada, que cantava o tempo todo, e uma imensidão que permaneceu calada na maior parte do jogo, com exceção de alguns momentos em que acompanhava os mais animados. Talvez a principal diferença em relação ao Brasil se deu pela ausência de vaias, tanto para juiz, adversários e, principalmente, para o próprio time - tenho certeza que se a seleção brasileira jogasse com a mesma falta de apetite que os ingleses mostraram aquele dia, a torcida-CQC (como alguém definiu no Twitter) não perdoaria.
Valeu por conhecer Wembley. Fiquei curioso de ver se a torcida inglesa se comportaria da mesma forma "distante" se como adversário estivessem as rivais França ou Alemanha, ou até mesmo uma outra seleção de grande porte. De todo modo, é o terceiro estádio que já recebeu uma final de Copa que visitei (os outros dois são Maracanã e Centenário).
Abaixo, um videozinho com o pontapé inicial da partida.
Acabei então tendo a oportunidade de conhecer um estádio sensacional. Localizado a apenas 100 metros da estação do metrô, com assentos confortáveis, acesso rápido na entrada e na saída e uma série de outras coisas bacanas. Como escadas rolantes para os setores superiores (onde fiquei), lanchonetes de qualidade (embora caras), banheiros limpos e em grande quantidade, e cerveja para quem queira curtir antes de ver a partida. E também com visibilidade perfeita e com uma fachada linda e imponente.
Ver isso tudo é bem legal, mas não deixa de dar uma certa depressão quando penso no que há aqui no Brasil. E não me refiro a estádios antigos, como Vila Belmiro e Pacaembu. Eu fui a dois estádios já prontos para a Copa de 2014 (Mineirão e Mané Garrincha) e posso dizer que mesmo estes estão bem atrás do que existe em Wembley.
(Parêntese importante antes de prosseguir. Nelson Rodrigues foi genial ao criar a expressão "complexo de vira-lata", mas tem muita gente jogando a expressão no lixo ao usá-la de formas das mais equivocadas. Existem coisas do exterior que são melhores do que as do Brasil, e qual o problema em reconhecer isso? Temos que fechar os olhos ou deixar de enaltecer o que é melhor? Eu, particularmente, gosto de saber o que se faz de bom nos outros campos do mundo porque espero que, um dia, possamos desfrutar desses benefícios também aqui no Brasil.)
Falando agora do futebol propriamente dito, a partida não foi das mais legais. A seleção inglesa não é grande coisa e a Moldávia é inexistente (tem apenas uma vitória nessas Eliminatórias, e contra San Marino). Os ingleses construíram o 4x0 com facilidade e nem se esforçaram para fazer mais.
E em relação à torcida, um jogo da Inglaterra me pareceu algo bem parecido do que ver uma partida da nossa seleção. Havia um grupo com pegada de torcida organizada, que cantava o tempo todo, e uma imensidão que permaneceu calada na maior parte do jogo, com exceção de alguns momentos em que acompanhava os mais animados. Talvez a principal diferença em relação ao Brasil se deu pela ausência de vaias, tanto para juiz, adversários e, principalmente, para o próprio time - tenho certeza que se a seleção brasileira jogasse com a mesma falta de apetite que os ingleses mostraram aquele dia, a torcida-CQC (como alguém definiu no Twitter) não perdoaria.
Valeu por conhecer Wembley. Fiquei curioso de ver se a torcida inglesa se comportaria da mesma forma "distante" se como adversário estivessem as rivais França ou Alemanha, ou até mesmo uma outra seleção de grande porte. De todo modo, é o terceiro estádio que já recebeu uma final de Copa que visitei (os outros dois são Maracanã e Centenário).
Abaixo, um videozinho com o pontapé inicial da partida.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Atlético campeão da Libertadores: números, fatos e outros dados irrelevantes
O Atlético-MG ganhou a Libertadores, acabou com a fama de "monotítulo" e jogará, no fim do ano, o Mundial de Clubes. Aí vão alguns dados/fatos/curiosidades ligados à conquista do alvinegro:
- com o título do Galo, Belo Horizonte passa o Rio de Janeiro e passa a ser, ao lado de Santos, a terceira cidade brasileira com mais troféus da Libertadores, com três taças (as outras duas são do Cruzeiro). São Paulo, com cinco (três do São Paulo, uma do Palmeiras e uma do Corinthians) encabeça a lista, seguida de Porto Alegre (quatro, com cada um da dupla Gre-Nal levantando duas). O Rio, reforçando, tem apenas duas - uma do Vasco e a outra do Flamengo. Nenhuma outra cidade brasileira tem um clube campeão da Libertadores (ah, São Caetano...).
- essa foi muito falada ontem durante a transmissão, mas vale o registro: ao perder o título mesmo tendo vencido o jogo de ida por dois gols de diferença, o Olimpia repete um "feito" que o próprio clube estabeleceu em 1989, quando viu a taça escapar de forma semelhante. Foram as duas únicas ocasiões em que isso ocorreu.
- a final de ontem foi apenas a segunda decisão entre brasileiros e paraguaios. A outra foi em 2002, quando o Olimpia venceu o São Caetano.
- o Brasil conquistou, com o Atlético, seu quarto título seguido na competição (Inter/10, Santos/11, Corinthians/12, só pra lembrar). Embora não tenha sido a primeira vez que uma sequência de quatro taças tenha sido alcançada, a atual é a primeira com quatro clubes diferentes - a Argentina enfileirou quatro troféus entre 1967 e 1970, mas os três últimos foram conquistados pela mesma equipe, o Estudiantes, e outros quatro entre 1972 e 1975, todos com o Independiente.
- aliás, a combinação quatro-times-diferentes-seguidos-do-mesmo-país é única no mundo, se considerarmos as principais competições interclubes de todos os continentes.
- como curiosidade, vale lembrar que a Inglaterra tem uma sequência também única de seis títulos consecutivos na Champions League, embora sem a mesma diversidade de times: Liverpool 77 e 78, Nottingham Forest 79 e 80, Liverpool 81 e Aston Villa 82.
- ainda no tema "sequências", os três títulos alvinegros consecutivos na Libertadores (Santos, Corinthians e Atlético) constituem também uma inédita no torneio - descontando-se, claro, as séries conquistadas por um só time.
- pra fechar o tema, mais uma série histórica: os quatro títulos brasileiros da sequência atual foram conquistados por técnicos que jamais haviam vencido a competição (Celso Roth, Muricy, Tite e Cuca).
- Ronaldinho Gaúcho é o primeiro campeão da Libertadores que já foi agraciado com o título de melhor do mundo da FIFA. Cabe registrar que são poucos os detentores da honraria que já jogaram o principal torneio sul-americano. Breve retrospectiva: Romário caiu com o Vasco nas quartas em 2001; Ronaldo perdeu, com o Cruzeiro, para o Unión Española em 1994 e, com o Corinthians, para o Tolima em 2010; Rivaldo esteve no Palmeiras derrotado para o Grêmio em 1995 e no Cruzeiro que perdeu para o Deportivo Cali em 2004. Messi e Kaká, os outros dois sul-americanos eleitos melhores do mundo, não disputaram nenhuma edição da Libertadores.
- também sobre Ronaldinho, ele entrou para um seletíssimo grupo de jogadores que já foram campeões de Libertadores, Champions League e Copa do Mundo, ao lado de Cafu, Dida e Roque Júnior.
E vai aí um quadro de medalhas referente ao desempenho dos times brasileiros na história da Libertadores. Adotei o critério-judô na hora de definir as medalhas de bronze - ou seja, todos que chegaram à semifinal vão para o pódio. O método é necessário porque não há, na Libertadores, disputa de terceiro lugar; além disso, o torneio historicamente teve regulamentos diferentes, em que nem todos os times disputavam os mesmos números de jogos. Mais fácil (e até mesmo preciso) deixar assim mesmo.
- com o título do Galo, Belo Horizonte passa o Rio de Janeiro e passa a ser, ao lado de Santos, a terceira cidade brasileira com mais troféus da Libertadores, com três taças (as outras duas são do Cruzeiro). São Paulo, com cinco (três do São Paulo, uma do Palmeiras e uma do Corinthians) encabeça a lista, seguida de Porto Alegre (quatro, com cada um da dupla Gre-Nal levantando duas). O Rio, reforçando, tem apenas duas - uma do Vasco e a outra do Flamengo. Nenhuma outra cidade brasileira tem um clube campeão da Libertadores (ah, São Caetano...).
- essa foi muito falada ontem durante a transmissão, mas vale o registro: ao perder o título mesmo tendo vencido o jogo de ida por dois gols de diferença, o Olimpia repete um "feito" que o próprio clube estabeleceu em 1989, quando viu a taça escapar de forma semelhante. Foram as duas únicas ocasiões em que isso ocorreu.
- a final de ontem foi apenas a segunda decisão entre brasileiros e paraguaios. A outra foi em 2002, quando o Olimpia venceu o São Caetano.
- o Brasil conquistou, com o Atlético, seu quarto título seguido na competição (Inter/10, Santos/11, Corinthians/12, só pra lembrar). Embora não tenha sido a primeira vez que uma sequência de quatro taças tenha sido alcançada, a atual é a primeira com quatro clubes diferentes - a Argentina enfileirou quatro troféus entre 1967 e 1970, mas os três últimos foram conquistados pela mesma equipe, o Estudiantes, e outros quatro entre 1972 e 1975, todos com o Independiente.
- aliás, a combinação quatro-times-diferentes-seguidos-do-mesmo-país é única no mundo, se considerarmos as principais competições interclubes de todos os continentes.
- como curiosidade, vale lembrar que a Inglaterra tem uma sequência também única de seis títulos consecutivos na Champions League, embora sem a mesma diversidade de times: Liverpool 77 e 78, Nottingham Forest 79 e 80, Liverpool 81 e Aston Villa 82.
- ainda no tema "sequências", os três títulos alvinegros consecutivos na Libertadores (Santos, Corinthians e Atlético) constituem também uma inédita no torneio - descontando-se, claro, as séries conquistadas por um só time.
- pra fechar o tema, mais uma série histórica: os quatro títulos brasileiros da sequência atual foram conquistados por técnicos que jamais haviam vencido a competição (Celso Roth, Muricy, Tite e Cuca).
- Ronaldinho Gaúcho é o primeiro campeão da Libertadores que já foi agraciado com o título de melhor do mundo da FIFA. Cabe registrar que são poucos os detentores da honraria que já jogaram o principal torneio sul-americano. Breve retrospectiva: Romário caiu com o Vasco nas quartas em 2001; Ronaldo perdeu, com o Cruzeiro, para o Unión Española em 1994 e, com o Corinthians, para o Tolima em 2010; Rivaldo esteve no Palmeiras derrotado para o Grêmio em 1995 e no Cruzeiro que perdeu para o Deportivo Cali em 2004. Messi e Kaká, os outros dois sul-americanos eleitos melhores do mundo, não disputaram nenhuma edição da Libertadores.
- também sobre Ronaldinho, ele entrou para um seletíssimo grupo de jogadores que já foram campeões de Libertadores, Champions League e Copa do Mundo, ao lado de Cafu, Dida e Roque Júnior.
E vai aí um quadro de medalhas referente ao desempenho dos times brasileiros na história da Libertadores. Adotei o critério-judô na hora de definir as medalhas de bronze - ou seja, todos que chegaram à semifinal vão para o pódio. O método é necessário porque não há, na Libertadores, disputa de terceiro lugar; além disso, o torneio historicamente teve regulamentos diferentes, em que nem todos os times disputavam os mesmos números de jogos. Mais fácil (e até mesmo preciso) deixar assim mesmo.
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