Houve um tempo em que uma frase era repetida quase que de forma unânime: Rivaldo era um craque, um gênio da bola, mas que só não desfrutava mais desse status por ser um cara tímido, feio e avesso a badalações. A sentença fazia muito sentido. O cara comia a bola no Barcelona, já havia destruído aqui no Brasil e prosseguia muito questionado. Não fazia anúncios, não obtinha a verba publicitária de seus contemporâneos Ronaldo e Romário, só pra ficar nesses.
O lance é que o tempo passou, Rivaldo envelheceu, deixou de ser craque e parece que, hoje em dia, quer descontar toda essa frustração dos tempos de "craque não midiático".
A nova dele, como todos já sabem, é o "desabafo" contra Galvão Bueno. Ele disparou em seu Facebook: "Não preciso do seu reconhecimento Galvão Bueno. O povo brasileiro e o mundo sabem da minha importância para a história da seleção brasileira e do futebol mundial. Nunca precisei puxar saco de ninguém da mídia".
O "crime" de Galvão? Até segunda ordem, foi não ter citado o nome de Rivaldo durante a transmissão do jogo de ontem, quando, em dado momento, o locutor da Globo citou jogadores que fizeram história com a camisa amarela. Segundo matéria do UOL Esporte, Galvão falou de Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos, Tostão, Zagallo, Gerson, Rivelino, Jairzinho, Romário, Ronaldo e também dos "derrotados" Júnior, Casagrande, Falcão, Zico Sócrates. E deixou Rivaldo de fora.
Se foi só isso mesmo - deixo uma ressalva, talvez outra coisa tenha acontecido e não estamos por dentro, sei lá - só há uma coisa a dizer: menos, Rivaldo, menos. Galvão também não citou Gilmar, Bebeto, Zito, Djalma Santos, Marcos, Ronaldinho Gaúcho, tão vitais para a conquista dos mundiais. Também "excluiu" nada menos que os capitães de todas as taças - a saber, Bellini, Mauro, Carlos Alberto, Dunga e Cafu. Gente boa "ignorada" é o que não falta, pois. Longe, muito longe, de ser algo direcionado a Rivaldo.
É curioso ver que a não-exposição da qual Rivaldo desfrutou ao longo de sua carreira - voluntária ou involuntariamente, não sabemos - acabou por ajudar a todos nós. Sim, isso mesmo. Afinal, foi por conta dela que deixamos de saber uma coisa: mais do que tímido, reservado ou discreto, Rivaldo é um baita de um chato. Simples.
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domingo, 13 de julho de 2014
terça-feira, 5 de junho de 2012
Contratação de Ronaldinho leva Galo a grupo seleto
Praticamente tudo o que se poderia falar sobre a contratação de Ronaldinho Gaúcho já foi dito, então não choveremos no molhado. Vamos colocar nosso foco sobre outro aspecto da transação: com o negócio, o Atlético-MG passa a integrar a lista dos clubes brasileiros que já tiveram um 'melhor jogador do mundo' em suas fileiras.Por 'melhor jogador do mundo', deixemos claro, nos referimos àqueles consagrados pela Fifa como tal. A federação internacional concede o prêmio desde 1991. Então, não há como nos referirmos a Pelé, Garrincha, Rivelino e tantos outros mitos da bola. OK?
Esclarecimento feito, vamos em frente. A lista crua dos times brasileiros nos quais já atuou um melhor do mundo, acompanhada do atleta em questão (entre parênteses, o ano da honraria) é:
América-RJ: Romário (1994), por um só jogo.
Atlético-MG: Ronaldinho Gaúcho (2005/2006), a partir de junho de 2012.
Corinthians: Rivaldo (1999), em 1993, e Ronaldo (1996/1997/2002), entre 2009 e 2011.
Cruzeiro: Ronaldo, em 1993, e Rivaldo, em 2004.
Flamengo: Romário, entre 1995 e 1999, e Ronadinho Gaúcho, em 2011 e 2012.
Fluminense: Romário, entre 2002 e 2004.
Grêmio: Ronaldinho Gaúcho, entre 1999 e 2001.
Mogi Mirim: Rivaldo, em 1992 e 1993.
Palmeiras: Rivaldo, em 1994 e 1996.
Santa Cruz: Rivaldo, em 1991 e 1992.
São Paulo: Kaká (2007), entre 2000 e 2003 e Rivaldo, em 2011.
Vasco: Romário, em um grande número de passagens.
Entre os 12 principais times do Brasil, apenas Botafogo, Internacional e Santos não tiveram um melhor do mundo no plantel. O curioso, no caso do Santos, é que o clube tornou-se famoso por ter por muitos anos o melhor jogador de todos os tempos e, nos dias atuais, ter a possibilidade de ser o único time brasileiro a ter um craque eleito pela Fifa enquanto atua no Brasil. Se Neymar continuar voando baixo, trata-se de um tabu que pode ser quebrado. A esperar.
PS: O glorioso Tupi, de Juiz de Fora (MG), por pouco não entra na lista. Em 2006, o clube contratou Romário, que chegou a posar para fotos com a camisa alvinegra, treinar com os companheiros e tudo o mais; mas a transação não foi para a frente por conta da CBF, que vetou a transferência, alegando que o Baixinho já havia trocado de clube três vezes naquela temporada.
PS 2: Se estendêssemos a lista para os técnicos que alguns dos melhores do mundo se tornaram após pendurarem as chuteiras, teríamos que incluir o Atlético-PR. O Furacão teve o alemão Lothar Matthaus, melhor do mundo em 1991, como seu técnico por um breve período em 2006.
PS 3: Ronaldo não chegou a jogar profissionalmente no São Cristóvão, por isso o clube do Rio não entra na relação.
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sábado, 30 de julho de 2011
Defesa!
Se existe uma lição deixada pela última rodada do Brasileiro é que Santos, Coritiba, Flamengo e São Paulo possuem defesas péssimas. Quarta-feira à noite, tive a oportunidade de acompanhar a transmissão pós-jogo da SporTV, o canal mais bajulador do clube da Gávea, de que se tem notícia - mais até que Galvão Bueno, o baba-ovo-mór da crônica esportiva tupiniquim.
Os comentaristas do referido canal pintavam o Flamengo como novo favorito ao título nacional, em uma análise rasa e desprovida de qualquer tipo de lógica. A meu ver, a falácia desse tipo de opinião consiste em atribuir conotação positiva a algo que é por natureza ruim.
Serei mais claro: no final das contas, o que merece ser destacado na vitória do Flamengo sobre o Santos não são os belos lances de Ronaldinho Gaúcho e Neymar ou a capacidade de reação da equipe rubro-negra. O que realmente espanta é fragilidade da defesa do time de Luxemburgo.
Para mim, está claro que Flamengo, São Paulo e Santos não têm vida longa neste Brasileirão. Essa verdade tende a se tornar mais evidente na medida em que esses times tiverem de se defrontar com equipes bem armadas defensivamente.
Além de não marcar gol, ficarão sob constante risco de sofrer sonoras goleadas.
Foi o que se passou na derrota do São Paulo diante do Corinthians, por exemplo. O time de Tite não tem lá grandes craques - embora eu reconheça que Willian está acima da média - e não pratica um futebol vistoso. Porém, não apresenta grandes desníveis de qualidade. O ataque funciona e a retaguarda não compromete. Ao se deparar com um adversário desorganizado na zaga, o alvinegro fez a festa.
Não me arrisco a dizer, porém, que Tricolor, Santos ou Flamengo devam dar adeus ao título desde já. Pode ser que os treinadores consigam fazer algum milagre, a tempo de alterar o curso natural das coisas. Se bem que não ando muito fã do sobrenatural, ultimamente.
Teimosia
De todos os defeitos de Carpegiani, o maior, sem dúvida alguma, é a teimosia. Esta, aliás, costuma ser a grande inimiga dos técnicos de futebol. Ex-craque do Inter e do Flamengo, Paulo César deveria ao menos ter a capacidade de reconhecer a importância que um meia fora de série tem para uma equipe que almeja brigar pelo título.
Portanto, chega a ser espantosa a insistência do ex-técnico do Tricolor em manter Rivaldo exilado no banco de reservas, principalmente nas situações em que o time necessitava de maneira urgente de um toque refinado na criação das jogadas.
Se ainda tiver um pingo de vergonha na cara e de respeito próprio, a esta hora Carpegiani deve ficar corado de vergonha pela atitude assumida em relação a Rivaldo, hoje, o principal responsável pela criação das jogadas ofensivas do Tricolor. Eu diria mais: caso ainda haja uma réstia de decência no gaúcho, ele deveria se ajoelhar diante do verdadeiro craque da Copa de 2002 e implorar por perdão.
Os comentaristas do referido canal pintavam o Flamengo como novo favorito ao título nacional, em uma análise rasa e desprovida de qualquer tipo de lógica. A meu ver, a falácia desse tipo de opinião consiste em atribuir conotação positiva a algo que é por natureza ruim.
Serei mais claro: no final das contas, o que merece ser destacado na vitória do Flamengo sobre o Santos não são os belos lances de Ronaldinho Gaúcho e Neymar ou a capacidade de reação da equipe rubro-negra. O que realmente espanta é fragilidade da defesa do time de Luxemburgo.
Para mim, está claro que Flamengo, São Paulo e Santos não têm vida longa neste Brasileirão. Essa verdade tende a se tornar mais evidente na medida em que esses times tiverem de se defrontar com equipes bem armadas defensivamente.
Além de não marcar gol, ficarão sob constante risco de sofrer sonoras goleadas.
Foi o que se passou na derrota do São Paulo diante do Corinthians, por exemplo. O time de Tite não tem lá grandes craques - embora eu reconheça que Willian está acima da média - e não pratica um futebol vistoso. Porém, não apresenta grandes desníveis de qualidade. O ataque funciona e a retaguarda não compromete. Ao se deparar com um adversário desorganizado na zaga, o alvinegro fez a festa.
Não me arrisco a dizer, porém, que Tricolor, Santos ou Flamengo devam dar adeus ao título desde já. Pode ser que os treinadores consigam fazer algum milagre, a tempo de alterar o curso natural das coisas. Se bem que não ando muito fã do sobrenatural, ultimamente.
Teimosia
De todos os defeitos de Carpegiani, o maior, sem dúvida alguma, é a teimosia. Esta, aliás, costuma ser a grande inimiga dos técnicos de futebol. Ex-craque do Inter e do Flamengo, Paulo César deveria ao menos ter a capacidade de reconhecer a importância que um meia fora de série tem para uma equipe que almeja brigar pelo título.
Portanto, chega a ser espantosa a insistência do ex-técnico do Tricolor em manter Rivaldo exilado no banco de reservas, principalmente nas situações em que o time necessitava de maneira urgente de um toque refinado na criação das jogadas.
Se ainda tiver um pingo de vergonha na cara e de respeito próprio, a esta hora Carpegiani deve ficar corado de vergonha pela atitude assumida em relação a Rivaldo, hoje, o principal responsável pela criação das jogadas ofensivas do Tricolor. Eu diria mais: caso ainda haja uma réstia de decência no gaúcho, ele deveria se ajoelhar diante do verdadeiro craque da Copa de 2002 e implorar por perdão.
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