sexta-feira, 7 de junho de 2013

Vai dar Bósnia em 2014: o "Imagine na Copa" junta-se ao "pavê ou pacumê"

A seleção da Bósnia está perto, muito perto da Copa de 2014. Nesta sexta-feira, os Bósnios fizeram 5x0 na Letônia fora de casa e dispararam na liderança do Grupo G das Eliminatórias europeias. Estão a quatro pontos da Grécia, a vice-líder, e se vencerem seu próximo jogo, em casa contra a Eslovênia, garantem a vaga no Brasil.

Será a estreia da seleção em Copas do Mundo. Apesar disso, não chega a ser exatamente uma surpresa. Já há tempos, a Bósnia bate na trave - perdeu apenas na repescagem a vaga para 2010.

Mas o mais curioso - e temerário - da classificação da Bósnia para a Copa do Mundo é o tanto de "piadinhas do pavê" que a seleção vai causar. Uma já está no título deste post. E outras pipocarão, sem dúvida.

Pensem no mais trágico: a Copa da Bósnia será logo a sediada no Brasil. Vai dar Bósnia para tudo quanto é canto, amigos. A Bósnia vai se espalhar. Já prevejo algum site mais "engraçadinho" fazendo montagens com fotos de filas nos aeroportos, estradas em má qualidade, problemas nos estádios e assim por diante.

Afinal, se hoje já dá pra fazer piadinha sem vergonha com a possível presença da Bósnia no Brasil, imagina na Copa!

PS: um aspecto interessante (e, agora, mais sério) sobre a classificação da Bósnia é que o fato fará com que a quarta ex-república iugoslava garanta presença em uma Copa do Mundo desde a extinção do país, em 1991. Croácia, Sérvia (com e sem Montenegro) e Eslovênia já tiveram suas oportunidades, agora é a Bósnia que se aproxima. E até mesmo Montenegro pode avançar - a seleção lidera seu grupo, que tem a Inglaterra como favorita. É um retrospecto bem, mas bem interessante, principalmente se contarmos que estamos falando de países cuja população não é das maiores. Para efeito de comparação, é só pensarmos que a União Soviética (muito maior e mais populosa), dissolvida à mesma época que a Iugoslávia, gerou apenas dois países que se classificaram para a Copa, Rússia e Ucrânia.

sábado, 1 de junho de 2013

Desviou na zaga e enganou o goleiro

Um dos lances mais traiçoeiros do futebol é quando a bola chutada desvia na zaga e mata o goleiro. O vídeo abaixo traz 32 gols em que aconteceu exatamente isso. Mérito do atacante, mas uma sortezinha de vez em quando sempre ajuda.

Tem gol do Milan, do Internacional, do Juazeiro, da seleção inglesa. Sobre o Corinthians, sobre o Barcelona, sobre a seleção de Mali, sobre o Noroeste de Bauru. Do Neymar, do Fred, do Podolski e do Edson Di.

Há inclusive um dos mais importantes e decisivos (é sério!) gols da história do Santos.

Vejam aí!


Aqui tem que ser trabalho, meu filho

O acaso e a sorte fazem parte dos times campeões. Com o Santos de 2011 não foi diferente. Ao mesmo tempo em que a experiência com Adilson Batista na Vila Belmiro se confirmava como uma má ideia, Muricy Ramalho se enrolava no Fluminense e pedia demissão do tricolor do Rio.

Era uma conspiração dos astros. Um fato ocorrido a mais de 500 quilômetros de Santos poderia fazer com que o time de Neymar se resolvesse na Libertadores e, ainda que não levantasse a taça, ao menos revertesse o vergonhoso vexame que seria uma eliminação na primeira fase em um grupo que tinha também Cerro Porteño, Deportivo Táchira e Colo Colo.

A correção veio. Muricy estreou em um épico jogo, o 2x1 sobre o Cerro no Paraguai, decisivo para que o Santos se mantivesse vivo no torneio (além de ser a última boa partida de Paulo Henrique Ganso pelo Peixe). A partir daí, construiu um time sólido, aguerrido, que no limite (venceu TODOS os mata-matas ganhando um jogo pelo placar mínimo e empatando o outro) trouxe a histórica Libertadores para a Vila Belmiro.

Acontece que, aí, no momento em que deu a entrevista coletiva após a decisão contra o Peñarol, Muricy falou uma frase-chave: "eu merecia esse título".

Ali, naquela declaração de quatro palavras, o técnico descarregou uma frustração que o acompanhava havia anos. E indicava: chegara ao auge. Ao ápice da carreira de um treinador de futebol no Brasil. Sim, há o Mundial de Clubes, mas este é um torneio mais na base da fatalidade, do improvável. Há também a seleção, recusada por ele um ano antes.

A impressão que tenho, dois anos depois daquilo, é que a frase foi a sina para deixar claro que o "aqui é trabalho, meu filho" já não mais faria sentido.

Porque Muricy deixou de trabalhar. Deixou de criar alternativas táticas e técnicas dentro do Santos que comandava. Deixou de olhar para as categorias de base do clube e para outros times na busca de reforços de qualidade. Deixou de observar os adversários e de estudá-los. E deixou o Santos à mercê de um sistema que não funcionava, não fazia bem a ninguém. E nem, claro, ao Neymar. Ou alguém discorda que, apesar de permanecer gênio-mito-melhor-jogador-do-Brasil-na-atualidade o moleque rendeu menos em 2013 do que fizera em anos anteriores?

E é por isso que a demissão de Muricy, anunciada ontem, foi benéfica ao Santos. Não, eu não espero um técnico que resolva todos os problemas de uma hora para outra; quero simplesmente um cara que queira trabalhar, se desenvolver e desenvolver o time que comanda. Alguém que não se sinta no auge. Alguém que saiba que o topo sempre pode ser alcançado mais e mais vezes.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Primeiras impressões sobre o Mané Garrincha

Ao fundo, as imensas filas em volta do estádio
Quando acabei de subir os poucos degraus da escada que ligava o corredor de acesso do Mané Garrincha às arquibancadas, não me contive e soltei uma interjeição daquelas impublicáveis. Positiva, que fique claro; similar às que falamos quando somos submetidos a uma rápida e inesperada alegria. Pois foi isso que senti: alegria, emoção, felicidade por estar diante de um estádio lindo, lindíssimo, suntuoso, avançado, confortável. Exatamente o que torço para o futebol brasileiro, digno de receber jogos de Copa do Mundo, coisa de aumentar o orgulho nacional.

Há lugares para todos, a visibilidade é perfeita, a arquitetura impressiona. Ninguém precisa se esgoelar e empurrar os outros para assistir ao que rola em campo. A sonoridade é também excepcional - a ponto, inclusive, de incomodar os ouvidos no intervalo.

(Parêntese: sim, eu sou "a favor do futebol moderno" - a tomada de posição é necessária, uma vez que esse se tornou um dos debates mais sem-graça e, simultaneamente, fortes aqui no Brasil. Da experiência de quem esteve inúmeras vezes na Vila nos últimos anos, digo que é bem legal estar em um estádio em que pode se ver o jogo sem esforço. É bom também ter lugares marcados, respeito aos setores, um aspecto limpo. A torcida do Flamengo realmente não incendiou o estádio e deu ao campo uma cara de teatro; mas isso, a meu ver, é mais resultado de o jogo ter sido realizado em uma cidade com um público pouco habituado a ver o time em campo do que à arquitetura ou coisa que o valha do campo.)

Mas os elogios, infelizmente, resumem-se à arquibancada propriamente dita. Fora dela, no acesso ao estádio e em quase tudo o que antecedeu a chegada ao campo, o Estádio Nacional de Brasília e seus responsáveis estão reprovados. Bem reprovados.

A compra do ingresso foi uma epopeia das mais cansativas. Assim que a venda começou a ser realizada, pelo Ingresso Rápido, me prontifiquei e adquiri a entrada - não sem antes ter sofrido bem com as quedas no site e com a falta de informações. Mas a chatice para a compra do ingresso foi bem, bem inferior à encontrada para a retirada do bilhete. Somado todo o tempo que gastei para pegar minha entrada, foram mais de cinco horas, e três jornadas diferentes. Teve gente que sofreu até mais do que eu. Horrível.
Os detectores de metal que causaram fila

Mas voltemos a falar sobre o jogo. A chegada ao estádio, se destacou-se positivamente pela segurança - fruto mais da boa postura dos brasilienses e turistas do que de uma ostensividade policial - foi triste sob o ponto de vista da organização. Era preciso andar uma razoável distância a pé até se chegar próximo do estádio - nada que adultos saudáveis não façam sem dificuldade, mas algo impraticável para idosos, pessoas com deficiência e outros com problemas de locomoção. Porém, irritou mais do que isso a quantidade bizarra de filas que se encontrava. Filas, filas e mais filas. E sem NENHUMA explicação. Ao torcedor, cabia tomar posto em uma linha de espera e orar para que ela desse o acesso esperado. Não se esclarecia a que setor se destinava cada uma das entradas, e nem se seria feita alguma distinção. E isso se comprovou após termos rodado desesperadamente atrás de uma orientação; uma funcionária identificada nos 'informou',  com simpatia: "a fila é tudo igual, é só depois que separa". Então tá.

Entre chegada à fila e entrada no estádio, se foram uns bons 40 minutos. Grande parte da espera se devia à necessidade de se passar por detectores de metal - a la aeroporto, com direito a deixar os itens magnéticos em uma caixinha ao lado e tudo o mais. Iniciativa louvável, mas que não fará sentido se mais detectores não forem espalhados. Eram muito poucos para os mais de 65 torcedores presentes.

Mas, putz, o estádio é lindo
Após a passada pelas catracas, mais um pouquinho de desorganização e espera. E, no caminho entre as rampas e o campo, se materializava um estádio com aquele jeitão de casa onde a reforma não foi concluída, sacam? Sabe quando aquele amigo recém-casado ou que mudou-se há pouco o convida, e você vê um belo contraste entre uma TV de LCD com o plástico ainda reluzente e um interruptor sem os espelhos protetores? Ou um sofá lindo e novo compondo o ambiente com uma lâmpada saindo do teto pendurada diretamente pelos fios, sem o lustre? Então, foi assim que o Mané Garrincha e seu chão de concreto, poeira aparente e sinalização improvisada se manifestou.

Havia filas para a compra de itens - entre eles, a água a R$ 4 e a cerveja a R$ 8 - e os banheiros não estavam grande coisa. O primeiro mundo não se fez tão presente assim.

De certo modo, tudo isso compensou quando, retomando o início do post, subi as escadas e dei de cara com o campo de jogo e as arquibancadas o circundando. Não é o certo a se fazer, eu sei, mas acabei esquecendo um pouco dos problemas quando me deparei com tudo isso.

Voltarei ao Estádio Nacional para Brasil x Japão no início da Copa das Confederações. É torcer para que as coisas estejam mais ajustadas - e que o Mané Garrincha não pareça mais aquela casa recém-reformada.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Mentiras sobre o time do Muricy

Foto: Ricardo Saibun/ Santosfc.com.br
O Santos descolou um 0x0 sem-vergonha com o Joinville e, como havia vencido lá em Santa Catarina, passou de fase na Copa do Brasil. OK.

Assisti ao jogo pela ESPN, com a transmissão dos competentes Dudu Monsanto e Paulo Calçade. Talvez para dar uma valorizada na partida, em diversos momentos eles repetiram frases como "o time ainda sente a perda do Paulista, que foi há pouquíssimo tempo, aqui mesmo na Vila" e "a equipe está cadenciando o jogo, o 0x0 classifica o Santos".

Não. Não é por aí.

Tenho pra mim que, ainda que o Santos tivesse vencido o Paulistão de forma magistral e/ou perdido de 4x0 em Joinville e precisasse do resultado, a bolinha sem-vergonha seria a mesma.

Por um simples motivo: o time do Santos, hoje, é RUIM. E pronto.

Ruim, ruim mesmo, saca? Ruim, precário, fraco, como tantos outros times que o Santos e os demais gigantes do futebol tiveram ao longo de suas histórias. Triste de ver, tal qual o Peixe de 1999 de Paulo Autuori, o de 2008 de Leão e Cuca, o de 2005 de Nelsinho Baptista e por aí vai. OK, talvez não tão ruim quanto esses mencionados, mas um time sem graça, sem condição de fazer boas partidas.

"Ah, mas tem o Neymar". Pois é, tem o Neymar. A questão é que até ele não tem jogado muito bem. Ontem, fez um primeiro tempo sofrível, pavoroso, de chorar mesmo. Foi melhor no segundo tempo, mas nada de encher olhos, nada de justificar a (justa) fama de melhor jogador do Brasil e um dos melhores do mundo. Isso tem se repetido - de forma irritante e preocupante - ao longo de 2013.

E aí alguém pode questionar o Muricy por impor ao Santos o "futebol de resultados", algo que não combinaria com o time da Vila. Não é isso. O Santos não está jogando mal porque quer - e sim porque, como disse acima, é um time ruim.

Não há desculpas, não há justificativas. O que há é um técnico em péssima fase e que precisa, urgentemente, deixar a Vila Belmiro. Sem isso não teremos soluções.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Todo jogador enfrenta adversários fracos. Mas poucos dão show

E então, mais uma vez, Neymar arrebentou. Fez gol, passe para gol e deu belos dribles na partida do Santos contra o Botafogo de Ribeirão Preto, pela segunda rodada do Paulista. Foi o terceiro jogo oficial dele em 2013 - os anteriores haviam sido contra Barueri, um amistoso, e São Bernardo, pelo estadual - e, nos três, ele desempenhou um bom papel.

Ao ver a boa atuação do atleta, muitos dos seus críticos já encheram o peito para falar: "mas aí é fácil! Contra o Botafogo de Ribeirão Preto, pelo Paulista, até eu!".

E é esse o ponto que quero abordar. Não há, na história do futebol mundial, algum craque que tenha enfrentado apenas adversários fortes e competitivos ao longo de sua carreira.

Messi foi campeão europeu contra o poderoso Manchester United, mas passa a maior parte do ano encarando os Getafes e Osasunas do Espanholão. Pelé conquistou oito títulos nacionais, dois sul-americanos e dois mundiais contra times de primeiríssima linha, porém passou muito tempo enfrentando fracas equipes do interior pelo estadual - inclusive, um dos seus recordes mais celebrados, o de oito gols em um só jogo, teve o mesmo Botafogo de Ribeirão Preto como adversário. Romário consagrou-se na Copa e empanturrou-se de gols contra Volta Redonda e afins nos estaduais do Rio.

É do jogo.

Talvez, mais do que tentar minimizar os feitos de Neymar, por serem contra os fracos times paulistas e Messi, por serem contra os 'cintura-dura' espanhóis, o que deveríamos fazer é cobrar os supostos craques que, mesmo diante desses adversários fracos na teoria, não conseguem fazer nada digno de nota. Pois é, a regra não é o "contra o Botafogo de Ribeirão até eu", "contra o Getafe até eu"? Então por que seguem sendo poucos os que arrebentam dentro de campo?

Em tempo: se ainda não viu, veja o show de Neymar.

sábado, 15 de dezembro de 2012

10 anos

Eu não lembro que roupa estava vestindo. Também não consigo recordar, com clareza, o que fiz na manhã daquele dia, até o momento do duelo. Ironias da vida - logo a minha memória, o traço da minha personalidade do qual mais gosto, me deixa na mão e me impede de fazer uma descrição um pouco mais viva daquele 15 de dezembro.

Também não consigo lembrar o que se passou na minha cabeça aos 43 minutos e três segundos do jogo.

Há um chavão, cada vez mais em uso, que odeio: "só quem passou por isso consegue entender, não há como explicar, só estando lá pra saber". Acho que isso virou um recurso para superar uma certa incapacidade para procurar palavras que expressem sentimentos sinceros.

Então não é a ele, decididamente, que vou recorrer para falar do que ocorreu quando Elano empurrou a bola para as redes - ou, mais precisamente, quando o juiz confirmou o gol de empate. Até porque eu sei bem o que houve comigo. Lembro com precisão do meu sentimento. Alegria, é claro. Alívio, sem dúvidas. Consagração, júbilo, prazer, satisfação, sei lá.

A questão é que mais importante do que a alegria que senti naquela ocasião e em tantas outras por causa do futebol - títulos paulistas, o Brasileiro de 2004, Libertadores 2011 e outros - o que ocorreu comigo, ali, naquele instante, foi uma sensação de que minha vida estava sendo dividida em duas. Sabem a metáfora do "nascer de novo"? Então, talvez tenha sido um pouco por ali.

Não se trata de exagero afirmar isso. Quem é torcedor sabe que o clube de futebol ocupa, em nossas vidas, uma posição de protagonismo. E para mim - e acredito que a todos os santistas - a experiência de ser torcedor do Santos modificou-se integralmente após aquele dia.

Acho que não cometo nenhum pecado ao afirmar que os 11 jogadores do Santos - mais os suplentes e até mesmo o trio de arbitragem do 15 de dezembro de 2002  - fizeram, sobre minha vida, um efeito que pouquíssimas coisas ou pessoas já fizeram.

Agradeço a eles. Mais: repasso a eles uma espécie de responsabilidade, de obrigação de saber o que fizeram com a vida de um cara que contava 22 anos à época e tinha, naquele momento, o futebol como uma das coisas mais importantes da sua vida - e ainda tem nos dias atuais, com tanta intensidade quanto a daquela época, ou ainda maior.

Não sei o que a vida me reserva nos próximos 68 anos (no mínimo) que pretendo viver. Sei que acho pouco provável que ela me traga algo similar ao que senti aos 43 minutos daquele jogo.