quarta-feira, 20 de julho de 2011

Em busca da medalha de bronze

Entre 1978 e 1986, a Argentina foi por duas vezes campeã da Copa do Mundo. O Brasil já contabilizava à época o tricampeonato. Acabou a década de 1990, passou a de 2000 e uma certeza se consolidou no futebol sul-americano: a hegemonia continental pertencia em definitivo a Brasil e Argentina, com os outros países lutando para serem considerados a terceira força. O que incluia o Uruguai, detentor do primeiro título mundial, e considerado uma potência ímpar até meados dos anos 1950.

Nesta briga pela terceira posição no continente, houve um lampejo por parte da Colômbia, cujo início pode ser simbolizado pelo 5x0 sobre a Argentina em 1993, em jogo válido pelas Eliminatórias, e que tem como ícone de seu encerramento a derrota para os EUA na Copa do Mundo do ano seguinte.

Posteriormente, coube ao Paraguai encampar a vocação para terceira força continental. A seleção guarani, até 1986, havia disputado apenas quatro Copas do Mundo; e a partir de 1998 iniciou uma trajetória que registrou em 2010 o quarto mundial consecutivo, com direito a uma histórica chegada às quartas-de-final da competição. O bom momento se verificou também nos clubes, com o Olimpia faturando a Libertadores de 2002 e Libertad e Cerro Porteño fazendo campanhas dignas.

E quando parecia que o Paraguai era em definitivo a terceira seleção do continente, veio um assombroso ressurgimento do futebol uruguaio. Que se mostrou ao mundo com a épica campanha na Copa da África do Sul e deixou claro que não era fogo de palha com as realizações de 2011 - vice-campeonato sul-americano sub-20; vice-campeonato mundial sub-17; vice-campeonato da Libertadores, com o Peñarol.

Pois bem: quis o destino - e os cobradores brasileiros de pênalti - que Uruguai e Paraguai se classificassem para a decisão da Copa América, que acontece no domingo. Duas zebras: a expectativa geral era que Brasil e Argentina decidissem o torneio.

A própria eliminação precoce de brasileiros e argentinos deixa claro que a Copa América não é o único e nem maior parâmetro para determinar a escala das forças do continente - o fiasco não tira, em hipótese alguma, o posto de Brasil e Argentina como hegemônicos. Mas, de qualquer modo, serve para apontar quem está no rumo certo.

Por isso, mais do que decidir quem leva para casa o troféu dessa fraca Copa América, Uruguai e Paraguai também apontarão quem merece ter a medalha sul-americana de bronze no peito.

4 comentários:

milho disse...

acho que vale um post sobre a reinvenção do futebol da venezuela, que merecia estar na final

Juan Carlos disse...

Parreira está orgulhoso do futebol Paraguayo: "O empate é um ótimo resultado." :)

Japa disse...

Cara, eu concordo com o milho. A Venezuela surpreendeu nessa Copa América, vale um post... Pelo pouco que vi ontem do jogo de Paraguai e Venezuela, mas uma vez o Paraguai classificou-se tomando sufoco!

milho disse...

Japa, já escreveram sobre a Venezuela, vejam:

http://ludopedicas.blogspot.com/2011/07/gigantismo-renascido-versus.html