Argélia, Nigéria (que eram um único território no War, vejam só que coisa) e Grécia estão na segunda fase da Copa do Mundo. Itália, Espanha e Inglaterra, não. Muito será dito sobre o feito das classificadas e o vexame das eliminadas. Porém, vejo pouca gente (ou ninguém) trazer outro tema para debate: será que o critério adotado para a formação dos grupos da Copa está justo?
Sim, já antevejo a réplica de quem ler esse texto: "pô, mas isso é uma desculpa esfarrapada! O grupo foi feito por sorteio, e qualquer um poderia ter caído em uma chave complicada! Se o time não teve competência para superar os adversários, que não venha colocar a culpa no sorteio!".
Acontece que não se trata de "colocar a culpa". É uma questão de observar os fatos. A Copa de 2014 teve um grupo pra lá de surreal, o H, composto por Bélgica, Argélia, Rússia e Coreia do Sul. A falta de renome das seleções da chave gerou até um hilário perfil no Twitter, o El Grupo H :( (sim, a carinha faz parte do nome). Mais uma chave fraquinha foi a da Argentina, que reuniu, além do time de Messi, Nigéria, Bósnia e Irã.
Posso cravar que seria muito difícil a Argélia passar de fase se tivesse como adversários EUA, Alemanha e Portugal, os oponentes enfrentados por sua vizinha de continente Gana, despachada na primeira fase. Assim como talvez Rooney e cia. ainda estivessem no Mundial se a Inglaterra, e não a Bósnia, fosse o time europeu do Grupo F, o da Argentina.
E aí, agora, citei o xis da questão: "time europeu". Pois é. De 1994 para cá, a FIFA definiu que, com exceção dos cabeças-de-chave, o único critério que distinguiria as seleções é o geográfico. O horror supremo para a federação seria juntar três europeus ou dois sul-americanos, por exemplo. Então, por isso a maldição dos potes. E é a partir daí que tivemos Inglaterra (e a Holanda, FINALISTA DO ÚLTIMO MUNDIAL!!!) equiparada com a Bósnia, Equador no mesmo nível do ótimo Chile, e o razoável México, campeão olímpico, pareado com o fraquíssimo time de Honduras.
A FIFA tem em suas mãos um ranking, que, embora possa ser contestado, é um indicador correto sobre o desempenho das seleções. Foi a ele que a entidade recorreu na hora de definir os cabeças-de-chave. Por que não estabelecer os potes seguintes também de acordo com o critério estabelecido? Será mesmo que chocar três times de um mesmo continente na fase inicial é um pecado maior do que fazer, simultaneamente, grupos insanos e varzeanos na primeira parte do Mundial?
Cabe lembrar que não estou falando de nenhuma inovação. A Copa de 1990 teve seus grupos formados de acordo com os níveis das seleções. A Folha de S. Paulo de 9 de dezembro de 1989, o dia do sorteio, noticia: Os nomes de 18 seleções estarão distribuídos por três urnas, agrupadas por categorias: seleções 'fortes' (Espanha, URSS, Escócia, Áustria, Iugoslávia e Holanda), 'intermediárias' (Colômbia, Uruguai, Tchecoslováquia, Eire, Romênia e Suécia) e 'fracas' (Camarões, Egito, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Costa Rica e EUA).
Note que a Costa Rica está ali entre os fracos. Exatamente como foi pintada antes de a bola rolar em 2014. E, em outra repetição, passou de fase em 1990, como fez agora. Como explicar isso? Ora, com a riqueza do futebol, e sua imprevisibilidade de que tanto gostamos. Zebras acontecerão, com ou sem grupos organizados, independentemente do critério do torneio. E isso é bom. O Objetivo não é acabar com nada de bacana que caracteriza o futebol, e sim acrescentar uma dose extra de racionalidade.
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quinta-feira, 26 de junho de 2014
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Náutico, quem diria, em destaque na FIFA
E o Náutico, que não é um clube pequeno, mas nesse ano faz uma temporada digna de tal, terá algo do qual se orgulhar em 2013 - e que pode também ser esfregado na cara dos rivais.
O gol de Oliveira, na Copa Sul-Americana, em partida contra o rival Sport (que decretou a eliminação do Timbu, aliás) foi escolhido como um dos 10 gols mais bonitos do ano pela FIFA:
Com isso, o atleta do Náutico competirá com estrelas como Neymar e Ibrahimovic.
E, desde já, tem minha torcida.
O gol de Oliveira, na Copa Sul-Americana, em partida contra o rival Sport (que decretou a eliminação do Timbu, aliás) foi escolhido como um dos 10 gols mais bonitos do ano pela FIFA:
Com isso, o atleta do Náutico competirá com estrelas como Neymar e Ibrahimovic.
E, desde já, tem minha torcida.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Contratação de Ronaldinho leva Galo a grupo seleto
Praticamente tudo o que se poderia falar sobre a contratação de Ronaldinho Gaúcho já foi dito, então não choveremos no molhado. Vamos colocar nosso foco sobre outro aspecto da transação: com o negócio, o Atlético-MG passa a integrar a lista dos clubes brasileiros que já tiveram um 'melhor jogador do mundo' em suas fileiras.Por 'melhor jogador do mundo', deixemos claro, nos referimos àqueles consagrados pela Fifa como tal. A federação internacional concede o prêmio desde 1991. Então, não há como nos referirmos a Pelé, Garrincha, Rivelino e tantos outros mitos da bola. OK?
Esclarecimento feito, vamos em frente. A lista crua dos times brasileiros nos quais já atuou um melhor do mundo, acompanhada do atleta em questão (entre parênteses, o ano da honraria) é:
América-RJ: Romário (1994), por um só jogo.
Atlético-MG: Ronaldinho Gaúcho (2005/2006), a partir de junho de 2012.
Corinthians: Rivaldo (1999), em 1993, e Ronaldo (1996/1997/2002), entre 2009 e 2011.
Cruzeiro: Ronaldo, em 1993, e Rivaldo, em 2004.
Flamengo: Romário, entre 1995 e 1999, e Ronadinho Gaúcho, em 2011 e 2012.
Fluminense: Romário, entre 2002 e 2004.
Grêmio: Ronaldinho Gaúcho, entre 1999 e 2001.
Mogi Mirim: Rivaldo, em 1992 e 1993.
Palmeiras: Rivaldo, em 1994 e 1996.
Santa Cruz: Rivaldo, em 1991 e 1992.
São Paulo: Kaká (2007), entre 2000 e 2003 e Rivaldo, em 2011.
Vasco: Romário, em um grande número de passagens.
Entre os 12 principais times do Brasil, apenas Botafogo, Internacional e Santos não tiveram um melhor do mundo no plantel. O curioso, no caso do Santos, é que o clube tornou-se famoso por ter por muitos anos o melhor jogador de todos os tempos e, nos dias atuais, ter a possibilidade de ser o único time brasileiro a ter um craque eleito pela Fifa enquanto atua no Brasil. Se Neymar continuar voando baixo, trata-se de um tabu que pode ser quebrado. A esperar.
PS: O glorioso Tupi, de Juiz de Fora (MG), por pouco não entra na lista. Em 2006, o clube contratou Romário, que chegou a posar para fotos com a camisa alvinegra, treinar com os companheiros e tudo o mais; mas a transação não foi para a frente por conta da CBF, que vetou a transferência, alegando que o Baixinho já havia trocado de clube três vezes naquela temporada.
PS 2: Se estendêssemos a lista para os técnicos que alguns dos melhores do mundo se tornaram após pendurarem as chuteiras, teríamos que incluir o Atlético-PR. O Furacão teve o alemão Lothar Matthaus, melhor do mundo em 1991, como seu técnico por um breve período em 2006.
PS 3: Ronaldo não chegou a jogar profissionalmente no São Cristóvão, por isso o clube do Rio não entra na relação.
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